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Pandemia

Estamos descobrindo como conviver com o coronavírus

A imensa maioria das pessoas vacinadas com três doses tem doença leve e não precisa se assustar com risco de Covid e manter restrições duras na vida social

Publicado em 10 de Março de 2022 às 11:58

Públicado em 

10 mar 2022 às 11:58
Lauro Ferreira Pinto

Colunista

Lauro Ferreira Pinto Lauro Ferreira Pinto
Variante do coronavírus
Ômicron, uma das variantes do coronavírus Crédito: NIAID / Agência Brasil
Após dois meses de intenso contágio, a maré de casos da variante Ômicron reflui aqui e em outros Estados brasileiros, de modo semelhante ao que ocorreu na África do Sul e na Europa. Tudo indica que teremos pela frente muitos meses de calmaria. Inúmeras pessoas perguntam: e agora? Vai ter outra variante? Acabou?
Passados dois longos anos de pandemia, algumas reflexões são necessárias. Recentemente, a Dinamarca, mesmo com avanço considerável de casos pela Ômicron, decidiu paradoxalmente suspender restrições e estimular volta à normalidade. Ao esmiuçar as razões dessa decisão, aquele governo justificou que mesmo com hospitalizações ainda altas, as mortes estavam em queda, e mesmo casos hospitalizados não eram graves.
País europeu com uma das maiores taxas de população vacinada com três doses (mais de 60%, enquanto no Brasil não chegamos a 30% no mesmo período), a Dinamarca entendeu que o preço a pagar, em especial na educação, estava alto demais, já que as pessoas com reforço tinham casos com menor letalidade.
É também intenso o desejo das pessoas de retomarem o convívio social, ver amigos, família, viajar. Após dois anos de restrições, é nítido que a saúde mental de muitas pessoas se deteriorou, com distúrbios e manias as mais diversas, e aumento de consumo de álcool e psicotrópicos.
O que é seguro fazer, doutor? Sinto que não temos resposta para tudo, vamos ter que ir descobrindo como conviver com o coronavírus. Seremos mais bem-sucedidos nesse caminho se conseguirmos furar a bolha do discurso binário, da ciência contra anti-ciência. A imunidade de rebanho pela doença ceifou vidas demais e não conferiu proteção à segunda onda em Manaus, no início do ano passado, em uma população na maioria contaminada na primeira onda.
Por outra lado, a imensa maioria das pessoas vacinadas com três doses tem doença leve e não precisa se assustar com risco de Covid e manter restrições duras na vida social. Restam os muito idosos e imunodeprimidos, que seguem vulneráveis mesmo com três doses, em especial após quatro meses da terceira dose. Como não há como isolá-los em uma bolha, serão necessárias doses mais frequentes ou uma nova vacina adaptada às novas variantes.

Lauro Ferreira Pinto

Lauro Ferreira Pinto Lauro Ferreira Pinto

Doutor em Doenças Infecciosas pela Ufes e professor da Emescam. Neste espaço, reflete sobre saúde e qualidade de vida

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