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Jornalista de A Gazeta. Há 10 anos acompanha a cobertura de Economia. É colunista desde 2018 e traz neste espaço informações e análises sobre a cena econômica.

Casagrande à espera do troco perfeito em Paulo Hartung

Casagrande chega ao Palácio Anchieta para o seu segundo mandato em uma situação bem mais confortável do que os demais 26 governadores do país

Publicado em 02/01/2019 às 06h32
Renato Casagrande durante solenidade de posse como governador no Palácio Anchieta. Crédito: Vitor Jubini
Renato Casagrande durante solenidade de posse como governador no Palácio Anchieta. Crédito: Vitor Jubini

Renato Casagrande (PSB) chega ao Palácio Anchieta para o seu segundo mandato em uma situação bem mais confortável do que os demais 26 governadores do país, pelo menos no quesito contas públicas. O quadro pode representar um alívio para o socialista e sua equipe, que já recebem a máquina com o caixa em ordem, mas não surpreenderia se fosse encarado também pelo novo governador com uma certa ressalva, afinal é Paulo Hartung (sem partido), seu desafeto declarado, que deixa a casa arrumada e o Estado com o carimbo de eficiência fiscal.

O governador Casagrande, que terminou o mandato em 2014 com nota máxima do Tesouro Nacional, recebe o Estado agora elevado ao status de referência nacional em equilíbrio das contas públicas, graças ao trabalho que foi realizado ao longo da gestão de Hartung. É compreensível que o novo chefe do Executivo evite exaltar os méritos do seu antecessor, mas é preciso que se tenha cuidado para que a briga política dos ex-aliados não tire o foco do que foi feito de bom e do que precisa ser feito para avançar daqui para frente.

Não faria sentido o novo governador dedicar esforço a buscar falhas cometidas no mandato de 2015 a 2018 apenas para provar que o antecessor não teve tantos méritos. Como aconselhou o ex-governador Gerson Camata – em sua última entrevista à colega Natalia Devens, antes de ser morto – basta o novo governante ser sincero com a população e mostrar como recebeu o Estado e o que pretende fazer. Simples assim!

Se Hartung sai reconhecido pelas decisões que tomou para o ajuste fiscal e por ser o único gestor do Brasil a alcançar na reta final de governo resultados positivos, a exemplo da nota A do Tesouro Nacional, o novo governo poderia deixar as desavenças de lado, aproveitar esse legado positivo e fazer um grande governo, avançando no que já foi construído, e ainda conseguir realizar investimentos, algo que ficou em segundo (para não dizer em último) plano no governo PH.

Se o político de Castelo mantiver a linha da austeridade fiscal no Estado, conseguir tirar investimentos do papel e melhorar indicadores sociais, ele tem tudo para chegar ao final de 2022 com uma excelente avaliação.

Para isso, Casagrande terá a seu favor uma possível retomada da economia. Claro que o crescimento do PIB e a volta dos empregos ainda não estão consolidados, mas os indicadores que vêm se apresentando ao longo dos últimos meses caminham na direção de recuperação econômica. A confiança dos consumidores, dos empresários e dos investidores também é muito maior para este ano, indicativo importantíssimo nesse cenário.

Conclusão: a não ser que o país seja surpreendido por uma paralisia nacional, caso o governo Jair Bolsonaro (PSL) não seja capaz de aprovar as reformas necessárias e reduzir o déficit público, ou que aconteça algo fora do previsto, como foi o caso da interrupção das atividades da Samarco, o governo de Renato Casagrande tem tudo para oferecer resultados ainda melhores do que os entregues na gestão de Paulo Hartung. Esse sim seria o “troco” perfeito ao adversário e o desejado pela sociedade.

A conferir

Ao longo da campanha e depois de eleito, Renato Casagrande se comprometeu a tornar públicas as informações ligadas aos incentivos fiscais que são concedidos no Estado. Disse que daria essa transparência logo nos primeiros meses de 2019. Tem muita empresa que provavelmente vai chiar. Nós da coluna vamos acompanhar o desfecho.

Não custa lembrar

Na lista de prioridades do setor produtivo para o novo governo do Estado estão: ambiente de negócios mais favorável, melhoria da infraestrutura e estímulo à inovação e tecnologia.

Diálogo necessário

Pelos planos de Casagrande, ele quer criar pelo menos duas estatais em seu governo: a ES Gás e a Codesa estadualizada. O governador vai precisar de muita lábia e debate junto à sociedade para justificar a necessidade dessas empresas. Afinal, se tem uma coisa a que a população não está muito receptiva nos últimos tempos é ao inchaço da máquina pública.

Constatação

No governo de Bolsonaro há pelo menos dois nomes que não atenderam no último ano os pleitos do Espírito Santo e alguns pedidos do governo do Estado: o futuro ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, que negociou a construção da ferrovia para o Centro-Oeste e não para o Sul capixaba, e o novo secretário de Aviação Civil, Ronei Glanzmann, que, enquanto diretor no governo Temer, defendeu que a concessão do Aeroporto de Vitória fosse em conjunto com o de Macaé.

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