A espada de Dâmocles ameaça a vida financeira das instituições do Sistema S e o medo já causa prejuízos. A cultura capixaba é a primeira vítima, aqui no Estado. A incerteza sobre recursos levou a Federação do Comércio a anunciar a desistência de um propósito que muito acalentou: recuperar o imóvel histórico onde funcionou a sede do Saldanha da Gama e nele instalar o Museu da Colonização e da Imigração do Espírito Santo. Isso causa enorme frustração no sentimento desta terra.
Não se sabe o desfecho do projeto que tira recursos do Sistema S, em tramitação no Congresso, mas é uma ameaça e já restringe desembolsos em todo o país, nas instituições do Sistema S – Senac, Sesc, Senai, Sesi, Senar, Senat, Sest, Sescoop e Sebrae. A raiz da questão é que o ministro da Economia, Paulo Guedes, sonha em assumir o comando de um orçamento de R$ 18 bilhões. Ele tem a chave do cofre e quer esse dinheiro para amenizar déficits.
Desde sempre, empresários reclamam do governo por atrapalhar a produção, com burocracia, impostos excessivos etc. Se perderem arrecadação do Sistema S, poderão acusa-lo de atentar contra o bem-estar social.
Números apresentados pela Findes mostram que o Sesi e o Senai realizaram 438 mil atendimentos em 2018, no território capixaba. Esse balanço soma ações de educação, formação profissional, consultorias em inovação e tecnologia, promoção da cultura, saúde e segurança do trabalhador. As escolas do Sesi formam a maior rede de ensino privado do Espírito Santo, com 11 mil alunos, e está entre as 10 melhores no Ideb.
Está claro que tirar dinheiro do Sistema S não é mexer no supérfluo. Restringir educação, formação e qualificação profissional é regredir em competitividade. Relegar promoção da cultura e saúde deixam a sociedade doente. Por outro lado, para o governo Bolsonaro, entidades desse sistema são alvo desvio de recursos, e também se prestam para a promoção de políticos nos Estados.
Bolsonaro recém-eleito, mal foi anunciado ministro, Guedes logo declarou: "Tem que meter a faca no Sistema S também", referindo-se à intenção de cortes de recursos em todas as áreas. “É evidente que o ministro Paulo Guedes, que sabe tanta coisa de economia e tem tanta experiência no mercado financeiro, pouco sabe sobre o Sistema S”, retrucou o ex-ministro da Fazenda, Ernane Galvêas, em documento da Confederação Nacional do Comércio.