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Política

Arthur do Val na Ucrânia mostrou que a "nova política" não passa de um conceito vazio

Em meio às celebrações do Dia Internacional das Mulher, foi revelada a face mais perversa da misoginia e desumanidade por parte de um político brasileiro

Publicado em 09 de Março de 2022 às 02:00

Públicado em 

09 mar 2022 às 02:00
Pablo Lira

Colunista

Pablo Lira

Arthur do Val (Mamãe Falei) discute com deputado na Assembleia de São Paulo
Arthur do Val (Mamãe Falei) discute com deputado na Assembleia de São Paulo Crédito: Reprodução/Arquivo
“Eu nunca vi nada parecido assim, em termo de ‘mina’ bonita. Assim, a fila das refugiadas. Assim, imagina uma fila, sei lá. [...] Uma fila de duzentos metros, só deusa. Se você pegar a fila da melhor balada do Brasil, na melhor época do ano, não chega aos pés da fila dos refugiados aqui [na Ucrânia]. [...] Ah e detalhe ‘mano’, detalhe: elas [mulheres ucranianas] olham, cara. Elas olham e vou te dizer: são fáceis porque são pobres.”
Esse trecho em aspas consta nos deploráveis áudios que vazaram do deputado estadual paulista Arthur do Val, o “Mamãe Falei”, que estava em viagem na Ucrânia. Vale lembrar que esse é mais um dos representantes da “nova política”, que ganhou visibilidade nas últimas eleições brasileiras. O sujeito que fez esses comentários ultrajantes sobre as mulheres ucranianas é mais uma prova de que essa história de “nova política” não passa de conceito e narrativa vazias, sem sustentação. Pura balela, um engodo. Na verdade, o que existe é a boa política de caráter e respeito e a péssima política, tipo a que o deputado paulista e muitos outros praticam no país, a política oportunista, apelativa e de baixo nível.
Em tempo, não me surpreenderia saber que a viagem do citado deputado foi custeada com recursos da Assembleia Legislativa de São Paulo. Vamos acompanhar as cenas dos próximos capítulos para saber a verdade sobre quem custeou o turismo do dito cujo deputado pela Europa. Em meio às celebrações do Dia Internacional das Mulher, os mencionados áudios demonstram que não há limite para a falta de empatia, estupidez, machismo e canalhice.
O repugnante comentário do deputado estadual de São Paulo sobre as refugiadas da guerra na Ucrânia revela a face mais perversa da misoginia e desumanidade. Foi uma fala misógina, pois explicita o desprezo à mulher. A partir de uma perspectiva centrada no sexismo e elitismo social, o deputado afirma que as mulheres ucranianas “são fáceis porque são pobres”.
Com esse disparate, ele coloca a mulher em uma posição de subalternidade, a tratando como um objeto ou um pedaço de carne despido de sentimentos, memórias, emoções, coração, personalidade, identidade e história de vida.
Para além disso, a fala do deputado sobre a fila das refugiadas ucranianas despreza o sofrimento alheio e é extremamente desumana. Provavelmente, a citada fila de mulheres ucranianas trazia duzentos metros de rostos marcados pela dor, tristeza e perdas provocadas pela hostilidade do ambiente de guerra instaurado na Ucrânia. Demonstrando um total desrespeito, o deputado paulista se preocupou mais em comparar a fila das refugiadas com a fila da melhor balada do Brasil. É muita futilidade e desumanidade!
Nessa semana que celebramos o Dia da Mulher, devemos repudiar com veemência posicionamentos, como os do deputado paulista, que menosprezam e subjugam as mulheres. A misoginia e o machismo são armas letais que tiram a vida de milhares de mulheres no Brasil todos os anos.
Devemos, também, renovar e reforçar uma ampla mobilização em favor da conscientização contra todas as formas de misoginia, machismo e desumanidade, bem como favorecer o amplo empoderamento feminino. As mulheres constituem a mais importante estrutura da sociedade e são essenciais para o progresso da humanidade e do mundo civilizado.

Pablo Lira

Pos-Doutor em Geografia, mestre em Arquitetura e Urbanismo (Ufes), pesquisador do IJSN e professor da Universidade Vila Velha (UVV). Escreve as quartas

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