Foi dado o primeiro passo na tramitação da proposta de reforma da Previdência com sua aprovação na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara Federal. Ainda que a base governista tenha ampla vantagem numérica no Congresso, a aprovação da desconstitucionalização dos sistema de seguridade social precisa ser mais e melhor discutida pela sociedade. É sempre tempo de debater aspectos da reforma e a forma como o sua discussão vem se dando.
A construção da proposta baseou-se no princípio de que seus formuladores são detentores da verdade absoluta sobre números. Números sobre os quais questionamentos são irrelevantes diante da “competência” de quem os calculou.
Mesmo sendo Previdência Social – trata questões de interesse da sociedade –, o que vale são números, por mais cabalísticos que sejam. Quem vai pagar pelo valor do corte de gastos – mais de R$ 1 trilhão em dez anos? Pergunta que aos financistas pouco importa responder, pois o governo se dá ao direito de transformar informações públicas em sigilosas.
A eles também pouco importa que mais de 10% da população brasileira hoje viva de aposentadorias e pensões. Pouco importa a eles que 2/3 dos aposentados e pensionistas recebam mensalmente um salário mínimo. E mais: aos financistas no comando da reforma pouco importa que esses 10% e esses 2/3 sejam de Marias e Josés de verdade espalhados Brasil afora.
Para eles, o impacto econômico da redução na massa de aposentadorias e pensões também é irrelevante. Para que financistas haveriam de se preocupar com as perdas em mais de 2/3 dos municípios brasileiros onde o auferido por aposentados e pensionistas é maior do que o recebido do FPM?
Aos financistas de plantão, a redução de demanda provocada pela perda de renda da massa de aposentados e pensionistas – e seus efeitos sobre micro, pequenas e médias empresas - pouco importa, pois o que está em jogo é o “equilíbrio” nas contas públicas. “Equilíbrio” que se transformou em um mantra repetido à exaustão por acadêmicos e mídia de mercado de forma a transformar o que é fake em verdades absolutas.
Verdades inquestionáveis por quem quer que seja. Pouco importa o posicionamento de entidades como a CNBB, a OAB e outras. O que importa aos financistas no poder e seus asseclas na academia e na mídia de mercado é o “equilíbrio financeiro”.
“Equilíbrio” que garanta os interesses do mercado financeiro a que os financistas e seus asseclas cantam louvores como se diante de um altar estivessem.