Sair
Assine
Entrar

Recuperar senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Cadastrar nova senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

  • Início
  • Cesan tem ambição, só falta se abrir mais ao mercado
Beatriz Seixas

Cesan tem ambição, só falta se abrir mais ao mercado

Não tem sido fácil para a empresa sair de baixo das asas do governo para modernizar sua estrutura de negócios

Publicado em 29 de Setembro de 2018 às 17:34

Públicado em 

29 set 2018 às 17:34
Beatriz Seixas

Colunista

Beatriz Seixas

Por Mikaella Campos (interina)
Os planos da Cesan em expandir investimentos e aumentar sua área de atuação até para municípios de outras federações mostra que a companhia de saneamento capixaba tem ambição de crescer. Mas não tem sido fácil para a empresa sair de baixo das asas do governo para modernizar sua estrutura de negócios.
Com um patrimônio líquido de quase R$ 3 bilhões, baixo endividamento e a segunda no ranking de competitividade do setor, a organização, controlada pelo governo estadual, esteve bem próxima de receber um sócio privado. O projeto de R$ 500 milhões, que mais tarde poderia culminar numa abertura de capital ou mesmo numa privatização, no entanto, não foi para frente.
A oportunidade de se abrir mais para o mercado surgiu em 2015. Na época, a Cesan se via dentro de uma tempestade perfeita, em um cenário de queda de receita e de crise hídrica de grandes proporções.
A turbulência não parava por aí. A empresa capixaba estava incerta sobre a conquista de R$ 1,5 bilhão em recursos essenciais para ampliar a cobertura de esgoto no Estado. O tempo começou a melhorar a partir do interesse, nesse mesmo ano, do FI-FGTS em se tornar um dos donos da Cesan.
Em 2016, após meses de negociação, a Caixa, gestora do Fundo de Garantia, confirmou que aportaria R$ 400 milhões na organização. A Cesan ainda receberia R$ 100 milhões de uma empresa privada após leilão de ações na Bolsa de São Paulo, na B3, antiga Bovespa.
Apesar da promessa do presidente da Caixa, na época, o acordo dependia de uma série de fatores que precisariam ser cumpridos. Primeiramente, seria necessária a aprovação de uma lei na Assembleia Legislativa autorizando a venda de um percentual das ações. Isso aconteceu: até 49% da participação poderiam ir para a iniciativa privada.
Mesmo a Cesan não admitindo que a perda do investimento do FI–FGTS tenha frustrado os planos da companhia, é inegável o prejuízo. Seria boa oportunidade de se abrir ao mercado e de ser mais independente do poder público
Outra obrigação da empresa seria se reestruturar, profissionalizar sua gestão e cumprir critérios rígidos de governança corporativa. A Lei das Estatais, de 2016, contribuiu para que a empresa mudasse de patamar, enxugando o quadro de funcionários: 47 cargos de chefia foram extintos e 150 pessoas, aposentadas.
Após esses pontos atendidos, tudo parecia certo para a Caixa aprovar a operação. O gestor do FI-FGTS, porém, não colocou o plano de investimento na Cesan para votação do conselho do fundo.
Pouco tempo depois veio a notícia de que a Caixa não só atrasou o processo como adotaria um novo modelo, aplicando dinheiro dos trabalhadores no mercado de capitais, em empresas com mais regulação e transparência - uma medida adotada como reflexo da Lava Jato.
Nos bastidores, fontes dizem que faltou vontade política de autoridades do Estado em Brasília para defender o projeto antes dessa virada do FI-FGTS. Mas isso é polêmica para mais de metro.
O atual diretor-presidente da Cesan, Amadeu Zonzini Wetler, nega que a postura do banco federal tenha atrapalhado os planos de crescimento da companhia. “Quando surgiu a proposta do FI–FGTS, não tínhamos certeza do sucesso de outros projetos de capitalização”, explica.
As demandas da companhia foram supridas, alega o executivo, por outras captações que totalizam R$ 2 bilhões. A mais importante é a transação de R$ 1 bilhão feita pelo governo do Estado junto ao Banco Mundial.
No atual modelo, restarão sempre duas saídas para a estatal conduzir investimentos. A primeira é continuar por um bom tempo contando com a ajuda financeira do Estado para fazer grandes projetos. A segunda é se endividar com empréstimos para realizar empreendimentos tão relevantes para a população capixaba
Todos esses recursos têm possibilitado a implementação de parcerias público-privadas (PPPs) na Serra, em Vila Velha e em Cariacica. Garantem ainda obras de esgotamento sanitário em outros 39 municípios com a intenção de passar de 63% para 91% a cobertura de esgoto na área de abrangência da companhia.
Dos 52 municípios atendidos pela estatal, excluindo Vitória, apenas nove ainda não têm projetos prontos para a expansão do saneamento. Além das propostas ainda estarem em fase de elaboração, faltam R$ 500 milhões para que uma nova rede de esgoto seja construída nessas cidades. Ironia do destino ou não, o valor que contemplaria essas construções é o mesmo que a empresa capixaba receberia com a venda de participações.
Como a Cesan não visa ao lucro, Wetler afirma que essas obras não estão descartadas e que podem ser custeadas por parte da receita arrecadada via tarifa de água e esgoto.
Para atrair novamente as atenções do FI-FGTS e retomar a proposta de dividir a gestão com a iniciativa privada, a Cesan precisaria passar por um processo de IPO (abertura de capital para negociar ações na Bolsa), algo que, por enquanto, é carta fora do baralho. Outra alternativa seria emitir debêntures (dívida), também descartada neste momento.
Sem os recursos do Fundo de Garantia, a empresa tenta crescer de outras formas. Uma das táticas é ganhar a concessão das 26 cidades do Estado que ainda administram de forma municipal o tratamento de água e esgoto.
Também sonha romper as divisas, entrando em municípios de pequeno e médio portes localizados em outras federações. Tudo vai depender se a Medida Provisória 488, que autoriza as companhias de saneamento estaduais a atuarem em regiões fora de suas alçadas, será aprovada pelo Congresso. “Temos capacidade de concorrer com outras empresas. Podemos escolher essa estratégia se assim for interesse da companhia”, afirma Wetler.
Mesmo a Cesan não admitindo que a perda do investimento do FI–FGTS tenha frustrado os planos da companhia, é inegável o prejuízo. Seria boa oportunidade de se abrir ao mercado e de ser mais independente do poder público.
No atual modelo, restarão sempre duas saídas para a estatal conduzir investimentos. A primeira é continuar por um bom tempo contando com a ajuda financeira do Estado para fazer grandes projetos. A segunda é se endividar com empréstimos para realizar empreendimentos tão relevantes para a população capixaba.
NINGUÉM BAIXA O DÓLAR
Venha o que vier, aconteça o que acontecer, as previsões não apontam para um dólar abaixo de R$ 4 no ano que vem. A menor cotação prevista contempla um cenário com Bolsonaro vitorioso na eleição presidencial, segundo o estrategista-chefe da XP, Celson Plácido, que esteve em Vitória na última semana em evento da Valor Investimentos. Se Haddad ganhar, a moeda americana ficará por volta dos
R$ 4,50. Caso Ciro seja o vencedor, o câmbio pode alcançar R$ 5.
BOLSA ALTA SÓ NUM CENÁRIO
As perspectivas são o inverso para o mercado de capitais. Enquanto o dólar sobe, o Ibovespa cai e deve ficar em 50 mil pontos caso Ciro assuma a Presidência. Com Haddad no poder, o índice será de 60 mil pontos. Se Bolsonaro chegar ao Palácio do Planalto, as estimativas são para uma Bolsa com 80 mil pontos.
DE OLHO NOS GASTOS
O Tribunal de Contas do ES vai receber, a partir de 2019, a folha de pagamento de pessoal de todos os poderes. Hoje, os entes informam os valores, mas sem detalhar para onde vai o dinheiro. O presidente do órgão, Sérgio Aboudib, diz que com o acompanhamento eletrônico vai ser possível identificar o ralo da verba pública e evitar milhões em desvios, como de profissionais que “trabalham” em várias prefeituras e até morto que ainda recebe.
DEBATE SOBRE AGROTÓXICOS
O Fórum Estadual dos Agrotóxicos intimou os candidatos a deputados federais a assumirem o compromisso, caso eleitos, de discutirem as consequências do PL 6.299/2002, apelidado de Pacote do Veneno. Dez pontos contrários ao projeto de lei foram apresentados aos candidatos.
Os políticos tinham até semana passada para darem um posicionamento. Apenas 16 pessoas responderam, segundo a promotora de Defesa do Consumidor e coordenadora do fórum, Sandra Lengruber.
Entre os candidatos que aceitaram conversar sobre o tema, apenas dois já cumprem mandato na Câmara.
NA RUA, NA CHUVA
Empreendedora individual Denize Castro Torrezani, 51 anos: bazar na calçada Crédito: Marcelo Prest
Tempos difíceis exigem criatividade do pequeno empreendedor. Sem condições financeiras de montar uma loja, a empreendedora individual Denize Castro Torrezani, 51 anos, decidiu criar numa calçada, no bairro Monte Belo, em Vitória, seu bazar de peças a R$ 10. Os itens que ela comercializa são doações de amigos. O negócio tem dado certo, mas a ambulante espera conseguir formar uma poupança para ampliar seu estoque. “Ainda não tenho estrutura financeira para ter uma loja. Ir para a rua foi a maneira que encontrei para ter uma renda”.

Beatriz Seixas

Jornalista de A Gazeta, há mais de 10 anos acompanha a cobertura de Economia. É colunista desde 2018 e traz neste espaço informações e análises sobre a cena econômica

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

A geração Z encara a sexualidade de forma mais aberta e natural, com menos tabus e preconceitos
Como a Geração Z está redefinindo o amor, o desejo e os relacionamentos
Imagem de destaque
Tarot do dia: previsão para os 12 signos em 12/06/2026
Imagem de destaque
Horóscopo semanal: previsões para os signos de 15 a 21 de junho de 2026

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados