Segundo a organização do festival de balonismo, o evento na cidade do noroeste do Espírito Santo estava agendado desde o ano passado. “Difícil cancelar um evento que já vem sendo planejado há tanto tempo”, alega o gaúcho Ricardo Lima, diretor técnico do festival e com 16 anos de experiência no balonismo.
Ele afirma que a modalidade é muito segura e que todas as medidas de segurança foram adotadas para que não haja nenhum acidente. “Em
Marilândia, vão participar cinco balões pequenos de competição, não são balões de voo turístico. Tem um diretor técnico experiente e todos obedecem essa direção. Isso já é um critério de segurança”, explica. “Além disso, toda a documentação é recolhida e só participam pilotos brevetados (com licença de voo)”, acrescenta.
Os balões que vão participar do festival têm capacidade para um piloto e mais dois passageiros. Segundo Ricardo, que é sócio de uma empresa de balonismo no
Rio Grande do Sul, os pilotos têm autonomia para escolher quem vai voar no balão com eles.
Indagado se não seria mais prudente adiar o evento no Espírito Santo após a tragédia em Santa Catarina, o diretor técnico respondeu que não há necessidade de adiamento. “Não vai fazer diferença nenhuma você fazer agora ou um ano depois. As condições são as mesmas, os balões serão os mesmos, os pilotos também”, argumentou.
Para ele, o que aconteceu no último sábado (21) na cidade de Praia Grande, no interior catarinense, foi um acidente que não é comum no balonismo. “Claro que existe toda uma questão de conscientização, há um apelo público, uma comoção pública. Como piloto experiente, tenho dificuldade de entender o que aconteceu. Foi um acidente que não envolveu o mecanismo do balão. O acidente não teve nada a ver com o mecanismo do balão”, reforçou Ricardo.
Em Marilândia, pondera, o festival de balonismo não será igual ao passeio turístico de balão em Santa Catarina. “Nosso evento é homologado, tem a responsabilidade técnica, tem a liberação do espaço aéreo. Não é um evento onde levo um balão e as pessoas vão voar. Todo voo de balão, tendo responsabilidade técnica, consciência sobre as condições climáticas, uma inspeção minuciosa de equipamento, não traz risco. O esporte é seguro.”
O prefeito de Marilândia, Gutin Astori (PSB), reforça os argumentos do diretor técnico do festival de balonismo. Para ele, a segurança está garantida: “É natural que os últimos acidentes envolvendo o balonismo gerem preocupação, e como prefeito, compartilho dessa atenção. Entretanto, é preciso esclarecer que o balonismo, quando praticado com responsabilidade, por profissionais experientes e em conformidade com as normas técnicas e de segurança, é uma atividade segura e reconhecida no mundo todo como esporte e turismo de aventura”.
Nesta segunda-feira (23), o prefeito fez um voo de reconhecimento em Marilândia. Segundo ele, a experiência foi aprovada. “Foi um voo muito bom, que durou meia hora. Foi um teste garantido com total segurança.”