Início de ano e começo de gestão estadual levam a se desejar que coisas aconteçam. No campo cultural, vale a vontade de que o Cais das Artes seja retomado enquanto projeto que dê escala aos movimentos artísticos na cidade e no Espírito Santo.
Vale também pensar que o espaço anunciado para funcionar no Saldanha da Gama seja objeto de efetiva participação social. A partir de seu foco de atuação e se este for a formação sociocultural do Espírito Santo – conforme noticiado -, que ele contemple também a contribuição dos nativos que aqui existiam antes da ocupação europeia e dos africanos que para cá foram trazidos como escravos.
Mais ainda: é desejável que sejam tecidas articulações entre espaços culturais já existentes. Concentrados no corredor que vai da curva do Saldanha, ao Norte, até o Carmélia, ao Sul, existem prédios que formam o maior e mais diverso conjunto de espaços voltados para atividades culturais na cidade, no Espírito Santo e em áreas dos Estados vizinhos.
Alguns desvirtuados em seu uso – como é o caso do Carmélia; outros fechados – como o Majestic; alguns operando muito abaixo de sua capacidade instalada – como o Palácio Anchieta e o Sonia Cabral; e na totalidade desarticulados entre si. Articulação que pode ser parcialmente encaminhada através da montagem de uma programação compartilhada onde os que mais atraem público – Carlos Gomes e Glória – sirvam também como mobilizadores de visitas a outros menos conhecidos.
Como nesse corredor também estão localizados coletivos ligados à economia criativa e espaços comerciais de entretenimento – bares, restaurantes etc. – é importante que ele seja objeto de intervenção governamental. Intervenção que facilite sua identificação tanto por quem mora no centro quanto por quem por ele transita em deslocamentos casa-trabalho.
Voltada para essa identificação existe uma ideia preliminar de construção de calçada adequada à circulação e convivência de pessoas ligando a Curva do Saldanha à rodoviária. Dela se ramificariam outras que facilitassem o acesso a equipamentos culturais localizados em suas cercanias. Ideia preliminar submetida ao prefeito Luciano Rezende logo após sua eleição para o primeiro mandato que, se contemplada pela prefeitura, pode se tornar sua marca enquanto gestor da cidade no Centro de Vitória.
Que 2019 seja tempo de melhor aproveitamento de espaços culturais existentes e construção de outros que fortaleçam Vitória como tecedora e mobilizadora da economia criativa no Espírito Santo.