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Angelo Passos

Queda de juros não se reflete em otimismo na economia. É preciso mais

A perspectiva de melhorias não se esgota com a reforma da Previdência. Também abrange modificações no sistema tributário e diminuição do custo Brasil, pautas ainda indefinidas

Publicado em 01 de Agosto de 2019 às 23:53

Públicado em 

01 ago 2019 às 23:53
Angelo Passos

Colunista

Angelo Passos

Banco Central reduz juros básicos para 6% Crédito: Amarildo
E eu com isso? Esta é uma pergunta do cidadão comum sobre a nova redução da Selic, nesta semana. Reflete certo ceticismo sobre o efeito na economia, e não é inédita. Foi feita em outras ocasiões, porque a proporção que chega ao balcão dos bancos é diminuta.
Veja os números: em maio deste ano (número mais recente divulgado pelo Banco Central), a taxa de juros da economia do país ficou em 25,2% anuais. Isso ajuda a entender porque, segundo pesquisas recentes, 90% dos microempreendedores individuais (MEIs) nunca tomaram empréstimo em nome da empresa. Ou seja, a intermediação financeira não está conseguindo cumprir da melhor forma a tarefa primordial de alavancar o crescimento.
Mas será que o descompasso dos juros tende a diminuir com a Selic no menor patamar em 33 anos, (desde 1986, início da série histórica do BC)? Os rumos da economia dirão, mas esperam-se novas tesouradas na Selic.
A missão do Banco Central não é o crescimento econômico, e sim o controle da inflação, no entanto, não há dúvida de que manter o IPCA baixo, estável e previsível é a melhor contribuição que a política monetária pode oferecer ao PIB. Isso está sendo feito – o que representa um avanço institucional –, embora a economia inundada de desemprego e andando de lado colabore para manter relativamente mansos os índices de preços.
A ressalva é que o IPCA brasileiro ainda é muito alto em relação a parceiros globais. Na zona do euro, restringe-se a 1,1%. Nos Estados Unidos, 1,7%.
A inflação baixa, o PIB devagar quase parando, grande ociosidade na economia e o andamento da reforma da Previdência derrubaram a Selic. A decisão de recuá-la para 6% também foi favorecida pelo cenário externo com a resolução do Federal Reserve (FED, banco central dos Estados Unidos) de também cortar a sua taxa referencial de juros (de 2,25% para 2%). Isso diminuiu os riscos para os emergentes, e resulta em mais atratividade para os títulos brasileiros. Inclusive contribui para reduzir o câmbio (o que alivia pressão inflacionária).
Vale lembrar que a perspectiva de melhorias estruturais – indispensáveis a taxas de juros competitivas – não se esgota com a reforma da Previdência. Também abrange modificações no sistema tributário e diminuição do custo Brasil. São pautas ainda indefinidas, causando insegurança e prejudicando os efeitos dos cortes na Selic.

Angelo Passos

É jornalista. Escreve às segundas e às sextas-feiras sobre economia, com foco no cenário capixaba, trazendo sempre informações em primeira mão e análises, sem se descuidar dos panoramas nacional e internacional

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