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Educação e criança

O que é importante de fato na infância?

Engana-se quem acredita que, ao matricular os filhos nas infinitas aulas ofertadas, está garantindo a eles a aquisição de todas as potencialidades

Publicado em 24 de Outubro de 2019 às 12:54

Públicado em 

24 out 2019 às 12:54
Bianca Martins

Colunista

Bianca Martins

Crianças: o que é importante na infância? Crédito: Unsplash
“Que tipo de atividades devemos oferecer às crianças: um esporte, um instrumento musical? Às vezes ficamos perdidos com tantas demandas. Mas o que de fato é importante ter na infância?”
À criança deve ser oferecido absolutamente tudo o que promover seu pleno desenvolvimento físico, psicológico e comunitário. Mas nem sempre isso é possível. Engana-se quem acredita que, ao matricular os filhos nas infinitas aulas ofertadas, está garantindo a eles a aquisição de todas as potencialidades.
Ir à escola é fundamental. No ambiente escolar a criança não está apenas aprendendo os conteúdos curriculares e explorando suas capacidades cognitivas. Tem a oportunidade de aprender sobre empatia, tolerância, diferenças e inclusão na relação estabelecida com os adultos que cuidam dela e também na relação com outras crianças das mais variadas idades.
A escola é o primeiro experimento de convívio social ampliado. Lá existem regras que podem diferir em muito das regras familiares, e é um momento muito oportuno de transição da experiência familiar para a experiência social. Imagino que você, leitor, queira saber se os cursos extracurriculares são fundamentais para o desenvolvimento da criança. Depende. Você tem grana e tempo suficientes para conduzir a criança a outro espaço além do escolar? Tempo é algo muito escasso na experiência parental. Quanto à grana, se ela está curta, há infinitas formas de oferecer experiências e conhecimentos gratuitos: como ir a uma exposição, a passeios no parque, à praia, etc...
Outro ponto importante: a criança deseja praticar a atividade? De nada adianta encaminhar uma criança para aulas de inglês, balé, piano, futebol, teatro, coral ou qualquer outra atividade por imposição. Quando uma família deseja que o filho pratique um esporte, aprenda um instrumento ou desenvolva um hobby, sempre questiono: “De onde vem esse interesse? Um avô toca violão? A mãe teve aulas de balé?”.
Essa transmissão é extremamente importante, pois é genuína. A criança aprende a curtir essas atividades se viu o brilho nos olhos de outras pessoas sentindo e fazendo o mesmo. Agora, impor uma atividade é uma grande perda de tempo.
Às vezes, pais e mães gastam muito tempo e dinheiro oferecendo infinidades de atividades para os pequenos, almejando prepará-los para o futuro. Mas não se dão conta do que eles já são capazes na infância. Quando escuto alguém perguntar a uma criança o que ela será quando for adulta, penso no que ela já é na idade que tem. As crianças são cientistas por natureza, curiosas, exímias exploradoras. São cuidadoras e empáticas. Ao nos preocuparmos com o futuro, nos esquecemos que, para um futuro feliz, é necessária uma base muito bem construída que é feita no agora.

Bianca Martins

É psicóloga, psicanalista, entusiasta da maternidade, paternidade e mestre em Saúde Coletiva. Escreve sobre os bebês, as emoções, os comportamentos, os conflitos e dilemas contemporâneos do tornar-se família

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