O Japão é o país com a maior população de idosos do mundo. Quase 1/3 dos japoneses tem mais de 65 anos, portanto mais vulneráveis à doença. Entre os sete países mais ricos do mundo – o G7, o Japão é disparado o país com melhor resposta à pandemia. Como pode um país de idosos, com enorme densidade populacional, estar passando quase incólume pela pandemia do século, com zero impacto na expectativa de vida do seu povo?
O cientista Hitoshi Oshitani, conselheiro do governo daquele país, explica que uma posição clara e respeitada do governo japonês e a disciplina dos cidadãos constituem a chave da resposta. O governo não fez nenhum lockdown estrito (diferentemente de vários países europeus), mas investiu duramente no controle de ambientes fechados, aglomerações e situações de contatos íntimos de muitas pessoas.
Bares de karaokê (muito populares), boates, nightclubs e restaurantes foram intensamente restringidos nos períodos de várias ondas da infecção pela Covid-19. Desde o início da pandemia em 2020, lideranças políticas várias, jornalistas, artistas, cientistas divulgaram uma palavra-chave: sanmitsu! A melhor tradução seria "três Cs", em inglês: espaços fechados (closed environment), aglomerações (crowded conditions) e situações de contato próximo (close contact), que constituem as três situações a evitar a todo custo.
Foram envolvidos cerca de 8 mil enfermeiros de mais de 400 serviços públicos para detectar, rastrear e isolar casos suspeitos e seus contatos. O uso rigoroso e disciplinado de máscaras, um costume oriental, facilitou o controle da disseminação da doença. Por último e não menos importante, um país sem tradição pública em vacinação abraçou sem receios a imunização contra a Covid. Embora tenha largado atrasado em relação à Europa, hoje quase 82% de toda a população do Japão está totalmente imunizada.