Sair
Assine
Entrar

Entre para receber conteúdo exclusivo.
ou
Crie sua conta A Gazeta
Recuperar senha

Preencha o campo abaixo com seu email.

Sextas Crônicas

Nas superluas cabem todos os mistérios da fé

Teremos mais três chances de ver superluas “normais”, ainda este ano. Isso é certo, porque é ciência, já o jeito de olhar depende dos olhos de quem vê

Publicado em 23 de Agosto de 2024 às 02:30

Públicado em 

23 ago 2024 às 02:30
Aurê Aguiar

Colunista

Aurê Aguiar

A fé foge quando quer. Não pense que ela estará sempre aí ao alcance do seu primeiro “aiai, meu Deus”. Fé mesmo, daquelas que movem montanhas, precisa ser cultivada como planta rara. Quem nunca teve não sabe o que já perdeu.
A vida bate e, na maioria das vezes, quando caímos, é de cara para o chão. Quanto menor a fé, maior a dor.
É comum falar “eu tenho fé” como se fosse algo adquirido. Mas ela não nos pertence, é escorregadia. Abraçá-la apertado, com intenção de mantê-la por perto, faz parte de cultivar um relacionamento de longo prazo. É uma ação de entrega que basta a si.
Me comovo com a fé. Quando entrego a minha. Sempre que vejo a dos outros. Da amiga que faz novena, dos parceiros de yoga e seus mantras, do empresário que montou seu primeiro negócio, ao amigo que dá o ombro e afirma que tudo vai ficar bem, sendo ele o seu maior bem naquele momento de pequeno milagre.
Entre o Caos e o Cosmos há algo que não se vê. Não é a fumaça do incenso, é o que te leva a acendê-lo. Agir em atitude de fé une alma antiga e coração de criança. Abre uma janela para o dia seguinte, desenhado por intuições de saberes esquecidos. Quem, diante de uma superlua, não realiza a dimensão do humano frente aos quase dois trilhões de galáxias?
A primeira superlua do ano passou. Linda. Talvez nem precise de explicação científica, mas tem. Um alinhamento entre a órbita e a fase da Lua faz com que ela fique mais próxima da Terra e pareça maior e mais brilhante para nós. Essa, especialmente, porque era azul. Mesmo com as câmeras digitais, superdotadas de pixels, a beleza capturada pelos olhos nus continua imbatível. Tento fotografar algumas vezes. Desisto sempre.
Há algo de misterioso na linguagem do Cosmos ao permitir que vejamos o que queremos ver. Quem nunca foi abençoado com um acontecimento escrito nas estrelas deve andar distraído para a vida. Palavras estelares são traduzidas pela pele e podem ser lidas nos olhos. Aqueles infantis, que viram outros mundos.
Superlua vista a partir da Pedra dos Dois Olhos
Superlua vista a partir da Pedra dos Dois Olhos Crédito: Fernando Madeira
Com o universo ainda em expansão, estamos responsabilizados como criadores. Responsabilidade é uma disposição mental. Não são todos os dias que acordamos dispostos a cultivar a esperança e seus apesares.
Quando a fé se esvai, o coração é rebaixado a um músculo bombeador de sangue. Um bate-estaca oco que, ao menor descompasso, gera medo, renunciando toda sua simbologia de representar o amor.
Mas é no pensamento do coração que a fé, assim como o amor e a esperança – três palavras muito discriminadas, nesta contemporaneidade apavorada com sentimentos - são continuamente praticados. São as sinapses cardíacas as mensageiras do invisível.
Quase sempre o universo sussurra coisas assim. Mas às vezes coloca uma Superlua Azul bem diante da nossa cara. Para os distraídos, vale anotar na agenda e manter a fé: a próxima será daqui a dezesseis anos. Mas teremos três chances de ver superluas “normais”, ainda este ano. Isso é certo, porque é ciência, já o jeito de olhar depende dos olhos de quem vê.

Aurê Aguiar

É jornalista e escritora, escreve quinzenalmente a coluna Sextas Crônicas

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Carteira de trabalho digital
A nova picanha do Lula
Polo Cricaré, da Seacrest Petróleo, no Norte do ES
O marasmo que virou a produção de petróleo no Norte do Espírito Santo
Imagem Edicase Brasil
Infância perdida: quando a tecnologia compromete o futuro

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados