Recuperar senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Cadastrar nova senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Política

Henry Kissinger e as reflexões sobre a natureza da liderança

Os seis líderes analisados no livro fizeram a diferença por transcender as circunstâncias herdadas e, desse modo, transportar suas sociedades às fronteiras do possível

Publicado em 30 de Setembro de 2023 às 00:40

Públicado em 

30 set 2023 às 00:40
Antônio Carlos Medeiros

Colunista

Antônio Carlos Medeiros Antônio Carlos Medeiros
Em tempos de carência de liderança, aqui e acolá, Henry Kissinger publicou um livro excepcional: “Liderança”. Trata-se da seleção de personalidades políticas do século XX que influenciaram seus países e a geopolítica mundial.
Maquiavel entendia a liderança fora de série como aquela que consegue combinar a Fortuna (as circunstâncias) com a Virtú (a capacidade de agir e liderar).
O filósofo Epiteto, citado por Kissinger, escreveu: “Não podemos escolher nossas circunstâncias externas, mas podemos sempre escolher como reagir a elas”. Kissinger diz que é o papel do líder ajudar a guiar essa escolha e “inspirar seu povo em sua execução”.
Para ele, a grande liderança resulta da colisão do intangível com o maleável, do que é dado com o que é exercido: “Permanece um escopo para o esforço individual – para aprofundar a compreensão histórica, aprimorar a estratégia e melhorar o caráter”. É pertinente o efeito da ação do líder.
Kissinger chegou a essa síntese a partir da constatação de que os grandes líderes tiveram, ao mesmo tempo, a capacidade de entender a história e o momento histórico em que viveram e, também, de influenciar os rumos da História.
A sua análise é compreensiva e brilhante, escrutinando as trajetórias de seis personalidades políticas fora de série. Segundo Kissinger: (1) Konrad Adenauer, que ajudou a Alemanha a enfrentar as conseqüências do nazismo com a “estratégia da humildade”. (2) Charles de Gaulle, que teve determinação e visão histórica para restaurar a confiança da França no pós-guerra, com a “estratégia da vontade”. (3) Richard Nixon, que demonstrou ampla compreensão do balanço de poder das potências mundiais, com a “estratégia do equilíbrio”. (4) Anwar Sadat, do Egito, responsável pelo primeiro tratado de paz com Israel, com a “estratégia da transcendência”. (5) Lee Kuan Yew, que levou coesão nacional a Cingapura, com a “estratégia da excelência”. E (6) Margaret Thatcher, britânica, que liderou com tenacidade para enfrentar a crise econômica dos anos 1980, com a “estratégia da convicção”.
Na essência, para Kissinger, o líder transformador combina características de visionário (ou profeta) e de estadista. O estadista entende que a sua primeira missão é preservar a sociedade, buscando a mudança e o progresso, e a segunda missão é conservar um senso de limite. “Líderes sábios ao modo do estadista reconhecem quando circunstâncias inéditas exigem que instituições e valores existentes sejam transcendidos. Mas compreendem que, para a sua sociedade prosperar, têm de assegurar que a mudança não vá além do que ele pode sustentar”, acrescenta Kissinger.
Kissinger
O então secretário de Estado Henry Kissinger (à esquerda) com o então presidente dos EUA Richard Nixon, em 1972 Crédito: Oliver F. Atkins/ U.S. National Archives and Records Administration
O líder visionário redefine o que parece possível. O objetivo é transcender, mais do que gerenciar o status quo. Líderes podem passar de um modo a outro. Na prática, os líderes analisados no livro são uma síntese das duas tendências, “embora com uma propensão ao estilo estadista”. O teste do estadista é a durabilidade da estrutura política sob estresse.
Os seis líderes analisados fizeram a diferença por transcender as circunstâncias herdadas e, desse modo, transportar suas sociedades às fronteiras do possível.
Na sociedade atual, em rede, a liderança enfrenta a influência da internet e das redes sociais, que formam tribos que estimulam a polarização política e o populismo. E solapam a formação de lideranças.
No meio tempo, o Brasil está em busca de um novo líder, no sentido geracional.

Antônio Carlos Medeiros

Antônio Carlos Medeiros Antônio Carlos Medeiros

É pós-doutor em Ciência Política pela The London School of Economics and Political Science. Neste espaço, aos sábados, traz reflexões sobre a política e a economia e aponta os possíveis caminhos para avanços possíveis nessas áreas

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rápido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Maya Massafera no tradicional Baile do Copa
Maya Massafera rebate fake news após rumores de cirurgia
Virginia Fonseca e Anitta
Virginia Fonseca acusa Anitta de recusar cerimônia de passagem da coroa na Grande Rio
4. Vital 2026 terá despedida de Felipe Pezzoni dos vocais da Banda Eva no ES
Fim de uma era: Felipe Pezzoni fará último show com Banda Eva no ES

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados