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Dicas do Aquiles

Belenense e o carioca se unem em "O Silêncio do Infinito"

Nilson Chaves e Felipe Cerquize lançam novo disco no próximo dia 5 de novembro

Publicado em 03 de Novembro de 2020 às 15:47

Públicado em 

03 nov 2020 às 15:47
Aquiles Reis

Colunista

Aquiles Reis

A capa do álbum
A capa do álbum "O Silêncio do Infinito", de Nilson Chaves e Felipe Cerquize Crédito: Divulgação
Hoje é dia de "O Silêncio do Infinito" (independente), CD especial que reúne dez canções da parceria entre o belenense Nilson Chaves e o carioca Felipe Cerquize. Por admirar o trabalho musical dos dois, me antecipo ao lançamento, previsto para o dia cinco de novembro, e me ponho a ouvir o disco pela centésima vez.
(Bem, é claro que a quantidade de audições é apenas um modo de explicitar o tanto de vezes que já ouvi o disco. Bem, na verdade, eu ouvi pelo menos umas... sete vezes.)
Sou admirador das músicas dos compositores do Norte. Sejam elas compostas por amapaenses, amazônicos ou belenenses, seus cantos trazem em si a pujança da Floresta Amazônica e a energia dos rios. Por sentir na pele o entusiasmo daquelas gentes, somado à qualidade e ao ritmo do que criam, a mim eles cativaram para sempre.
Nilson Chaves disse: “Percebi que ser Paraense, sem dúvida, era um orgulho, mas ser Amazônico, era muito mais intenso e apaixonante. Tenho prazer de me reconhecer Amazônico”. Parceiro de vários compositores da região, e também do Brasil, Nilson é querido pelo povo Amazônico.
E Felipe Cerquize? Bem, transcrevo o que já escrevi sobre ele: “(...) O cara não é um, é múltiplo. Para entendê-lo, melhor ouvi-lo. Tem o que dizer o cara. (...) O Cerquize que conheço e aprendi a admirar criou um grupo na internet, o Cardiem, e faz dele a ponte que une os que os muitos muros da vida teimam em distanciar (...)”.
Os arranjos são todos de Chaves, ele que também toca violão, canta as dez músicas do CD e arregimentou um time de responsa para tocá-las: Adelberg Carneiro (baixo), Edvaldo Cavalcante (batera), Edgar de Jesus (teclados), David da Silva (guitarra e violão de aço) e Kleber de Benigno (percussão).
Baladas e canções pop vêm harmoniosas, bem como prazeroso é ouvir Nilson cantando versos com visões subjetivas – as letras de Cerquize nos permitem sacar o amor embutido em frases libertas, cujo alcance revela o presente e o futuro, tangenciando o passado.
A tampa abre com “Destino”. A voz de Nilson impressiona pela sutileza de seu timbre agudo. Enquanto isso, Felipe abre o coração e revela sustos de um passado que vem e volta e nos atira na cara o que ninguém nunca ousou ouvir. Tudo a ver com insegurança: “Hoje, o destino me acenou/ De um jeito meio estranho/ Não sei se eu perco com isso/ Não sei se com isso eu ganho”.
O “Alegre Abandono” vem com a solidão do poeta: “As noites sem sono / Das letras sem dono / no alegre abandono/ Da inspiração”.
“Silêncio” é outro belo poema de Felipe que Nilson vestiu com belas notas: “Escreva pra que nunca se arrependa/ De um dia não ter dito o que queria/ Melhor do que passar sem ser notado/ É notar que vale a pena ter passado”.
O Silêncio do Infinito traz visões paralelas de mundos díspares: do Rio de Janeiro e da Amazônia. Os parceiros têm certeza de que voltarão a se ver no infinito, quando as paralelas se aninharão nos braços do passado, e, mirando o futuro, o hoje acelerará o passo.

Aquiles Reis

Aquiles Reis é músico e vocalista do MPB4. Nascido em Niterói, em 1948, viu a música correr em suas veias em 1965, quando o grupo se profissionalizou. Há quinze anos Aquiles passou a escrever sobre música em jornais. Neste mesmo período, lançou o livro "O Gogó de Aquiles" (Editora A Girafa)

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