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E jornalista

Politiquês rasteiro atesta a incapacidade do Congresso

A "velha política" foi derrotada nas urnas em outubro. O eleitorado deu um claro recado à classe política

Publicado em 26/04/2019 às 16h38
Congresso Nacional. Crédito: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Congresso Nacional. Crédito: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O Brasil está assistindo a um festival de desculpas que tentam justificar os passos de cágado da tramitação da reforma da Previdência no Congresso Nacional. As mais comuns são as de que falta “articulação” do governo que viabilize um “relacionamento” capaz de angariar os votos necessários para a aprovação da matéria. Os brasileiros acabam descobrindo que “articulação” e “relacionamento” querem dizer, na verdade, o toma lá dá cá, ou seja, a troca de cargos (ou verbas) por votos. Em outras palavras, a mais explícita prática da “velha política”.

Esta “velha política” foi fragorosamente derrotada nas urnas em 7 de outubro. O eleitorado deu um claro recado à classe política: que não queria mais a surrada prática do loteamento de cargos que resultou nos maiores escândalos de corrupção da história do país. O fato de termos tido dois ex-presidentes da República presos ao mesmo tempo é a maior demonstração do ponto de deterioração a que chegou a política brasileira.

E o que estamos presenciando na tramitação da reforma da Previdência no Congresso? Parlamentares obstruindo as sessões ou fazendo “corpo mole” esperando a tal da “articulação” do governo para viabilizar o “relacionamento” com o Congresso. Não importa se a reforma é importante para o país – muitos reconhecem que ela é um passo essencial para o reequilíbrio das contas públicas –, o que importa é o que cada um obterá em troca.

Há quem que não esconde esta intenção. Os governadores concluíram que estão dispostos a trabalhar pela aprovação do projeto mas... Neste “mas”, querem mais prazos para pagar as dívidas com o Tesouro Nacional e mais recursos para fazer as obras que não conseguem fazer porque estão também com os recursos exauridos.

Agora surgem parlamentares querendo excluir os governos estaduais e municipais da reforma. A justificativa: não se “desgastar” com os funcionários estaduais e municipais. O absurdo da história é que os Estados e municípios precisam da reforma mais do que a União, já que estão com os seus orçamentos comprometidos com o pagamento dos aposentados sem poder, como o governo federal, lançar títulos para captar recursos no mercado.

Enquanto isso, o país patina na estagnação econômica com uma média de crescimento de 0,5% ao ano desde 2011, período em que o PIB per capita teve queda de 0,3% ao ano. Não é sem razão que a quantidade de desempregados é de 13 milhões. Ao invés de buscar saídas para esse caos social no reequilíbrio das contas públicas, os parlamentares preferem exercitar o politiquês mais rasteiro para justificar sua incapacidade de trabalhar em favor do pais.

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