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Novo parlamento

As eleições vorazes de Portugal no próximo domingo

Não chega ser um vale tudo, pois o nível de civilidade no país é grande. Entretanto, com as eleições em tempos de pandemia e o esgotamento natural dos portugueses com tudo que vem acontecendo nos últimos dois anos, o jogo ficou mais pesado

Públicado em 

28 jan 2022 às 02:00
Fernando Manhães

Colunista

Fernando Manhães

Marcelo Rebelo de Sousa, presidente de Portugal
Novas eleições foram convocadas pelo presidente Marcelo Rabelo de Souza, agora em 30 de janeiro. Crédito: Presidência da República Portuguesa/Divulgação
Os portugueses votam neste domingo (30) nas eleições antecipadas para a nova composição da Assembleia da República. Diferentemente do Brasil, aqui é mais importante escolher o primeiro-ministro do que o presidente da República, pois é o primeiro-ministro quem governará Portugal pelos próximos anos.
As eleições foram antecipadas por conta da reprovação do orçamento do Estado, uma vez que o partido no poder, o socialista, não conseguiu fechar acordo para aprovação, o que provocou a destituição do Parlamento e a convocação de novas eleições pelo presidente da República Marcelo Rabelo de Souza, agora em 30 de janeiro.
Ao contrário da última eleição legislativa, em que ninguém tinha dúvidas da vitória do Partido Socialista, esta de 2022 será bem diferente: uma eleição disputada voto a voto e com resultado totalmente imprevisível. Aqui em Portugal existem dois grandes partidos, os únicos em condições de formar o governo, o PS – Partido Socialista e o PSD – Partido Social Democrata.
O primeiro alinhado à esquerda e o segundo na centro-esquerda ou, como muitos preferem, centro-direita. Rótulos a parte, a verdade é que nenhum dos dois partidos tem condições de ganhar essas eleições com maioria absoluta. Ou seja, nenhum deles governará sem a necessidade de coalisões com outros partidos. De um lado, o atual primeiro-ministro Antonio Costa tenta manter-se no poder e, do outro, está Rui Rio, desafiando a liderança de seis anos de governo do PS.
São as eleições vorazes de Portugal. Não chega ser um vale tudo, pois o nível de civilidade em Portugal é grande. Entretanto, com as eleições em tempos de pandemia e o esgotamento natural dos portugueses com tudo que vem acontecendo nos últimos dois anos, o jogo ficou mais pesado, com fake news, troca de acusações e a busca com avidez pelos votos dos indecisos, seguramente os que decidirão estas eleições.
Portugal tem alguns problemas sérios a resolver. E não pode perder mais tempo com medidas paliativas. É hoje um dos países mais envelhecidos da Europa. Estima-se que em 2050 mais da metade da população será de pessoas acima de 55 anos. Tem a terceira maior dívida pública da Europa, algo perto de 127% do seu PIB. Tem também uma das piores médias de produtividade da Europa.
O país dá sinais de estagnação econômica, desde que aderiu à zona do euro e viu o seu PIB ser ultrapassado por países recém-chegados como a Lituânia, Estônia, Polônia, Hungria, Eslovênia e Malta. O país empobreceu ao longo dos últimos vinte anos, ocupando o 21º lugar entre os 28 países da União Europeia. Sem falar nas questões do dia a dia da população, como a saúde que está cada vez pior e a educação que já foi melhor.
Com todas essas colocações, percebe-se que Portugal tem um grande desafio pela frente e torna-se evidente que os políticos não têm conseguido responder a essas questões de forma clara, objetiva e pragmática. Independentemente de quem vença, Portugal necessita de mudanças profundas e urgentes, que somadas às suas vantagens competitivas, (localização geográfica estratégica, qualidade de vida, segurança e vocação turística) consigam colocar o país no lugar que lhe é devido. Agora é preciso fazer por onde. Merecer. A começar pelo voto. Tudo dependerá dos políticos e dos portugueses.

Fernando Manhães

É publicitário e escreve sobre suas experiência em Portugal, com foco em consumo e sustentabilidade.

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