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EUA ou Brasil

Os extremos da política ideológica se encontram na violência

O mais recente alerta à sociedade dos malefícios causados pela radicalização ideológica na política é o assassinato do ativista conservador Charlie Kirk

Publicado em 19 de Setembro de 2025 às 03:00

Públicado em 

19 set 2025 às 03:00
José Carlos Corrêa

Colunista

José Carlos Corrêa

assassinato do ativista conservador Charlie Kirk, ocorrido durante um evento no campus de uma universidade no estado de Utah, Estados Unidos, na quarta-feira da semana passada, é o mais recente alerta à sociedade dos malefícios causados pela radicalização ideológica na política. Sejam quais forem os motivos que levaram o atirador a realizar os disparos contra Kirk, tudo indica que a motivação tem raízes fundadas na ideologia extremada dos militantes que relativizam a vida humana em defensa da sua causa.
O crime ocorreu nos Estados Unidos, país no qual, há pouco mais de um ano, o presidente Trump sofreu um atentado, com disparo de arma de fogo, em Butler, Pensilvânia. A história norte-americana registra o assassinato de quatro presidentes da república, além de sete outros que sofreram atentados.
No mês passado, um massacre em uma escola católica em Minneapolis – também por motivação política – resultou em duas crianças mortas e várias feridas. Em todos os casos, os extremos da política foram considerados os responsáveis pela violência.
Charlie Kirk, ativista de direita e aliado de Trump, foi morto com tiro enquanto discursava em universidade nos EUA
Charlie Kirk, ativista de direita e aliado de Trump, foi morto com tiro enquanto discursava em universidade nos EUA Crédito: Reprodução/TV Globo
Nós, brasileiros, não devemos achar que a violência política é maior nos Estados Unidos – país no qual o acesso às armas de fogo é mais presente – já que há inúmeros exemplos de que ela ocorre também no nosso país. Basta lembrar dos tiros disparados contra uma caravana que divulgava a candidatura de Lula em 2018 no Paraná, do assassinato de um lulista que festejava o seu aniversário em uma festa decorada com fotos do atual presidente em 2022, também no Paraná, e o esfaqueamento que quase custou a vida do então candidato Jair Bolsonaro, em 2018, em Juiz de Fora.
Na semana passada, um estudante capixaba foi preso por ameaçar de morte, pelas redes sociais, o deputado Nikolas Ferreira. E, na Universidade Federal do Paraná, também na semana passada, em uma palestra que iria discutir o papel do STF no julgamento de Bolsonaro, estudantes cercaram dois palestrantes que relataram agressões físicas e ameaças de mascarados. A Polícia Militar teve que intervir com o uso de gás lacrimogêneo. Longe de serem episódios isolados, eles revelam o ponto a que podem chegar os extremismos da radicalização política.
E, convenhamos, a polarização política brasileira, representada por bolsonaristas de um lado, e petistas-lulistas de outro, está cada vez mais presente e radical nas redes sociais, com discursos de ódio de parte a parte, contaminando a troca de ideias, destruindo amizades e dividindo famílias. Trata-se de um ambiente anticivilizatório, propício à violência, que está presente a todo momento nas postagens da internet, com perigo real de transbordar para as ruas no período pré-eleitoral.
E, é preciso reconhecer, há muitos agentes incendiários e poucos dispostos a atuar como bombeiros nessa história. De um lado, os líderes bolsonaristas apostam todas as suas fichas em uma tentativa de aprovação de uma anistia ampla, geral e irrestrita para livrar da cadeia o seu líder condenado e inelegível. Chegam, até mesmo, a substituir a bandeira do Brasil pela dos Estados Unidos – em uma alusão ao país de Trump que pune o Brasil com o tarifaço e ameaças de outras sanções por considerar que o seu amigo Bolsonaro é vítima de uma “caça às bruxas” – como ocorreu na manifestação da Avenida Paulista no dia 7 de setembro.
De outro lado, a esquerda petista-lulista que, para conter o declínio de popularidade do governo do seu líder que prosperava desde o início do ano, tenta se aproveitar da megalomania de Trump para voltar a se apropriar das cores verde-e-amarelo da soberania nacional. Lula acredita ter conseguido ultrapassar o seu ponto de maior fragilidade graças ao discurso nacionalista que aponta para os erros clamorosos da política trumpista – influenciada pela ação lamentável de Eduardo Bolsonaro –, que parece fadada a isolar os Estados Unidos do Brasil e do resto do mundo.
Se a polarização persistir até as próximas eleições brasileiras – com ou sem anistia – estará montado o palco ideal para a proliferação da violência. A contraposição a esse cenário só ocorreria se fosse possível viabilizar o aparecimento de uma terceira força, distanciada dos dois extremos polarizados, capaz de desfraldar a bandeira da pacificação nacional, com um projeto de governo consistente que contemplasse os anseios majoritários da sociedade brasileira com relação ao futuro.
Isso, entretanto, é preciso admitir, é ainda um cenário distante, difícil – muito difícil, dado o acirramento dos ânimos dos agentes envolvidos – de se concretizar.

José Carlos Corrêa

É jornalista. Atualidades de economia e política, bem como pautas comportamentais e sociais, ganham análises neste espaço

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