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Beatriz Seixas

Mercado imobiliário em transformação

Confira a coluna da Beatriz Seixas

Publicado em 31 de Março de 2019 às 00:21

Públicado em 

31 mar 2019 às 00:21
Beatriz Seixas

Colunista

Beatriz Seixas

Construção civil teve 296 desligamentos em um mês Crédito: Gildo Loyola/Arquivo
A construtora Lorenge anunciou recentemente a reestruturação do seu corpo diretivo e a reformulação dos seus produtos e serviços. Há quase 40 anos no mercado capixaba, ela foi uma das muitas empresas que sentiram fortemente os impactos da crise econômica e viram desabar a demanda dos consumidores por imóveis em meio a um cenário de tamanha insegurança.
Os efeitos foram tão fortes que os 3.800 funcionários, entre diretos e indiretos, em 2014, foram reduzidos até chegar aos atuais 800, sendo 400 próprios e 400 terceirizados.
Passados os piores anos, que para a companhia foram os de 2015, 2016 e 2017, ela agora busca se recuperar não só pela expectativa de ser beneficiada pelo movimento de retomada da economia e do setor da construção civil, mas pela reinvenção do próprio negócio. Ficar esperando os consumidores irem atrás dos apartamentos poderia não ser suficiente, na avaliação da construtora, que está agora sob o comando de Leandro Rangel Lorenzon.
O engenheiro e administrador faz parte da segunda geração e assumiu o cargo que era de José Elcio Lorenzon.
Sob a gestão de Leandro, a empresa lançou serviços até então disponíveis em grandes centros, especialmente São Paulo. Entre as novidades aparecem a possibilidade de o cliente personalizar o seu imóvel ainda na fase de construção, com arquitetos próprios; a entrega do apartamento totalmente mobiliado, até com lençol; e a facilidade de o comprador não precisar se envolver com a parte burocrática, como documentação para a escritura ou financiamento bancário.
“A gente enxergou uma mudança comportamental do cliente. Ele busca praticidade, comodidade e celeridade. Além disso, a crise forçou as pessoas a serem mais seletivas. Então, estamos querendo trazer soluções para o comprador”, observou Leandro.
O caminho percorrido pela Lorenge é, na visão de especialistas do mercado imobiliário, sem volta. Aliás, analistas afirmam que se as empresas, independentemente do segmento, não forem capazes de inovar na forma de produzir, vender ou tratar o seu cliente, elas tendem a desaparecer com o tempo.
O presidente da Associação das Empresas do Mercado Imobiliário do Espírito Santo (Ademi), Sandro Carlesso, avalia que as alternativas de prestação de serviços que estão surgindo, além da entrega em si do imóvel, podem motivar o consumidor a decidir pela compra. “Esses serviços trazem diferenciais. É uma forma de o comprador tomar uma decisão mais rápida. Vemos muito isso acontecer em São Paulo. Agora, isso começa a chegar ao Estado”, observa ao citar que a tendência é que mais construtoras anunciem novidades ao longo deste ano.
O fato de o mercado produzir os imóveis em uma quantidade bem menor do que aquela do período do boom imobiliário - entre 2008 e 2013 - também é uma situação que permite às empresas adotarem, agora, estratégias de personalização e facilitação da vida do cliente. No auge das vendas deste setor, há uma década, a preocupação estava principalmente em ganhar escala, dificultando ou até mesmo inviabilizando um olhar mais individual para o consumidor.
Para o presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Espírito Santo (Sinduscon), Paulo Baraona, não há expectativa para outro boom no setor, o que na sua visão não é um problema. Ele lembra que, naquele período, o volume de lançamentos foi cerca de três vezes maior do que a média do mercado capixaba.
“Naquela época, muitas construtoras de fora do Espírito Santo vieram para cá, o que majorou muito os valores dos terrenos, e os lançamentos foram excessivos. Chegamos a 34 mil unidades em construção, quando o tradicional era uma média de 15 mil. Hoje, temos mais ou menos uns 12 mil nessa condição, e o perfil do mercado se transformou. As empresas estão mais com o pé no chão e o cliente mais criterioso.”
A crise econômica trouxe muitas perdas para a construção civil e para milhares de outros segmentos. Mas o fato de ela não ter acontecido isolada - junto com a recessão estamos passando por uma profunda transformação tecnológica e cultural -, torna ainda mais latente a necessidade de repensar modelos e adotar novas estratégias. Mesmo quem está tentando mudar não sabe qual será o resultado efetivo mais à frente. Já para os que estão apáticos, o destino é certo, porém nada bom.
Viva a concorrência!!
Motorista do Uber desabafou com um passageiro: “Enquanto cidadão, achei superlegal a chegada dos patinetes, mas, como profissional, essa concorrência está nos matando. Além dos vários aplicativos de transporte, agora tem bicicleta e patinete tirando nossos clientes.” Dá até para entender a reclamação, mas vamos combinar que quanto mais meios de transporte, melhor para a mobilidade da cidade e para o bolso dos consumidores.
Novos rumos
A ECO 101 está sob novo comando. O engenheiro civil Jeancarlo Mezzomo é o atual diretor-superintendente. Ele assumiu a concessionária da BR 101 no lugar de Paulo Hanke. No mercado capixaba, o nome foi bem recebido e a expectativa é de que ele consiga acelerar o processo de duplicação da rodovia.
Infraero faz nova faixa de homenagem
Depois de a coluna publicar no último dia 10 que os nomes de alguns funcionários tinham ficado de fora da faixa que homenageava o time da Infraero no Aeroporto de Vitória, uma nova placa foi feita. Desta vez, todos foram prestigiados.
Minientrevista: “Tendência é de menos intervenção no Cade”
Desde 2017 como superintendente-geral do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), Alexandre Cordeiro fica até julho deste ano à frente do órgão, quando termina o seu mandato e a equipe de Bolsonaro deve escolher novos nomes. À coluna, Cordeiro disse acreditar que o novo time terá um viés mais liberal, o que tende a reduzir a intervenção no mercado.
O superintendente falou ainda sobre os avanços que as políticas de governança e compliance trouxeram para a relação do órgão com as empresas, tema que ele irá abordar em palestra no próximo dia 8 durante o II Fórum Brasil GRC, em Vitória.
Considerando a característica do novo governo, que tem uma linha mais liberal, pode haver mudanças na forma de atuação do Cade, por exemplo, colocando menos obstáculos para fusões e aquisições?
O Cade é uma autarquia completamente independente e tem autonomia financeira. Ele é vinculado ao Ministério da Justiça e tem característica de agência, tanto é que conselheiros têm mandato e eles votam de acordo com suas convicções, de maneira técnica. Mas acredito que na escolha dos novos membros, o governo atual vai optar por nomes que tenham afinidade ideológica e, sendo essa mais liberal, a tendência é que haja menos intervenção, o que na minha visão é muito importante e bom. Sempre tem que haver muito cuidado ao fazer intervenção. Não dá para brincar com o mercado. A intervenção tem que ser na medida para a correção de falhas de mercado, caso contrário você cria uma falha de governo, que é muito pior do que a falha de mercado.
Em evento no Estado, o senhor vai falar sobre governança e compliance, um movimento relativamente novo no país. O considera sólido?
Não tenho dúvidas que ele veio para ficar. Não tem como deixar de existir uma cultura da ética e da probidade. Claro, que o compliance não é certeza que não terá o ilícito, mas é uma ferramenta importante para você saber o que está acontecendo e tentar inibi-lo. Se não conseguir, deve tomar as providências necessárias. Tanto essa cultura veio para ficar que o próprio Estado criou incentivos para que empresas tenham seus compliances e se fiscalizem.
O que por exemplo?
Em inúmeros julgados é possível encontrar o compliance como atenuante. Em alguns acordos, utilizamos o compliance como fator de diminuição da pena, redução da multa ou até extinção da punibilidade. Claro que o processo todo está em adaptação. Depende não só da força da autoridade e da imputação de multas e aplicação de penas, mas muito vem da conscientização dos empresários.
Há diferenças entre a iniciativa pública e privada na adoção desse modelo?
Houve um fortalecimento da CGU (Controladoria-Geral da União) e vários órgãos criaram suas estruturas. Mas acho que a iniciativa privada está mais adiantada do que a administração pública. O setor público é mais burocrático e difícil de implementar determinadas ferramentas.

Beatriz Seixas

Jornalista de A Gazeta, há mais de 10 anos acompanha a cobertura de Economia. É colunista desde 2018 e traz neste espaço informações e análises sobre a cena econômica

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