Sair
Assine
Entrar

Entre para receber conteúdo exclusivo.
ou
Crie sua conta A Gazeta
Recuperar senha

Preencha o campo abaixo com seu email.

Paulo Bonates

Inteligência estudantil está amarrada por slogans e falta de direção

Contingenciaram o país com sua soberania, leis, igualdade, fraternidade e autoridade

Publicado em 13 de Maio de 2019 às 22:21

Públicado em 

13 mai 2019 às 22:21
Paulo Bonates

Colunista

Paulo Bonates

Universidade Crédito: Divulgação
Hei você aí, já tentou pegar uma borboleta voando, para contingenciá-la em um vasilhame transparente? Pensa, senhora, que é fácil capturar a voante criatura que é lenta e bela? Ledo engano. Não é fácil vencer as inteligentes e difíceis manobras imprevisíveis. Nos vulcões da Escócia – acabo de inventar isso – cidadãos de bermudas quadriculadas e suspensórios passam um domingo inteiro correndo atrás delas com aquelas cestinhas amarradas em um cabo de vassoura. Não sei o nome do negócio e falei cabo de vassoura por puro contingenciamento.
No atual digamos estado de coisas não é só o dinheiro devido à população. Contingenciaram o país com sua soberania, leis, igualdade, fraternidade e autoridade.
Um certo John Briggs elaborou uma teoria – “A Teoria do Caos”. Nela, o movimento de qualquer ação inevitavelmente tende a desorganizar-se e continuamente organizar-se de outra maneira produzindo o sistema que a conserva. O país está repleto de borboletas tronchas e sem asas que se deixam desorganizar, roubar, fazer leis pessoais sem saber sequer reorganizá-las. Uma borboleta contingenciada.
Não é de hoje que não se consegue entender o voo dos mandatários. Sem dar bola para o que não pode abrir mão, uma nação, resta aos proprietários do povo e fabricantes cúmplices de leis, repetir sem reorganizar, transformando os governos em um lamaçal sem inteligência ou ética. Longe de uma verdadeira borboleta, e seus voos exatos, agarram-se em outras vias aleatoriamente.
E não é de hoje, nem de ontem, nem de anteontem. O Brasil vem sendo contingenciado perniciosamente. Não compreendendo a trajetória do real voo da borboleta, ignoram e passam a voar alto sem radar, financiados por um povo impotente e com muitíssimos miseráveis jogados na sarjeta. Para isso, vamos recorrer ao contingenciamento que não tem nada a ver: intrometendo-se na Venezuela, por exemplo. A senhora aí me diga se o Brasil tem contingência para ajudar outro país?
Quando alguns, dentre os mandatários, conseguem uma modalidade parcial da reorganização é para pichar leis que não conseguem eficácia por erro de essência, por fazer parte isolada desde a invasão dos portugueses – contingenciada como Descobrimento – como é o caso do corte de verba na inteligência nacional, as universidades. Trocar corte por contingenciamento é, no fundo, o mesmo que se ensinou no Grupo Escolar contingenciando a verdade sobre a “façanha” portuguesa em 1500.
A inteligência estudantil está amarrada pelos slogans e falta de direção, portanto, contingenciadas também.

Paulo Bonates

É médico, psiquiatra, psicanalista, escritor, jornalista e professor da Universidade Federal do Espírito Santo. E derradeiro torcedor do América do Rio.

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Imagem BBC Brasil
Cade aprofundará investigação sobre uso de conteúdo jornalístico pelo Google, incluindo IA
Novas urnas eletrônicas são apresentadas
TSE decide que proibição de voto a presos provisórios não vale para eleição de 2026
Imagem de destaque
Câncer cerebral: veja os sinais da doença que Oscar Schmidt enfrentava

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados