Sair
Assine
Entrar

Entre para receber conteúdo exclusivo.
ou
Crie sua conta A Gazeta
Recuperar senha

Preencha o campo abaixo com seu email.

Medicina

O que a ciência sabe sobre a relação entre viroses e doenças do cérebro?

Estudo apontou correlação entre o vírus de Epstein Barr, causador da mononucleose infecciosa, e o aparecimento de esclerose múltipla. E há relatos de alterações cognitivas na Covid longa

Publicado em 16 de Março de 2023 às 00:20

Públicado em 

16 mar 2023 às 00:20
Lauro Ferreira Pinto

Colunista

Lauro Ferreira Pinto

Um estudo publicado na Science em 2022, acompanhando milhões de recrutas americanos por mais de duas décadas, mostrou correlação entre o vírus de Epstein Barr, causador da mononucleose infecciosa, e o aparecimento de esclerose múltipla. A esclerose múltipla é doença crônica do sistema nervoso central, por uma provável alteração imune que poderia ser desencadeada por uma infecção viral. Em junho do ano passado a atriz Guta Stresser, a Bebel da Grande Família, revelou ser portadora.
Nos dois últimos anos surgiram diversos relatos de alterações cognitivas na Covid longa, outra doença viral. Esses achados motivaram um grupo de pesquisadores do National Institute of Health, USA, a pesquisar a associação entre exposição a doenças virais e doenças neurodegenerativas, em dois grandes bancos de dados, um finlandês e outro britânico.
Em artigo publicado em abril, no periódico Neuron, esses autores identificam 45 exposições virais associadas com risco maior de doenças neurodegenerativas. De longe, a associação mais marcante foi com encefalite viral e doença de Alzheimer. Mas viroses como a simples gripe (influenza), e mesmo pneumonia viral, mostraram associação de risco com doença de Ahzheimer, doença de Parkinson, esclerose lateral amiotrófica e demência vascular.
Os pesquisadores registram que o risco de associação é mais nítido em casos graves, com internação hospitalar. Os riscos persistem por até 15 anos após a infecção viral. Uma possível explicação seriam os processos inflamatórios no cérebro em doenças infecciosas mais severas e duradouras levando à queda da reserva neurocognitiva e a resiliência a neurodegeneração.
Herpes simples e herpes zoster também são doenças infecciosas que se associaram a maior risco de doenças neurodegenerativas. Em 2017, quase cem anos após a grave epidemia de gripe espanhola, foi publicada a primeira associação entre gripe e risco de Parkinson.
Os autores registram com cautela que associação de risco não quer dizer simplesmente causa; que essas doenças são complexas e que os processos se iniciam mais de uma década antes do diagnóstico. Mas concluem sugerindo um maior esforço na vacinação de adultos para gripe, pneumonia e herpes zoster, que reduzem a incidência de casos graves e menos inflamação para o cérebro.

Lauro Ferreira Pinto

Doutor em Doencas Infecciosas pela Ufes e professor da Emescam. Neste espaco quer refletir sobre saude e qualidade de vida na pandemia.

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Imagem de destaque
'A Riqueza das Nações': como livro escrito há 250 anos ainda influencia nossas vidas
Imagem de destaque
Mulher é detida após esfaquear o ex-companheiro em Vitória
Imagem de destaque
As poderosas bactérias encontradas em cavernas profundas que desafiam a medicina: 'Resistentes a praticamente todos os antibióticos'

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados