Recuperar senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Cadastrar nova senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Orlando Caliman

Indicação de Eduardo para embaixada põe fim à meritocracia do cargo

O problema maior nem é o provável nepotismo, mas a inaptidão do candidato a um dos cargos mais importantes da diplomacia do país, especialmente num momento de intensa turbulência nas relações entre países e blocos econômicos

Publicado em 17 de Julho de 2019 às 19:37

Públicado em 

17 jul 2019 às 19:37
Orlando Caliman

Colunista

Orlando Caliman Orlando Caliman
Eduardo Bolsonaro Crédito: (Windows)
A indicação do deputado Eduardo Bolsonaro para o cargo de embaixador em Washington, Estados Unidos da América, além do caráter de ineditismo que o ato em si demonstra, contrapõe-se ou, mais que isso, interrompe uma longa história da diplomacia brasileira que sempre foi pautado pela meritocracia. Aliás, o Brasil sempre foi reconhecido mundialmente pela qualidade do seu corpo diplomático. Em raríssimas exceções, embaixadores foram indicados tomando-se como base o quadro de ministros de primeira e segunda classes.
No caso específico da embaixada em Washington, nos últimos 30 anos todos os embaixadores, além de diplomatas de carreira e de primeira classe, passaram por outras embaixadas consideradas de destaque no mundo, como na Inglaterra, Alemanha, China, França e Itália.
É o caso, por exemplo, do embaixador Rubens Barbosa, ministro de primeira classe, que antes de assumir em Washington, no período de 1999-2004, serviu como embaixador na China, Alemanha e Áustria. Por diversas vezes participou e conduziu reuniões na ONU (Organização das Nações Unidas).
Podemos citar outros ilustres embaixadores em Washington: Rubens Ricupero, Paulo de Tarso Flexa de Lima, Marcílio Marques Moreira, Roberto Abdenur e Antônio Patriota. Todos eles diplomatas de primeira classe. Flexa de Lima foi o mais longevo no cargo, exercendo-o entre 1993 e 1999, no governo de Fernando Henrique Cardoso, e tendo antes passado pelas embaixadas do Uruguai, Argentina, Irã, Iraque, Londres e Roma. Sem dúvida uma brilhante carreira construída em uma verdadeira maratona.
Qual a experiência e acervo de conhecimentos aplicáveis à tão complexa e importante função dispõe o senhor Eduardo Bolsonaro que possa servir de sustentação à sua indicação? Atributos como saber “fritar hambúrguer”, “falar inglês e espanhol” e ter feito intercâmbio nos Estados Unidos, num Estado frio não combinam em nada com o “reconhecido mérito e com relevantes serviços prestados ao país”, como define a excepcionalidade da Lei 11.440 que regulamenta as indicações de embaixadores.
O problema maior nem está no provável nepotismo que envolve um possível ato de nomeação, mas sim na inquestionável inaptidão do candidato a um dos cargos mais importantes do país no exterior, senão o mais, especialmente num momento de intensa turbulência nas relações entre países e blocos econômicos. O que se espera do Senado, por onde deverá passar a indicação, é que esta seja devidamente derrubada na Comissão de Relações Exteriores e no plenário. E, conforme determina a lei, a decisão deverá ser validada em votação secreta.
A questão que surge, no entanto, nesse caso, é o fato da decisão final basear-se em regime de votação secreta. Ou seja, poderemos estar diante de uma caixa de surpresas. Afinal, estamos num país onde até o passado é incerto!

Orlando Caliman

Orlando Caliman Orlando Caliman

É economista. Analisa, aos sábados, o ambiente econômico do Estado e do país, apontando os desafios que precisam ser superados para o desenvolvimento e os exemplos de inovação tecnológica

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rápido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Instituto Terra abre vagas para formação em restauração ambiental
Instituto Terra abre vagas para formação em restauração ambiental
Edson Fachin TSE
'Cargo não confere privilégio, mas impõe limite', diz Fachin após relatório da PF sobre Moraes
Da esq. para a dir., o presidente Lula (PT), o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o escritor Augusto Cury (Avante), rivais na disputa à Presidência em 2026
Quaest: Lula tem 37%, e Flávio Bolsonaro, 30% no 1º turno; Cury chega a 10%

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados