O “8 ou 80” empobrece qualquer debate. Do ponto de vista de números, porque estabelece limites rígidos – por que deixar de contemplar o 6 e o 94? - e porque deixa de considerar alternativas intermediárias – quem sabe o 32 e o 47? E mais grave ainda: em questões complexas, cria a falsa ideia de que a solução pode ser simples.
O sempre necessário embate de ideias e propostas para a educação com alguma frequência é posto como se pudesse ser feito através do simplismo de priorizar a educação básica “ou” a universitária. Questão complexa em uma sociedade onde educação inclusiva jamais foi prioridade para sua classe dominante, sua resposta deve ser na direção do “e”.
Sim, 8 e 80 e 6 e 93 e 47... Sim, educação enquanto instrumento de justiça social e de desenvolvimento nacional. Sim, educação para a vida e para o convívio social e para o mundo do trabalho digno. Sim, educação de qualidade e disponível para toda a gente em todos os níveis – básico e médio e universitário.
Educação no sentido de pessoas sérias e vocacionadas como Paulo Freire, Darcy Ribeiro, Anísio Teixeira. Como eles tanta gente mundo afora entende que a equação da saúde, e da educação, e da cultura, e do desenvolvimento sustentável econômico, social e ambientalmente só se resolve alocando recursos na educação enquanto processo que começa cedo e termina nunca.
Processo que é social e incompatível com sua mercantilização. Os resultados negativos do que já foi feito de tornar a educação mercadoria, principalmente no final do século XX, estão aí para serem analisados. Analisados e confrontados com os obtidos em universidades e institutos federais - uma vez mais sob a mira de quem ainda precisa entender que educação é investimento.
A tentativa atual de desmonte da educação pública e de qualidade no Brasil vem travestida de “necessário corte de gastos” ou de “os gastos devem priorizar o ensino básico”. Esse falso debate é sustentado por campanhas explícitas veiculadas a todo momento pela mídia de mercado.
Campanhas que dão sustentação implícita à financeirização da educação. Educação que alguns querem levar para além de sua mercantilização. O projeto já posto em marcha é o de transformar o negócio escolas em todos os níveis em produtos que alimentem a especulação financeira.
Por isso um financista como ministro. Ministro que apequena o debate sobre a educação, colocando-o como se a questão fosse de “ous”. Evolua para melhor, ministro; aprenda que o Brasil merece educação com “Es”. E sem privataria.