Quando o presidente da nação mais poderosa do mundo se deixa dominar pela ganância, pela ignorância e pelo desprezo à verdade, à justiça e à ética, toda a vida no planeta fica ameaçada.
Um incerto futuro se nos apresenta amedrontador e obscuro. Não é apenas mais uma nação entre todas as demais potências mundiais. É uma nação que sempre se afirmou como cristã e como a maior democracia do mundo. Constatar que, para além de discurso suscitador de medo, típico de um narcisista apaixonado por si mesmo e pelo poder, as ações do presidente se consubstanciam e se concretizam como política de ódio, de ignorância, e de desprezo pela vida, pelos valores humanitários e pela justiça.
Diante dos horrores discursivos de Trump, em sua posse, e das dezenas de documentos assinados em seu primeiro dia como presidente e de todas as ações já iniciadas, prenúncios do que nos reserva o futuro, não há o que duvidar. Estamos nos fins dos tempos. Não o fim dos tempos tal qual nos apresenta a perspectiva escatológica, mediada pela fé, mas a perspectiva das evidências científicas que apontam para o esgotamento do planeta e do fim da vida na terra.
Se não nos mobilizarmos de forma radical para o estancamento da devastação ambiental, para a eliminação de todas as formas de exploração dos recursos naturais sem critério minimamente aceitável, para a redução das desigualdades sociais em obediência a requisitos compatíveis com a dignidade da pessoa humana, não há futuro possível para a humanidade.
Ao anunciar a saída da OMS e do Acordo de Paris, Trump está nos informando que a ganância, o ódio, o desprezo à verdade, a ignorância e o descompromisso com valores éticos e diretrizes constitucionais e infraconstitucionais são os pilares sustentadores da política a que assistiremos comandar o cenário planetário nos próximos anos.
Tempos difíceis se anunciam e avizinham. Tempos de horror, de guerras e de muito ódio e violência, especialmente pelos pobres, pelas mulheres e por todos os vulnerabilizados que dependem de políticas inclusivas que alimentem a dignidade.
As algemas e correntes que vimos nos imigrantes que foram trazidos ao Brasil, em condições degradantes e aviltantes da dignidade humana, são apenas prenúncios das algemas e correntes que irão nos acorrentar nas mais diversas modalidades, se não nos indignarmos com as injustiças e não entendermos que a luta é de todos nós, para os quais o obscurantismo, a ignorância, a alienação, a falta de humanidade e de compreensão dos valores civilizatórios ainda não nos tornaram cegos e imobilizados pelo medo.
A coragem de resistir e de lutar pela sobrevivência e pelo futuro precisam nos unir de forma a virarmos o jogo, iluminando onde a ignorância graça e fortalecendo os laços de pessoas e nações comprometidas com a democracia, com a justiça e com os valores humanitários mais nobres.
A hora de lutar é agora.