O vereador Cleber Felix (PP) será o próximo presidente da Câmara de Vitória. Mais conhecido como Clebinho, ele será eleito nesta quarta (15), em chapa única, para comandar o Poder Legislativo municipal pelo próximo biênio (2019-2020), sucedendo Vinícius Simões (PPS).
Clebinho é candidato à presidência pela chapa majoritária, que nasceu da união de seis vereadores da base do prefeito Luciano Rezende (PPS) – incluindo ele próprio – com os oposicionistas Roberto Martins (PTB) e Mazinho dos Anjos (PSD). A chapa conta com o apoio sólido de oito dos 15 parlamentares.
Os demais integrantes da base de Luciano chegaram a reagir, lançando chapa própria, encabeçada por Leonil (PPS) e composta pelos sete vereadores restantes, incluindo os quatro do partido do prefeito. Em minoria, porém, a chapa da situação jogou a toalha. Sem perspectiva de reverter a derrota, desistiu de ir para o embate em plenário, na votação marcada para amanhã.
Articulador político de Luciano, Fabrício Gandini (PPS) procurou Clebinho e aliados deste agitando a bandeira de paz e propondo uma composição. A tendência é que as duas chapas se fundam em chapa única, mantendo Clebinho na cabeça e absorvendo dois vereadores do PPS em posições secundárias: Vinícius Simões deve assumir o posto de 2º secretário da Mesa, enquanto Leonil deve se tornar o 2º vice-presidente. Para isso, os dois vereadores do PSB, Nathan Medeiros e Davi Esmael, devem abrir mão de seus lugares na composição original da chapa. Uma derrota e tanto para Davi, não?
Muito pelo contrário.
Com ou sem cargo na Mesa no próximo biênio, Davi sai desse processo como o grande vitorioso. Não só porque, desde o início, foi ele o grande mentor e articulador dessa “chapa rebelde”, mas porque a influência política do já veterano vereador sobre o novato Clebinho é tão profunda e explícita que, nos corredores da Câmara, ninguém tem dúvida: Clebinho vai reinar. Mas é Davi quem vai governar, por intermédio do fiel aliado. Será ele, possivelmente, não o presidente de direito, mas o presidente de fato.
A relação política de Davi com Clebinho é tão estreita que o mandato deste é considerado praticamente uma extensão do mandato do seu antigo chefe. Sim, antigo chefe. Clebinho não faz questão alguma de escamotear que até suas origens políticas estão vinculadas a Davi. Na apresentação do vereador do PP, disponível no site da Câmara, descobre-se que ele “começou a se interessar por política em 2009, pois era assessor de Davi Esmael”. Nos anos seguintes, ocupou uma série de cargos comissionados no gabinete de Davi na Câmara, no do pai do vereador na Assembleia e na Prefeitura de Vitória (por indicação de Davi), até eleger-se vereador pela primeira vez, em 2016.
Em 26 de novembro de 2013, Davi pediu a exoneração de Clebinho de seu gabinete, onde exercia o cargo comissionado de secretário de gabinete parlamentar padrão 06 (salário atual de R$ 1.866,72). De 27 de novembro de 2013 a 1º de fevereiro de 2015, Clebinho ficou lotado como assessor de gabinete do pai de Davi na Assembleia, o deputado estadual Esmael Almeida (PSD), ganhando salário-base de R$ 2.351,25.
Depois Clebinho teve breve passagem no cargo, sempre comissionado, de chefe de equipe de fiscalização da sinalização vertical, na Secretaria de Transportes, Trânsito e Infraestrutura Urbana de Vitória, ganhando salário de R$ 2.082,94. No fim de maio de 2015, passou para o cargo de coordenador de estacionamentos, na mesma secretaria (R$ 2.805,13). Ali ficou até o fim de junho de 2016, quando pediu exoneração, para poder concorrer à eleição municipal. Foi eleito para o exercício do primeiro mandato, tendo sido o candidato que entrou com menos votos: 1.524 – 18 candidatos tiveram mais votos que ele, mas não se elegeram por causa da regra do quociente eleitoral.
No atual biênio, Clebinho ocupa o cargo quase simbólico de 3º vice-presidente da Mesa. Agora, dará o grande salto. E, nos próximos dois anos, acima do gabinete da presidência (e das decisões de Clebinho), é a estrela de Davi que vai brilhar e guiar os passos do novo presidente da Câmara de Vitória.
Retaliação
Logo depois que da inscrição da "chapa rebelde", apoiada e também articulada nos bastidores por Davi Esmael, o vereador sofreu uma retaliação direta do prefeito de Vitória, Luciano Rezende. O Diário Oficial trouxe exonerações em bloco de servidores comissionados da prefeitura indicados por Davi. Por exemplo, a servidora Jucileia Alves de Souza, da "cota" de Davi, foi exonerada do cargo comissionado de oficial de gabinete.
Conexão
Oposicionista de Luciano e também na chapa de Clebinho, o vereador Roberto Martins (PTB) não perdeu tempo e solicitou a nomeação da servidora, no dia 30 de julho, para o cargo de secretária de gabinete parlamentar padrão SGP-9, com salário de R$ 1.426,23 por mês. Uma evidência de que os dois vereadores também estão bem conectados.
Reduto eleitoral
Morador de Andorinhas, Clebinho foi eleito em 2011 para presidir a associação de moradores do bairro, comandada por ele por dois mandatos, até 2016. Seu reduto é a Grande Maruípe.
Cristão
Ainda no site da Câmara, é descrito como “casado, pai e cristão”. Cristão como Davi Esmael.
Ordinária
A sessão plenária da Assembleia começou ontem regulamentarmente, às 15h. Caiu, por falta de quórum, antes das 16h. Em parte por causa da posse de Rodrigo Coelho, ali ao lado, no TCES. Em parte porque a eleição já está aí.
Preocupações maiores
O presidente estadual do PSB, Luiz Carlos Ciciliotti, ia cometendo uma bela gafe em conversa com a coluna, mas se salvou a tempo. A pergunta era sobre um possível auxílio de Casagrande a Luciano Rezende para salvar o PPS na eleição da Câmara de Vitória – em pleno período de definições para o pleito estadual. “Evidentemente ele ajuda. Mas se ele se preocupar com isso também... Estamos num projeto estadual...”, começou Ciciliotti.
Ops, pensando bem...
Percebendo o que ia dizendo, Ciciliotti se corrigiu: “Mas tem que se preocupar. É claro que ele se preocupa!”. Decide aí.
Em tempo
Casagrande interveio, e o PSB ajudou, sim. Tanto que Nathan e Davi retiraram os nomes da chapa de Clebinho.
“Somos distintos”
Davi Esmael refuta comentários de que é ele quem vai comandar a Câmara na verdade se Clebinho for eleito presidente. “Eu votei para vereador em Davi Esmael. E tenho certeza que o vereador Cleber votou nele para vereador. E tem feito um mandato exemplar. Um mandato feito com o coração, em sintonia com a população de Vitória. Somos dois vereadores distintos, com valores e princípios próximos, mas com bandeiras muito diferentes. E quem tem a ganhar com o exercício do mandato do vereador Cleber é a cidade de Vitória.”
Mulher de Clebinho
Davi também já acolheu até a mulher de Clebinho, Jaqueline de Jesus Schmith Felix, em seu gabinete. No fim de junho de 2016 (coincidindo com a exoneração de Clebinho da prefeitura, para disputar a eleição), ela foi nomeada secretária de gabinete parlamentar de Davi, com salário de R$ 2.076,14, em valores atuais. No fim do ano, com a vitória de Clebinho nas urnas, ela foi exonerada.
De bandeja
Por iniciativa de Mazinho (PSD), a Câmara de Vitória realizou ontem, às 19h, sessão solene em homenagem ao Dia do Garçom. Bem no dia em que Clebinho ganhou a presidência de bandeja.
Cena Política
A solenidade de posse de Rodrigo Coelho no TCES ontem foi marcada por um momento de romantismo desbragado. O novo conselheiro, que tem 41 anos, agradeceu à mulher, presente no auditório, e destacou que no mesmo dia eles estavam celebrando 26 anos de namoro. “Mais uma primavera que namoro essa jovem bela senhora.” Namoro antigo esse, por sinal: começou na adolescência, quando Coelho tinha 15 anos. É o amor... (suspiro)