Cada vez mais, instituições, empresas e os próprios cidadãos nas suas individualidades estão sendo constantemente submetidos a olhares e avaliações externos. Quer queiramos ou não, o certo é que o mundo vem se apresentando mais transparente. Mas também, de certa maneira, mais devassado ao possibilitar incursões que podem ferir individualidades.
Mesmo assim, não podemos perder de vista que se trata de um grande avanço. E isso acontece principalmente por conta de avanços tecnológicos, sobretudo no campo da comunicação e acesso a informações, que de forma aceleradamente crescente tem tornado o mundo cada vez mais aberto e literalmente desnudo. Um mundo crescentemente plano.
Mesmo hoje torna-se tarefa difícil ou quase impossível escapar de câmeras, difundidas em profusão e remotamente acessadas, do alcance de um celular com auxílio da internet. É certo, por exemplo, que por qualquer dos canais de comunicação que optemos em usá-lo estaremos sendo observados, escrutinados e registrados nos nossos passos. E isso vale tanto para pessoas quanto para instituições, públicas ou privadas, e corporações.
Hoje, desastres como o que aconteceu com o estouro da barragem de Brumadinho, em Minas Gerais, ou mesmo o caso do incêndio no centro de treinamento do Flamengo, no Rio de Janeiro, contando com esses avanços nas tecnologias de comunicação, podem ser vistos, literalmente, em tempo real ou quase real. E o que é mais importante: permitem olhares captados por diferentes pessoas ou agentes, sob ângulos e focos também diversos.
Esse novo mundo mais transparente exigirá também das corporações mais transparência, comunicação mais engajada e mais diálogo com as comunidades que as acolhem, especialmente nos seus respectivos contextos de operação. A isso podemos dar o nome exercício de cidadania corporativa, um conceito que considero mais adequado para o momento e que vai, inclusive, além da responsabilidade social e ambiental, ou da licença social para operar.
Afinal, temos que entender que as corporações, e aqui estou me referindo à categoria de empresas privadas independentemente de tamanho, precisam e devem assumir a condição de instrumentos de transformação social.
Isso, inevitavelmente, vai requerer das corporações (empresas) revisitar conceitos, repensando-os e buscando novidades, rever modelos de negócios e de governança ou mesmo partir para uma estratégia de reinvenção. Aliás, como bem realçado no livro “Naked Corporation”, dos autores Don Tapscott e David Ticoll, a “era da transparência revolucionará os negócios”.