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Leonel Ximenes

Cinco dias após tragédia em SC, cidade do ES terá festival de balões

Evento competitivo, que não envolve passeio turístico,  já estava agendado desde o ano passado

Públicado em 

24 jun 2025 às 03:50
Leonel Ximenes

Colunista

Leonel Ximenes

Voo de reconhecimento nesta segunda-feira (23) em Marilândia
Voo de reconhecimento nesta segunda-feira (23) em Marilândia Crédito: Divulgação
Começa nesta quinta-feira (26) e vai até domingo (29) o 1º Festival de Balonismo de Marilândia, com a participação de cinco balões que virão do Rio Grande do Sul. O evento está sendo realizado cinco dias após a queda de uma balão no interior de Santa Catarina, na tragédia que deixou oito mortos e 13 sobreviventes.
Segundo a organização do festival de balonismo, o evento na cidade do noroeste do Espírito Santo estava agendado desde o ano passado. “Difícil cancelar um evento que já vem sendo planejado há tanto tempo”, alega o gaúcho Ricardo Lima, diretor técnico do festival e com 16 anos de experiência no balonismo.
Ele afirma que a modalidade é muito segura e que todas as medidas de segurança foram adotadas para que não haja nenhum acidente. “Em Marilândia, vão participar cinco balões pequenos de competição, não são balões de voo turístico. Tem um diretor técnico experiente e todos obedecem essa direção. Isso já é um critério de segurança”, explica. “Além disso, toda a documentação é recolhida e só participam pilotos brevetados (com licença de voo)”, acrescenta.
O gaúcho Ricardo Lima, diretor técnico do 1º Festival de Balonismo de Marilândia, tem 16 anos de experiência no balonismo
O gaúcho Ricardo Lima, diretor técnico do 1º Festival de Balonismo de Marilândia, tem 16 anos de experiência na atividade Crédito: Divulgação
Os balões que vão participar do festival têm capacidade para um piloto e mais dois passageiros. Segundo Ricardo, que é sócio de uma empresa de balonismo no Rio Grande do Sul, os pilotos têm autonomia para escolher quem vai voar no balão com eles.

SEM ADIAMENTO

Indagado se não seria mais prudente adiar o evento no Espírito Santo após a tragédia em Santa Catarina, o diretor técnico respondeu que não há necessidade de adiamento. “Não vai fazer diferença nenhuma você fazer agora ou um ano depois. As condições são as mesmas, os balões serão os mesmos, os pilotos também”, argumentou.
“A gente não pode fazer dos voos de balão um bicho-papão, não pode levar um acidente como esse [o de Santa Catarina] como regra geral do balonismo, seja ele competitivo, seja ele turístico. O balonismo é muito seguro"
Ricardo Lima - Diretor técnico do 1º Festival de Balonismo de Marilândia
Para ele, o que aconteceu no último sábado (21) na cidade de Praia Grande, no interior catarinense, foi um acidente que não é comum no balonismo. “Claro que existe toda uma questão de conscientização, há um apelo público, uma comoção pública. Como piloto experiente, tenho dificuldade de entender o que aconteceu. Foi um acidente que não envolveu o mecanismo do balão. O acidente não teve nada a ver com o mecanismo do balão”, reforçou Ricardo.
O prefeito Gutim Astori fez um voo de reconhecimento no balão em Marilândia:
O prefeito Gutim Astori fez um voo de reconhecimento no balão em Marilândia: "Foi um teste garantido com total segurança" Crédito: Divulgação
Em Marilândia, pondera, o festival de balonismo não será igual ao passeio turístico de balão em Santa Catarina. “Nosso evento é homologado, tem a responsabilidade técnica, tem a liberação do espaço aéreo. Não é um evento onde levo um balão e as pessoas vão voar. Todo voo de balão, tendo responsabilidade técnica, consciência sobre as condições climáticas, uma inspeção minuciosa de equipamento, não traz risco. O esporte é seguro.”

O QUE DIZ A PREFEITURA

O prefeito de Marilândia, Gutin Astori (PSB), reforça os argumentos do diretor técnico do festival de balonismo. Para ele, a segurança está garantida: “É natural que os últimos acidentes envolvendo o balonismo gerem preocupação, e como prefeito, compartilho dessa atenção. Entretanto, é preciso esclarecer que o balonismo, quando praticado com responsabilidade, por profissionais experientes e em conformidade com as normas técnicas e de segurança, é uma atividade segura e reconhecida no mundo todo como esporte e turismo de aventura”.
"Ao pensarmos o balonismo como parte da nossa estratégia turística, priorizamos sempre a segurança e a responsabilidade. Trabalhamos apenas com equipes habilitadas, devidamente regulamentadas pelos órgãos competentes e histórico técnico comprovado. Além disso, todas as ações são planejadas com base em condições climáticas, mapeamento aéreo e estrutura de solo"
Gutim Astori - Prefeito de Marilândia
Nesta segunda-feira (23), o prefeito fez um voo de reconhecimento em Marilândia. Segundo ele, a experiência foi aprovada. “Foi um voo muito bom, que durou meia hora. Foi um teste garantido com total segurança.”

Leonel Ximenes

Iniciou sua história em A Gazeta em 1996, como redator de Esporte e de Cidades. De lá para cá, acumula passagens pelas editorias de Polícia, Política, Economia e, como editor, por Esportes e Brasil & Mundo. Também atuou no Caderno Dois e nos Cadernos Especiais e editou o especial dos 80 anos de A Gazeta. Desde 2010 é colunista. É formado em Jornalismo pela Universidade Feedral do Espírito Santo.

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