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Política

Eleições 2022 terão menos narrativa ideológica e mais cobrança de resultados

Neste contexto mais racional, perdem força as bolhas de pós-verdade das redes sociais. E o uso delas deverá ser mais monitorado pela Justiça Eleitoral

Publicado em 18 de Setembro de 2021 às 02:00

Públicado em 

18 set 2021 às 02:00
Antônio Carlos Medeiros

Colunista

Antônio Carlos Medeiros

Presidente Jair Bolsonaro discursa durante ato favorável ao seu governo
Vestindo a fantasia de outsider, Bolsonaro bombou em 2018 Crédito: Danilo Verpa/Folhapress
Com antecedência “anormal”, pela antecipação impulsionada por Jair Bolsonaro, as eleições de 2022 já são esperadas com características de eleições “normais” – isto é, diferentes das eleições de 2018, consideradas excepcionais. O mercado político já descreve o retorno de alguns traços prováveis.
Mesmo com a permanência de clima nacional de polarização beligerante, não deverá ser repetida a pauta de 2018, embutida no mantra da “nova política”. Menos palavras de ordem e narrativas ideológicas e mais pão com manteiga: agora, o destaque será o desempenho dos governos e a efetividade das entregas.
Neste contexto mais racional, perdem força as bolhas de pós-verdade das redes sociais. E o uso das redes sociais deverá ser mais monitorado pela Justiça Eleitoral. Assim, o próprio peso das redes nas razões de votos será menor.
Voltará a ter mais importância o uso do horário eleitoral gratuito e o tempo de televisão. O que torna fundamental a construção de “palanques estaduais”, aumentando a importância político-eleitoral dos candidatos a governador. Será a volta da centralidade do caráter estadual e regional das eleições nacionais.
Em eleições gerais, a necessidade de alianças entre candidatos a presidente e a governador resulta em influências recíprocas. “Palanques estaduais” serão fatores importantes na campanha presidencial, estimulando alianças regionais multipartidárias e aumentando a importância do tempo de TV. Ao mesmo tempo, candidatos a governador sem tempo de TV terão muita dificuldade eleitoral.
Ao contrário de 2018, desta vez os “outsiders” não deverão ter grandes votações. Vestindo a fantasia de outsider, Bolsonaro bombou em 2018, assim como vários outros candidatos a governador, senador e deputado. Desta vez, deverá ser diferente.
Agora, a lição que fica para Bolsonaro é que ele terá dificuldade de se eleger presidente sem penetração nas eleições para governador. Um fracasso de Bolsonaro na tentativa estratégica de formar palanques estaduais relevantes é fundamental para viabilizar a(s) candidatura(s) da chamada terceira via.
Ainda sem filiação partidária, vai-se formando para Bolsonaro um horizonte eleitoral complicado. Ao contrário de Lula. Além de ter um partido com capilaridade nacional, Lula já entendeu a tendência da volta da importância dos palanques regionais e já colocou o pé na estrada, começando pelo Nordeste, o bastião do PT nas eleições de 2018. Já Ciro Gomes e os outros pré-candidatos do Centro político também entenderam a nova tendência em estão com o pé na estrada.
A importância de palanques regionais aumenta a força do poder incumbente na formação de alianças. No Espírito Santo, o governador Renato Casagrande mantém ampla base aliada e poderá ter um arco de alianças capaz de configurar robusto tempo de TV.
Dadas as características previstas para as eleições de 2022, a sua provável candidatura à reeleição poderá ser muito competitiva, ainda mais por causa da sua alta aprovação. O que lhe confere força na largada, ao mesmo tempo em que o torna alvo de ataques de outros pré-candidatos. Beligerância à vista.

Antônio Carlos Medeiros

É pós-doutor em Ciência Política pela The London School of Economics and Political Science. Neste espaço, aos sábados, traz reflexões sobre a política e a economia e aponta os possíveis caminhos para avanços possíveis nessas áreas

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