Sair
Assine
Entrar

Entre para receber conteúdo exclusivo.
ou
Crie sua conta A Gazeta
Recuperar senha

Preencha o campo abaixo com seu email.

PsiMama

Neste Natal, dê presença de presente

O problema de dar presente em vez de presença é que a criança passa a construir e reforçar uma crença de que seu valor é medido pelos  presentes que recebeu. E passam a pedir presentes cada vez maiores e mais caros

Publicado em 17 de Dezembro de 2020 às 05:00

Públicado em 

17 dez 2020 às 05:00
Nanda Perim

Colunista

Nanda Perim

Mãe brinca com filho pulando da cama
A criança pode não lembrar de quem deu o quê pra ela, mas vai se lembrar das coisas que fez com seus pais, as gargalhadas que deram juntos e de como fizeram ela se sentir Crédito: Shutterstock
Ano passado fui muito questionada por despromover presentes de Natal. Sim, eu acredito que podemos manter a magia do Natal sem todo esse consumismo exagerado. Em verdade, não é não dar presentes para as crianças, mas sim deixar de resumir o Natal apenas a presentes.
A grande questão está em entender que as crianças demandam presença, e quando não conseguimos dar, elas frequentemente pedem presentes para ter com o que se ocupar ou para se desligar do fato de que não está recebendo presença. Muitas crianças, inclusive, aprendem a pedir presentes quando queriam pedir presença, num claro pedido deslocado porque, assim, se sentem vistas, amadas e atendidas.
O problema dessa dinâmica é que, efetivamente, a criança passa a construir e reforçar uma crença de que seu valor é medido nas coisas que tem, nos presentes que recebeu, no valor que custaram. Passam a pedir presentes cada vez maiores, mais caros e complexos para medir o tamanho de sua importância. E sob esse prisma começam a enxergar a vida.
Anseiam pelo Natal para saber o que vão ganhar, contam os minutos, nem conseguem curtir e aproveitar as outras coisas dessa época: a família reunida, a decoração fofa, a presença de parentes distantes, o cheiro de ceia no ar...
Focar somente nos presentes tira a oportunidade de compreender os pequenos prazeres dos outros detalhes superimportantes dessas ocasiões, incluindo a história do evento, as crenças, o que representam e quais valores aquela família enxerga nessas festividades.
Mas e aí, como fazer?
Uma dica importante é começar por você. Como você enxerga essa época vai fazer toda a diferença pra sua criança. Conseguir ver magia em cada pequeno detalhe e compartilhar com sua criança poderá ensinar muito mais do que você imagina. Além disso, tem também o planejamento pro dia. Do que você mais fala? O que mais te empolga? Quais atividades você não perde por esperar? Sua criança aprende a valorizar cada coisa te assistindo e, portanto, será o valor que você dá que ela irá enxergar. Se você só fala de presentes, ela terá isso como o mais importante do Natal. Se você falar dos parentes, amigos, da decoração, do propósito e da história, das atividades do dia... então, o sentido muda.
Outra dica legal é focar em fazer pequenos cartões e presentes caseiros para aqueles que amamos: avós, amigos, professores. Isso pode ajudar a entender que o amor e a dedicação também são presentes com valor inestimável. Mostrar que há muito mais em um presente do que seu preço e seu tamanho. Há a importância para quem recebe, de onde vem, quem deu.
Por fim, uma coisa que me marcou a vida e pode também fazer a diferença pra você: brincadeiras de Natal em família. O dia se torna mais conectado, divertido e inclusivo quando propomos atividades. Por exemplo, na minha casa sempre fizemos um amigo x de coisas baratinhas, de loja de R$ 1,99! Chama amigo roubado porque tiramos números e roubamos os presentes uns dos outros, totalmente julgando pela embalagem. E depois nos surpreendíamos com o que cada um havia ganhado. Nos divertíamos antes,  comprando e embrulhando; durante, roubando uns dos outros, e depois, abrindo e tendo a surpresa. Tenho memórias superdivertidas desses dias! Além dessas boas memórias, teve a presença, desconstruindo que presente precisa ser algo grande, caro ou previamente pedido.
Fazer do Natal uma lembrança legal é fazer a criança sentir que foi vista, ouvida, amada, curtida. É fazer que ela tenha boas memórias. Certa vez fiz uma enquete no Instagram “qual sua melhor lembrança de Natal” e me lembro que a maioria absoluta era de histórias de presença, e uma pequena minoria sobre presentes.
É isso! A criança pode não lembrar de quem deu o quê pra ela, mas sempre vai se lembrar das coisas que fez com seus pais, as gargalhadas que deram juntos e de como fizeram ela se sentir. E esse é o melhor presente, não importa qual seja a época do ano!

Nanda Perim

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Irregularidade é atribuída ao período em que o parlamentar era presidente do Legislativo municipal
Vereador é multado por nomear cunhado para cargo em Câmara no ES
Imagem de destaque
Luminol revela manchas de sangue em parede da casa de idoso encontrado morto em Vila Velha
Imagem de destaque
Após anos de tentativas, criança do ES com AME vai receber "remédio mais caro do mundo"

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados