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Eleições 2022: presidenciáveis buscam relativizar os erros cometidos

Não deixa de ser positivo que os dois candidatos apontados como favoritos tenham admitido, mesmo tardiamente e em parte, alguns erros cometidos no passado. Mas ainda faltam as desculpas

Publicado em 16 de Setembro de 2022 às 00:30

Públicado em 

16 set 2022 às 00:30
José Carlos Corrêa

Colunista

José Carlos Corrêa

Lula e Jair Bolsonaro
Lula e Jair Bolsonaro Crédito: Reprodução de vídeo e Divulgação
Na reta final da campanha eleitoral, os dois principais candidatos à Presidência da República – Lula e Bolsonaro – buscam relativizar os erros que cometeram no passado. Procuram se justificar e tirar o corpo fora, chegam a admitir algumas falhas, mas, principalmente, tentam construir narrativas – para usar uma expressão da moda – em que não reconhecem totalmente os erros nem demonstrem arrependimentos excessivos.
Tudo, é claro, embalado pelos marqueteiros para, quem sabe?, conquistar os votos dos eleitores “nem-nem”, ou seja, os que não pretendem votar nem em um e nem em outro e que, segundo as pesquisas, representam algo em torno de 15 a 20% do eleitorado.
Bolsonaro amenizou o seu discurso contra as urnas eletrônicas e, em entrevista concedida na última segunda-feira (12), chegou a dizer que, caso seja derrotado em outubro, vai passar a “faixa” ao vencedor e se “recolher”. Para quem até pouco tempo repetia, dia sim e outro também, que as urnas eletrônicas eram inconfiáveis, que as eleições de 2014 e 2018 foram fraudadas e que poderia não aceitar o resultado caso fosse derrotado, já foi um avanço e tanto.
O presidente, também pela primeira vez, admitiu ter errado em duas declarações que deu durante a pandemia. Foi quando disse “não sou coveiro” ao ser questionado, em abril de 2020, sobre as mortes provocadas pelo coronavíurus, e quando, em 2021, mandou o perguntador comprar vacinas “na casa da tua mãe”.
Agora, consciente de que essas declarações o fazem perder votos, Bolsonaro disse ter dado “uma aloprada” e ter perdido “a linha” e por isso se “arrepende” de ter dito o que disse. Seria bom se essa nova declaração representasse de fato o que pensa hoje o presidente-candidato.
Lula, em entrevista dada ao “Jornal Nacional”, admitiu pela primeira vez que houve casos de corrupção nos governos do PT ao dizer que “não se pode dizer que não houve corrupção se as pessoas confessaram”. Para ele, até então, nunca tinha havido mensalão e nem petrolão, porque tudo não passava de invenção dos acusadores. Mas, em momento algum, até hoje, Lula assume as suas responsabilidades por ter nomeado as pessoas que praticaram os atos de corrupção.
Lula ainda insiste em acusar a Operação Lavo Jato de ter sido “uma questão política” para impedi-lo “de ser candidato” e em criticar as delações premiadas (“quase todo mundo foi solto e saiu com muito dinheiro porque a delação premiada fez com que muita gente ficasse rico”) que o levaram à prisão. Lula ainda chega ao requinte de dizer que as delações premiadas “oficializaram o roubo”. Ele finge esquecer que foram as delações premiadas que permitiram à Operação Lava Jato desvendar a teia de corrupção que ele agora, com muito custo, admite ter existido.
Não deixa de ser positivo que os dois candidatos apontados pelas pesquisas como favoritos tenham admitido, mesmo tardiamente e em parte, alguns erros cometidos no passado. Contudo, seria melhor que eles assumissem todas as suas responsabilidades nesses episódios e pedissem desculpas sinceras ao povo brasileiro pelos erros cometidos.
Até porque quem pagou – e continua pagando – por todos esses erros são os brasileiros que, no final, sempre são chamados a pagar a conta dos malfeitos cometidos pelos seus governantes.

José Carlos Corrêa

E jornalista. Atualidades de economia e politica, bem como pautas comportamentais e sociais, ganham analises neste espaco.

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