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Fernando Manhães

Paisagens urbanas não são as mesmas com a atuação da publicidade

Algumas hipóteses nos levam para a efetividade da influência da publicidade na ocupação do espaço público e na paisagem

Publicado em 19 de Março de 2019 às 01:57

Públicado em 

19 mar 2019 às 01:57

Colunista

Publicidade nas cidades Crédito: Divulgação
A publicidade insere-se na vida das pessoas atuando em dimensões econômicas, sociais, culturais, arquitetônicas e mercadológicas. A forma como a publicidade dialoga com a sociedade e como a sociedade consome a mesma, tanto como informação, bem como estímulo para a venda, seja pelo seu caráter persuasivo e, ao mesmo tempo, pela sua ressignificação, nos faz imaginar que seus impactos, sejam eles positivos ou negativos, influenciam o comportamento e os hábitos de consumo.
Uma sociedade é feita de diversidade. De espaços múltiplos. Uma cidade é acima de tudo lugar de pessoas. No seu movimento de entra e sai de gente, a cidade é lugar de casas e edificações, que se misturam com a natureza humana, de ricos e pobres, do público e do privado, da publicidade dos letreiros e das fachadas, das calçadas e das ruas.
Numa perspectiva histórica, principalmente no período pós-Segunda Guerra, as cidades tiveram grande expansão demográfica, o que propiciou a produção em escala, o consumo em massa e o surgimento de manejos comerciais indutores de novas práticas.
A questão aqui é identificar até que ponto a publicidade vem influenciando na formatação das cidades e na ocupação do espaço público. Coloco-me diante desse desafio. Muito já se sabe da força da publicidade como ferramenta persuasiva para venda de produtos e serviços. Entretanto, ainda é nebulosa a sua contribuição positiva para os indivíduos.
Por outro lado, os percalços da atividade, seja pela poluição visual ou pela sua forma mercantilista e capitalista, trazem prejuízos à sua imagem, embora seja ela informativa e indispensável. Também há de se considerar que o consumo alterou os hábitos das pessoas ao longo do tempo. Basta olharmos à nossa volta e verificarmos a quantidade de produtos que se tornaram indispensáveis para a nossa convivência.
Embora não sejam conclusivas, as hipóteses aqui levantadas nos direcionam para a efetividade da influência da publicidade na ocupação do espaço público e na paisagem urbana. Entretanto, é difícil assegurar: quem influencia quem? É a publicidade que influencia o meio ou é o espaço urbano que influencia a publicidade. Seja como for, a publicidade segue fazendo o seu papel.

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