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Análise

Quando uma certa dose de inflação interessa ao governo federal

Governo está de olho no ganho fiscal resultante do cálculo do novo teto de gastos para o orçamento de 2022, que poderá crescer ou diminuir a depender da taxa de inflação acumulada até o final do mês de junho

Públicado em 

12 jun 2021 às 02:00
Orlando Caliman

Colunista

Orlando Caliman

Economia
Governo federal terá que contar com a própria inflação e um bom desempenho da arrecadação para não se deparar com a trava do teto do déficit primário Crédito: Breakingpic/ Pexels
Para o cidadão comum seria até incompreensível admitir que, em certas circunstâncias, uma certa dose de inflação interessaria ao governo. Em períodos mais longos de inflação alta ou mesmo de hiperinflação, como ocorreu na década de 80 do século passado, talvez facilitasse essa compreensão. Afinal, o efeito inflacionário refletia-se em colossais ganhos pela via do imposto inflacionário. Naturalmente, se de um lado ganhava o governo, de outro, o conflito distributivo corroía o poder de compra geral da população. Aliás, situação parecida, mesmo que em escala reduzida, com a que nos deparamos hoje.
Então, qual a razão, ou razões, que leva o governo federal olhar com bons olhos, pelo menos no curto prazo, uma inflação que já começa a incomodar a massa da população que vive da renda do trabalho? A resposta é relativamente simples, mesmo que para um problema complexo. O governo federal está de olho no ganho fiscal resultante do cálculo do novo teto de gastos para o orçamento de 2022, que poderá crescer ou diminuir a depender da taxa de inflação acumulada até o final do mês de junho.
Em síntese, a aposta do governo concentra-se em duas frentes: a primeira, no efeito inflação acumulada até junho deste ano sobre o teto de gasto; e a segunda, que a taxa de inflação seja mantida comedida até o final do ano. Ou seja, inflação em alta até junho para ampliar a folga no gasto para 2022, e inflação em baixa até o final do ano para conter os gastos indexados, como da previdência, já contratualizados para o início do próximo ano.
Uma taxa de inflação no entorno de 8%, que é o que o mercado aponta, a ser aplicada no teto de gastos a compor a proposta orçamentária a ser enviada em agosto, já seria suficiente para ampliar o teto de gastos em aproximadamente 10 bilhões, dos já previsto de 110 bilhões. Uma folga razoável, que poderá viabilizar uma nova bolsa família, além da ampliação de investimentos em infraestrutura. Que aliás, do ponto de vista da economia, poderá vir a se transformar também em razoável ajuda.
No entanto, o governo federal terá que contar com a própria inflação e um bom desempenho da arrecadação para não se deparar com a trava do teto do déficit primário, que está limitado a 170 bilhões de reais. Assim, contando com receitas inflacionadas, PIB em alta e parte significativa dos gastos desindexados, caso específico de gastos com pessoal, além do ganho fiscal, é previsível um cenário também melhor para a relação dívida/PIB.
É o que o mercado, pela via da Bolsa de Valores, está precificando agora com a alta acelerada. Porém, o perigo está em se perder o controle da inflação, principalmente neste segundo semestre do ano. Caso isso aconteça, deve-se considerar como inevitável a volta da trava dos juros em alta a impactar negativamente na economia.

Orlando Caliman

É economista. Analisa, aos sábados, o ambiente econômico do Estado e do país, apontando os desafios que precisam ser superados para o desenvolvimento e os exemplos de inovação tecnológica

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