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Beatriz Seixas

Governo do ES recua na estadualização da Codesa

Casagrande já admite que caminho é a privatização

Publicado em 24 de Janeiro de 2019 às 22:35

Públicado em 

24 jan 2019 às 22:35
Beatriz Seixas

Colunista

Beatriz Seixas

Porto de Vitória Crédito: Divulgação/ Codesa
Depois de defender a estadualização da Companhia Docas do Espírito Santo (Codesa), ou seja, a transferência da gestão da União para o Estado, o governo capixaba recuou e agora já admite que o caminho para o desenvolvimento dos portos públicos no Estado e, consequentemente para a melhoria da infraestrutura, se dará pelo processo de privatização.
A mudança de estratégia não se trata de pura e simples convicção do governador Renato Casagrande (PSB) de que esse seja o melhor modelo. Mas indica que o socialista está sabendo fazer uma leitura correta dos sinais que estão sendo dados por Brasília.
Se a linha liberal já era bem desenhada durante a campanha e após a vitória do presidente Jair Bolsonaro (PSL), desde que o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, assumiu a pasta, a intenção do governo federal de privatizar portos e aeroportos, além de outras empresas, tem ficado cada vez mais explícita.
A própria mudança que deverá acontecer nos próximos dias na diretoria da Codesa é um exemplo disso. Conforme a coluna publicou em primeira mão no último dia 16, no blog do Gazeta Online, será o procurador e atual diretor-geral da Arsp, Julio Castiglioni, quem vai comandar a companhia docas.
Ele assumirá com a missão de preparar o terreno para a venda da empresa. A ideia da União é explorar a vasta experiência em modelagem e resolução de conflitos jurídicos que Castiglioni tem em seu currículo para, dentro de aproximadamente dois anos, conseguir viabilizar a desestatização.
O governador capixaba chegou a se encontrar no início de janeiro em Brasília com o ministro, onde entregou a proposta de estadualização da Codesa. Mas conforme o deputado federal e maior aliado de Bolsonaro no Estado, Carlos Manato (PSL), contou à coluna, Tarcísio de Freitas deu indicativos à Casagrande de que essa não era a disposição do novo governo.
Observando bem todos esses cenários é que Casagrande decidiu desacelerar na defesa da estadualização. Nos bastidores, a informação é que houve o entendimento de que não faria sentido ele continuar “brigando” por algo que está longe dos planos do time de Bolsonaro. E, neste caso, ao dar o braço a torcer, ele não sairia prejudicado, nem menor nesse processo. Afinal, o objetivo de ambos os lados seria o mesmo: o de melhorar a infraestrutura portuária capixaba e aumentar a competitividade do Espírito Santo frente ao mundo.
Assim, mesmo sem a estadualização, o governador teria o que comemorar, uma vez que o Porto de Vitória se tornaria mais eficiente, teria uma movimentação maior de cargas, e ainda o terminal de Barra do Riacho, em Aracruz, poderia ser viabilizado, algo que é esperado há anos pelo setor produtivo.
A mudança de lado se tornou pública na última semana, quando em evento no Palácio Anchieta para autoridades políticas e empresariais, Renato Casagrande frisou a urgência de o Espírito Santo destravar os seus gargalos logísticos.
“Os incentivos fiscais de diferentes áreas estão chegando ao fim. Por isso, temos que investir muito em infraestrutura, que é um pilar para a eficiência e a competitividade. Eu cheguei a pedir a estadualização da Codesa, mas certamente o governo avançará na privatização. Mas eu provoquei o assunto”, frisou ao lembrar que a plataforma logística capixaba é da década de 60 e ao destacar que é necessário estimular investimentos privados.
O recuo do governo chega em boa hora e vai ao encontro do que empresas e diversas entidades ligadas ao comércio exterior defendem para transformar a infraestrutura portuária capixaba. Além disso, o governo federal já sinalizou que será no Espírito Santo a primeira desestatização entre as companhias docas.
Com os principais atores convergindo em uma mesma direção, quem sabe finalmente o Estado será capaz de superar tamanho gargalo. A expectativa é grande e assim também deve ser capacidade dos envolvidos de resolverem esse imbróglio.
 
À espera da cereja do bolo
Eduardo Duarte, sócio da AZ Quest Investimentos, acredita que o modelo econômico de Paulo Guedes pode ser tão importante para o Brasil como foi o Plano Real.
Em palestra na última quarta-feira, na Valor Investimentos, ele explicou que a economia está com fundamentos muito bons e tem espaço para crescer, já que as empresas estão prontas e há muita mão de obra capacitada e disponível no mercado.
Além disso, os salários estão achatados, inflação e juros devem continuar baixos e o acesso ao crédito está mais barato para as empresas que estão desalavancadas.
Para Duarte, só falta a confiança, que é a cereja do bolo, para o Brasil voltar aos trilhos.
Eco$nomia - Tirinha do Arabson - 25/01/2019 Crédito: Arabson

Beatriz Seixas

Jornalista de A Gazeta, há mais de 10 anos acompanha a cobertura de Economia. É colunista desde 2018 e traz neste espaço informações e análises sobre a cena econômica

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