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Crítica

"Fantasma e Cia", da Netflix, é divertido, mas totalmente esquecível

Estrelado por David Harbour ("Stranger Things"), "Fantasma e Cia" é diversão leve que funciona mais como aventura do que como comédia

Publicado em 24 de Fevereiro de 2023 às 20:42

Públicado em 

24 fev 2023 às 20:42
Rafael Braz

Colunista

Rafael Braz

Filme
Isabella Russo como Joy, Jahi Winston como Kevin, David Harbour como Ernest em "Fantasma e Cia" Crédito: Netflix/Divulgação
Como seria a reação das pessoas se um fantasma de verdade aparecesse assombrando uma casa abandonada, fosse registrado em um vídeo e se tornasse viral? “Fantasma e Cia”, lançado nesta sexta (24) pela Netflix, explora essa premissa com competência em uma comédia de aventura leve e de fácil consumo, mas com um texto que perde várias possibilidades de ampliar o universo criado.
Dirigido por Christopher Landon, dos ótimos “A Morte te dá Parabéns!”, “Fantasma e Cia” tem início quando a família Presley, em uma oportunidade de mercado, se muda para um casarão que estaria fora do orçamento deles. Os pais, Frank (Anthony Mackie) e Melanie (Erica Ash), chegam ao local com os filhos, o fanfarrão Fulton (Niles Fitch) e o sensível Kevin (Jahi Winston), que não parece gostar muito da novidade.
Nesse cenário, é claro que o filho sensível, sentindo mais a mudança, é quem descobre a existência de Ernst (David Harbour), um fantasma que tenta assustar o jovem, mas não tem muito talento para isso. Não demora para o resto da família ser apresentada ao morador da casa e também para um vídeo gravado por Kevin se tornar viral na cidade. Todos querem ver Ernst, jornalistas querem contar sua história e uma multidão de fãs permanece na frente da casa dos Presley por uma oportunidade. Ninguém além de Kevin, porém, está disposto a entender a ajudar a pobre assombração.
“Fantasma e Cia” se desenvolve com a busca de Kevin pelo passado de Ernst. Com pitadas de road movie, o jovem, o fantasma e a vizinha, Joy (Isabella Russo), partem em uma jornada de aventuras que servirá tanto para ajudar Ernst quanto como para as descobertas da adolescência de Kevin e Joy. Enquanto os jovens partem em fuga, o núcleo “adulto” se vê deslumbrado com a possibiidade de capitalizar aquela situação. É quando surge também a “vilã”, Dra. Leslie Monroe (Tig Notaro), uma agente da CIA responsável por um hoje extinto programa sobrenatural, e também algumas participações especiais, como Jennifer Coolidge, que vive uma medium picareta acostumada a enganar as pessoas.
Filme
Isabella Russo como Joy, Jahi Winston como Kevin, David Harbour como Ernest em "Fantasma e Cia" Crédito: Netflix/Divulgação
Num clima de filme família, o famoso filme “Sessão da Tarde”, “Fantasma e Cia” é uma aventura inofensiva na qual tudo corre como o esperado. Não é ousadia ou grandes surpresas, o filme tem três atos bem divididos e se segura por algumas boas ideias. David Harbour parece ter se divertido durante as filmagens, mesmo sem diálogos, e tem alguns momentos mais dramáticos demonstrados todos por expressões faciais. O personagem também é responsável por boas cenas na aventura que traz algumas referências a “Matrix” (e suas sequências) - os efeitos de computação gráfica, todos reservados a Ernst, são bons e fazem com que o fantasma pareça pertencer àquele mundo.
O filme de Christopher Landon, no entanto, carece de algo que prenda o espectador. A drama familiar dos Presley, mesmo com boas atuações, é apenas razoável; a relação de Kevin e Joy é superficial; e a história de Ernest é exatamente o que se espera dela. “Fantasma e Cia” é um filme que muitas pessoas vão ver enquanto mandam mensagens ou checam as redes sociais com um smartphone em mãos.
Filme
Anthony Mackie e Jennifer Coolidge em "Fantasma e Cia" Crédito: Netflix/Divulgação
A ironia é que alguns desses conflitos que trariam mais sustância ao filme são apresentados, mas nunca desenvolvidos. Há o conflito geracional entre Kevin e o pai, a sensação de não-pertencimento do protagonista e suas descobertas ao lado de Joy, mas é tudo muito pouco aproveitado pelas duas horas de filme. A única relação que se desenvolve é a de Ernest e Kevin, pois há uma identificação e ambos, de certa forma, acreditam estar presos naquela casa com pessoas que não os entendem - a busca do jovem pela libertação do fantasma também é uma busca pela própria libertação, pela independência, pelo que o ainda o prende na adolescência em busca da vida adulta.
Todas as falhas de “Fantasma e Cia” seriam menos inexpressivas se o filme ao menos fosse engraçado, mas ele não o é. David Harbour até se esforça como o fantasma, mas o texto desperdiça diversas oportunidades de fazer boas piadas, tornando-se apenas “leve e divertido”, adjetivos normalmente utilizados para comédias que não fazem rir. Outra oportunidade desperdiçada também é a utilização de imagens de redes sociais, recurso que funciona em determinado momento, mas que logo perde a graça.
Isabella Russo como Joy, Jahi Winston como Kevin, David Harbour como Ernest em "Fantasma e Cia" Crédito:
Ao fim, o filme é um passatempo correto, mas esquecível, divertido, mas pouco engraçado. “Fantasma e Cia” funciona melhor como uma aventura adolescente do que como a comédia de terror que tenta ser.

Rafael Braz

Crítico de séries e cinema, Rafael Braz é jornalista de A Gazeta desde 2008. Além disso, é colunista de cultura, comentarista da Rádio CBN Vitória e comanda semanalmente o quadro Em Cartaz

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