A semana passada foi uma semana de emoções – positivas e negativas.
Emoção positiva proporcionou-me a reflexão do frade franciscano Aloísio Fragoso, de Recife, que à luz de argumentos teológicos, condenou a decisão judicial que negou a Lula o direito de participar do sepultamento de um irmão.
Emoção negativa e de revolta causou-me a estapafúrdia declaração do ministro da Educação chamando Leonardo Boff, teólogo mundialmente respeitado, de estelionatário. Esse ministro merece complacência porque certamente não sabe o significado da palavra que usou. Afinal, não é uma palavra de uso corrente nos botequins.
Emoção positiva resulta de constatar que atos heróicos são praticados diariamente, em todo o território nacional, embora permaneçam anônimos, porque apenas alguns são registrados pela imprensa.
Emoção negativa advém de ler, inclusive em seções de cartas dos leitores, opiniões que condenam todos os políticos, indiscriminadamente, como se não houvesse político honesto. Essa condenação global beneficia os desonestos pois, se todos são farinha do mesmo saco, a desonestidade é normal e não deve causar estranheza.
Todos temos o dever de refletir, de pensar, pois a capacidade de pensar foi conferida a todos os seres humanos e não apenas aos chamados intelectuais.
De acordo com o sociólogo Roberto Da Matta, a frase “você sabe com quem está falando?” expressa hierarquia e autoritarismo. Já o jeitinho brasileiro mostra o lado cordial. A solução invocada pela pessoa que usa o jeitinho jamais é a hierarquização do “você sabe com quem está falando?”
A expressão “você sabe com quem está falando?” representa autoridade e poder. O sujeito deixa de lado o papel de indivíduo e passa a ser uma identidade.
Nem todos podem usar essa “identidade” no seu lugar. O jeitinho pode ser utilizado por todos, sem ter que lançar mão de sua identidade social.
Outro aspecto é que, enquanto no jeitinho determinada situação pode terminar anônima, no “você sabe” essa possibilidade não existe.
Citemos um exemplo – um policial, ao ser parado em uma blitz, está irregular. Sabendo que será multado, declara sua identidade e tenta exercer pressão sobre o agente de trânsito.
As duas situações são exemplificadas como algo que passa a acontecer mais frequentemente em nosso meio social. O indivíduo tenta usar sua identidade social para conseguir algo, exercendo um certo autoritarismo à face de outras pessoas. Esquece seu aspecto de indivíduo diante da sociedade.