Na última terça-feira (7), o primeiro-ministro de Portugal, António Costa, pediu sua renúncia após ser alvo de uma investigação policial, na qual ele e alguns membros do seu governo são suspeitos de favorecer empresas na exploração de lítio e hidrogênio verde. Após três mandatos seguidos, Costa, secretário-geral do Partido Socialista, governava Portugal sem nenhuma aliança ou coalizão com outros partidos. Venceu as últimas eleições legislativas em Portugal com maioria absoluta.
É o fim de uma era vencedora para Portugal. Político habilidoso e aberto ao diálogo, bem diferente do seu companheiro de partido José Sócrates (afastado por corrupção). Já esteve preso e responde a processos na justiça portuguesa. Costa não quer ter o mesmo destino do seu companheiro de partido.
Para nós, brasileiros, é meio difícil de entender como ele conseguiu perder uma eleição e governar. Nas eleições de 2015, a chapa vencedora PSD e o CDS, apesar de terem vencido, não conseguiram formar maioria. E aí começa a era Costa. Conseguiu governar porque montou uma coalizão de esquerda, a chamada geringonça, e desconcertou a aliança de centro-direta. Administrou por anos partidos políticos como o Bloco de Esquerda e o Partido Comunista. Em muitas questões a esquerda possui o viés ideológico muito diferente. Começava aí a fase de recursos polpudos da União Europeia. Portugal tinha vivido uma crise econômica de grande proporção.
Neste terceiro mandato, Costa ganhou mais autonomia, ficando livre para votar matérias mais alinhadas ao socialismo português e, por outro lado, também livre, em muitos casos, do radicalismo e anacronismo dos partidos mais à esquerda. O fato é que esse último mandato não foi nada fácil. O PS perdeu para ele mesmo.
Com a faca e queijo na mão, viveu problemas logo no início do governo. Na prática, não era mais o mesmo. Agora ele era o seu próprio parâmetro de governo e não poderia colocar na conta dos outros partidos os problemas que Portugal vem atravessando, como baixos salários, baixa produtividade, saúde a decair e um déficit habitacional gigantesco.
Agora, também é preciso levar em consideração o momento em que vive a Europa. Com a desaceleração da economia como um todo, sobretudo do seu principal motor que é a Alemanha. Com guerra e inflação, os ventos que passaram a soprar por Portugal não são exatamente os melhores.
Assim, independente do que aconteça nos próximos dias, já que o presidente Marcelo Rebelo de Sousa terá que tomar uma decisão, se convoca ou não novas eleições, o governo a ser formado, de esquerda ou de direita, terá que se superar e fazer reformas estruturantes para que, verdadeiramente, o país possa crescer acima da média europeia. Não pelo decréscimo dos outros países do bloco, mas pelos seus próprios méritos.