A infância é uma parte mágica da vida. Evoca o início de como ser criança. Ter sonhos mirabolantes, fantasias encantadas, curiosidades, brincadeiras e muita energia o dia todo. Remete a instituições como escola, família, as primeiras amizades, diversão e as múltiplas aprendizagens. Afinal não dá para ser criança e não ser curiosa e perguntar o que é isso ou aquilo.
Contudo, por mais que se fale da infância, do que é ser criança neste período, tudo que possa ser dito não dá conta de abarcar o que cada uma vive e sente. Até porque a experiência de vida é singular e se dá na construção da relação social em uma casa, rua e bairro.
Mas nesta semana, que se iniciou com o Dia das Crianças, é necessário refletir sobre os desafios de ser criança em meio a realidade social estabelecida hoje. No entanto, não é fácil responder o que é ser criança na Grande Vitória? E, mais ainda, como é ser criança em bairros de periferia, em plena pandemia? Até porque, para a filosofia, uma coisa é falar das crianças, da infância; outra, é o que ela nos diz por meio da sua aparição, como este ser cheio de vida, incertezas e buscas.
Por mais que existam dúvidas, o que se sabe é que toda criança possui necessidades físico-psicológicas, como alimentação, limpeza, higiene, vestuário adequado e abrigo. Um espaço para brincadeiras, jogos e diversão. E, para que elas cresçam como “normais”, é preciso que as suas necessidades sejam atendidas e cumpridas.
E são os adultos os responsáveis por cuidar das crianças. Elas devem receber a atenção e ao mesmo tempo os ensinamentos e orientações sobre comportamentos e atitudes no dia a dia. Os pais não podem ser omissos com os seus. Devem dar afeto e ter um relacionamento em que as crianças possam se sentir amadas e acolhidas. É o que diz o pesquisador José Martins Filho, no livro “A criança terceirizada”. Caso isso não aconteça, as crianças podem desenvolver sérios problemas emocionais, afirma.
Sabe-se que muitos são os problemas que afetam a vida das crianças na Região Metropolitana da Grande Vitória. O trabalho infantil é um dos mais graves. Este índice é considerado alto no ES. Para alertar sobre o trabalho infantil, de modo especial, neste período de vulnerabilidade econômica, o governo do Estado fez uma campanha em junho. Mas esse trabalho de prevenção e combate ao trabalho infantil não pode parar.
Os dados do último censo (2010) mostram que 21 cidades do ES apresentaram alto número de casos de crianças no trabalho infantil. São mais de 50 mil crianças, denuncia o MPT - Ministério Publico do Trabalho - em maio deste ano. Elas atuam em diversas áreas como feiras livres, praias, aviãozinho do trafico de drogas e outras. O que mais se vê são crianças nos sinais de trânsito. A luta deve ser por mais proteção e amparo a esta parcela da população que precisa de apoio e atenção.
A vida não está fácil para ninguém! O cenário atual apresenta muitos desafios. A crise tem impactos em todos os setores da sociedade e afeta, de modo especial, a vida dos mais pobres. Evidencia e aprofunda as desigualdades sócio econômicas, expõe a miséria e potencializa as vulnerabilidades das famílias. Mas lugar de criança não é no trabalho.
O que pode ser feito então para ajudar as famílias para que suas crianças não precisem trabalhar? É responsabilidade do Estado proteger os indivíduos mais vulneráveis, bem como investir em politicas sociais, transferência de renda, geração de emprego e oportunidades. Projetos não faltam, verbas existem! Falta decisão política para fazer mais e melhor em favor dos que mais precisam.