Moradores e empresários da Enseada do Suá são contra novo prédio do MPES
Projeto preliminar
Moradores e empresários da Enseada do Suá são contra novo prédio do MPES
O Ministério Público já abriu licitação para a elaboração da maquete da nova sede da instituição. O prédio, de acordo com estudos preliminares, deve ser erguido em frente ao Tribunal de Justiça
Uma tomada de preços realizada no ano passado para a contratação do projeto arquitetônico da sede já indicava que o novo endereço seria na Avenida Capitão João Brandão, 220, bem perto do Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES).
Em nota enviada na tarde desta terça-feira (21), o MPES confirmou que é lá mesmo que a obra deve ser realizada. O terreno pertence ao Ministério Público.
A atual sede da Procuradoria-Geral de Justiça, no bairro Santa Helena, seria utilizada para abrigar "outras unidades de trabalho do próprio MPES, localizadas em Vitória, instaladas em imóveis diversos e, entre eles, vários alugados".
Os estudos, ainda de acordo com a nota do MPES, "estão em fase inicial e ainda dependem de diversas avaliações de planejamento e orçamento".
Mas já houve reação.
A associação da Enseada do Suá não quer a instalação de mais órgãos públicos no bairro, que já conta, além do TJES, com a Assembleia Legislativa, o Fórum Cível de Vitória, o Tribunal Regional do Trabalho (TRT-ES) e a Secretaria Estadual da Fazenda, somente para citar alguns exemplos.
"Fomos surpreendidos negativamente com a veiculação em A Gazeta de mais um projeto de edifício institucional para órgão público na Enseada do Suá, em um projeto de 27 pavimentos", diz nota assinada pelo presidente da Amei-ES, Eduardo Borges.
"A Enseada já tem excesso de órgãos públicos relativamente a residências, o que está equivocado sob uma ótica urbanística de sustentabilidade, que prega que a distribuição de tipos de atividades deve ser equilibrada na cidade. Isso é notadamente visível na Enseada, que fica lotada de dia em horário comercial, e se esvazia a noite e nos finais de semana", argumentou a associação.
"Órgãos públicos são ocupados com horário de entrada e saída bem definidos por seus funcionários, trazendo tráfego intenso em horários específicos, além da geração de trafego por seus visitantes. Tudo isso em um bairro já caótico no trânsito de veículos", registrou a entidade, ainda na nota enviada à coluna.
"Essa iniciativa do MP estadual vai contra o movimento feito pelo próprio governo estadual de instalação de órgãos públicos no Centro de Vitória, com objetivo de revitalizá-lo com mais movimento de pessoas", complementou a Amei-ES.
Veja a íntegra da nota da associação:
Fomos surpreendidos negativamente com a veiculação em A Gazeta de mais um projeto de edifício institucional para órgão público na Enseada do Suá, em um projeto de 27 pavimentos.
Desde 2016 iniciamos uma luta dura para que não surgissem mais grandes edifícios de órgãos públicos no bairro. Temos vasto histórico fotográfico e de matérias na imprensa com esse tema, durante anos da revisão do Plano Diretor Urbano sancionado em 2018. Desde então, estávamos nos sentindo realizados porque todos novos projetos que surgiram nessa região do bairro foram residenciais, exatamente o que estávamos pleiteando.
Esta nova notícia interrompe a sensação de êxito. Os principais motivos que não concordamos com a divulgação :
1) A Enseada já tem excesso de órgãos públicos relativamente a residências, o que está equivocado sob uma ótica urbanística de sustentabilidade, que prega que a distribuição de tipos de atividades deve ser equilibrada na cidade. Isso é notadamente visível na Enseada, que fica lotada de dia em horário comercial, e se esvazia a noite e nos finais de semana.
2)Órgãos públicos são ocupados com horário de entrada e saída bem definidos por seus funcionários, trazendo tráfego intenso em horários específicos, além da geração de trafego por seus visitantes. Tudo isso em um bairro já caótico no trânsito de veículos.
3)Órgãos públicos de grande porte deveriam ser instalados em vias arteriais, como o que vem sendo feito pelo Ministerio Publico Federal na Av. Marechal Mascarenhas de Moraes (vulga Av. Beira Mar), próximo ao Centro.
4)Essa iniciativa do MP Estadual vai contra o movimento feito pelo próprio Governo Estadual de instalação de órgãos públicos no Centro de Vitória, com objetivo de revitalizá-lo com mais movimento de pessoas.
Eduardo Borges - Presidente da AMEI-ES e Mestre em Arquitetura e Urbanismo
Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.