Como atravessar o segundo semestre? Este é o desafio da economia, em níveis regional e nacional – triste realidade para o país que começou o ano pensando em crescer 3% em 2019 e 7% no biênio 2019 e 2020. O sonho acabou.
No Espírito Santo, o recuo de indicadores não é tão acentuado quanto o dos nacionais, mas isso não abole incertezas. Forças tradicionais da economia capixaba não estão tão pujantes.
É o caso do comércio exterior. O resultado acumulado nos quatro primeiros meses de 2019 aponta retração de 5,9% no valor das exportações. E os números afundaram mais em abril: queda de 22,95% comparados aos do mês anterior, março.
O embate comercial entre Estados Unidos e China e a onda de protecionismo enfraquecem as transações globais. Vendedores de commodities sofrem mais. Isso se reflete em segmentos industriais capixabas voltados para mercado internacional, e que respondem pela maior parte do nosso PIB.
A produção da indústria capixaba caiu 4,2% no primeiro trimestre, segundo o IBGE. Já faturamento real desabou 9,8% de janeiro a abril, de acordo com o Ideies. Este quadro é a maior expressão do momento adverso. Obviamente, tem reflexo nas importações. O desembarque de mercadorias no litoral do Estado diminuiu 14,7% de março para abril.
Em relação à agropecuária, a contribuição para o PIB estadual de 2019 será expressiva, como sempre, porém não tanto quanto em 2018. O diferencial é safra de café, especialmente a do conilon. O volume neste ano, embora seja abundante, é menor do que o do ano passado, e o preço continua muito deprimido. Em consequência, afeta investimentos na lavoura e em outras atividades, inibe a criação de empregos e reduz a arrecadação em mais de 60 municípios. O comércio interiorano sente o drama na pele.
Num sopro de imediatismo, o governo chegou a cogitar a liberação do saque do FGTS, mas, baixou o facho. Injetaria pelo menos R$ 22 bilhões na economia, mas o crescimento seria curto como um voo de galinha. Como diz o ministro Paulo Guedes, “não adianta dar esse estímulo antes da reforma da Previdência. A economia está parada no fundo do poço. Não está afundando mais, mas para subir só com reformas”.
E o segundo semestre vai começar sem nenhuma reforma. A prioritária é a da Previdência – o grande ajuste fiscal que o país espera. Mas, sairá a tempo de o ano não ser fechado pior do que começou?