Não sei se os mais novos recordarão do imaginário transatlântico, o SMS Chatum, cuja missão era transportar para o exílio sem volta todos os chatos, impertinentes e meliantes de Vitória, e despachá-los para uma ilha imensa cercada de vulcões em atividade, situada no fundo do mar da Groelândia.
O vapor, como era conhecido, foi desativado pelo Sindicato dos Larápios Montados no Pudê, como diz Zé Sarney. Depois de muita espera, eis que surge Chatum II, bem no canal, como por encanto. Assim é que em um lugar incerto e não sabido está sendo elaborada uma lista atualizada para a viagem inaugural dos indesejáveis, cujo número aumentou tanto que periga afundar Vitória.
Vamos à lista, editada na famosa e secreta redação do anuário “Cartas do Além”, com supervisão artística do “Gato do Cine Trianon”, de Jucutuquara. A lista é grande, mas justa. Em carta anônima a este repórter, o comandante do Chatum II adiantou alguns passageiros. A passagem – só de ida, é claro - é gratuita e o embarque obrigatório.
Encabeçando a lista vão os responsáveis pelo ataque aéreo de minério que infesta e polui tudo, e não estão nem aí para as doenças respiratórias que causam. Dado ao status das referidas criaturas, viajarão de primeira classe, que graças a um cambalacho na licitação localiza-se no porão da embarcação.
Na primeira ponte, estarão os camarotes dos responsáveis pela construção da trilha aquática que ligará, um dia, Vitória a Veneza, e que já foi rua do Pau Roliço, ou Leitão da Silva, como quiserem. Como é navegável em toda a extensão, embarcarão em um cais especial as seguintes modalidades de ilhéus: motociclistas e motoboys que acreditam dar maior potência às suas maquininhas infernais acelerando e fazendo barulho.
Embarcarão no segundo andar – ou ponte – todos os infiéis que fecharam os bares para abrir farmácias. Nessa ala, haverá um dormitório comum para os proprietários das fábricas de remédios e a atualização frenética de seus preços.
Na quarta ponte, Neymar, distraído, inaugurará as ruínas do Palácio das Artes, do jeito que está, para não perder o estilo original. Na quinta, os cabeleireiros do Neymar, que para evitar a contaminação no navio viajarão de tornozeleiras eletrônicas chiquérrimas.
Na sexta ponte irão, sem direito a café da manhã, aqueles que por vis interesses empatam a instalação das hidrovias, estradas de ferro, metrôs e outros suspiros viários que trariam de volta a paz capixaba.
Na proa, viajarão os pivetes achacadores das ruas.