O uso da palavra “influencer” não ocorria entre nós até poucos anos atrás. Sua tradução para o português é influenciador(a) digital e sua função principal é criar conteúdo nas redes sociais para construir uma audiência e conduzir uma gama de seguidores a compartilhar ideias e opiniões.
São profissionais que ganham dinheiro com anúncios, posts pagos e parcerias com marcas. Em suma, o(a) influencer conversa com seus seguidores sobre temas específicos chamados de nichos, geralmente, moda, games, finanças, culinária. Ele conecta marcas e pessoas, fazendo parcerias com empresas para divulgar produtos ou serviços para um público específico.
Geralmente, são jovens de boa aparência, bem articulados, convincentes, que passam confiança e credibilidade ao seu público, até que sejam envolvidos em práticas ilícitas e terminem suas carreiras e seus milhões facilmente angariados por diligências da laboriosa Polícia Federal, como sói acontecer.
Recentemente, ocorreu o fenômeno das “bets”, outra palavrinha da moda, que tanta celeuma tem provocado. Elas significam “apostas on-line” feitas em plataformas digitais, em que os usuários depositam dinheiros para dar palpites em resultados de eventos esportivos ou jogos de cassino, como o famoso “tigrinho”.
Como neste ano ocorreu a Copa de Mundo de Futebol Masculino, nos EUA, centenas de jogadores de futebol, atuais ou do passado, foram contratados para atuar como influencers e aliciar pessoas para jogar. A internet virou um grande cassino, que arrepiaria os cabelos de dona Carmela Dutra, a Santinha, esposa do general Eurico Gaspar Dutra que o influenciou, há 80 anos, a proibir os jogos de azar no Brasil, fechando os cassinos e desempregando 60 mil pessoas, conforme estimativas da época.
A polêmica sobre jogos, no Brasil, é antiga. Os cassinos eram proibidos no Brasil Império e foram permitidos, pela primeira vez, em 1920, pelo presidente Epitácio Pessoa, mas apenas nas estâncias balneárias, climáticas e de águas — os únicos lugares onde havia turismo na época.
Ao longo dos anos, os cassinos eram fechados por decisões de juízes e leis estaduais, até serem vetados em 1924. Foi Getúlio quem liberou os jogos em todo o país, em 1934. Em 1941, ele proibiu apenas o jogo do bicho e, em 1946, Dutra proíbe tudo - sinais de que os jogos de azar nunca foram plenamente aceitos na sociedade.
O mesmo aconteceu com os bingos, nos governos de Collor, Fernando Henrique e Lula, Atualmente, tramita, no Senado, projeto para a instalação de cassinos em polos turísticos ou em complexos integrados de lazer, como hotéis de alto padrão, com restaurantes e bares.
Sobre as “bets”, em 2018, o presidente Temer sancionou a lei que as autorizava no Brasil, mas sem regras específicas para o setor. Na gestão de Bolsonaro, o governo não regulamentou a atividade, como era previsto na nova legislação - o que foi feito pela gestão Lula em 2025, permitindo ao governo taxar empresas e apostadores.
Recentemente, em setembro de 2026, em plena campanha eleitoral, o governo federal assinou uma medida provisória que proíbe a exploração, a oferta e a publicidade de apostas e de jogos on-line no país. As plataformas interromperam novos aportes e os usuários têm até o início de outubro de 2026 para realizar o saque voluntário dos saldos remanescentes. Sites e aplicativos devem sair do ar e encerrar as operações legais em território nacional.
Não sei se o Congresso Nacional aprovará essa medida provisória, que tem validade de quatro meses. Sei que há opiniões a favor e contra, interesses milionários em jogo, sobretudo no mercado do futebol, mas é certo que jogos viciam, criam dependência e devem ser tratados não apenas como questão de economia, mas de saúde pública.