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Economia

O perigo da desancoragem da inflação no Brasil

Nada impede que em certas circunstâncias as pretensões da política monetária passem a carecer de sustentação. Ou seja, a esperada função de ancoragem de expectativas pode não acontecer a contento

Publicado em 27 de Novembro de 2021 às 02:00

Públicado em 

27 nov 2021 às 02:00
Orlando Caliman

Colunista

Orlando Caliman

Num processo inflacionário persistente no tempo, que é o nosso caso, o papel do Banco Central, entre outros, é proceder a ancoragem das expectativas por meio do acionamento da taxa básica de juros. Ao pressioná-la para cima, emite sinal para o mercado de que pretende endurecer o “jogo” para garantir a chegada a uma linha previamente estabelecida, a uma determinada meta inflacionária. Essa sinalização tem a função de canalizar e demarcar o campo de expectativas do mercado.
Como o mercado se posta e se movimenta motivado, influenciado e acionado por uma variada e extensa lista de variáveis, as quais são expostas às intempéries e imprevisibilidades dos ambientes que as cercam, nada impede que em certas circunstâncias as pretensões da política monetária passem a carecer de sustentação. Ou seja, a esperada função de ancoragem de expectativas pode não acontecer a contento.
E, ao que nos parece, é o que se detecta no momento. Sucessivos incrementos na taxa básica de juros – a Selic – ao contrário de fazer arrefecer as expectativas em relação à inflação, como se esperaria, a estão pressionando para cima. O mercado, por exemplo, pela pesquisa do Boletim Focus, do próprio Banco Central, já antecipa a inflação para 2022 em 4,96%, ante 4,79 % da sena anterior. O centro da meta está definido em 3,5%.
Por mais que se argumente que não haja descontrole do processo inflacionário e que a aceleração dos preços no momento possam estar circunscritos a choques temporários de oferta, em especial de energia e combustível, mas também em função do câmbio, não se deve descartar o fato de que há no ar uma certa percepção, embora moderadamente consensual no mercado, de uma crescente dificuldade do Banco Central em oferecer ancoragem para além de 2022.
O receio dominante é de que com o câmbio flutuando, o que é correto, mas com sérias fraturas na política fiscal, que fazem aumentar o risco fiscal do país, torna difícil a tarefa de segurar os preços contando-se apenas com o apelo à política monetária. Ainda mais partindo-se da hipótese mais provável de que os preços não estão sendo pressionados pelo lado da demanda.
Em verdade, o país encontra-se em estado de estagflação, que é quando os preços sobem mesmo com a atividade econômica em baixa. E nessas circunstâncias, nos ensina a boa teoria econômica que cai a eficácia da política monetária.
Além disso, o problema de ancoragem de expectativas não fica circunscrito apenas à política monetária. Também o câmbio perdeu ancoragem natural na balança de pagamentos e na conta corrente externa. Por esse ângulo, em circunstâncias normais, o dólar deveria estar cotado no entorno de R$ 4,50. Está onde está hoje, por razões internas advindas sobretudo do ambiente político e do risco fiscal.

Orlando Caliman

É economista. Analisa, aos sábados, o ambiente econômico do Estado e do país, apontando os desafios que precisam ser superados para o desenvolvimento e os exemplos de inovação tecnológica

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