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Vitor Vogas

Casagrande x Hartung. Mesmo filme. Papéis invertidos

Em 2014, após sair vitorioso das urnas, Hartung repactuou com os deputados estaduais, no período de transição, o orçamento para o ano seguinte. Agora é a vez de Casagrande fazer o mesmo

Publicado em 16 de Outubro de 2018 às 21:27

Públicado em 

16 out 2018 às 21:27
Vitor Vogas

Colunista

Vitor Vogas

Praça Oito - 17/10/2018 Crédito: Amarildo
Um roteiro já conhecido pelos capixabas pode estar prestes a ser refilmado, mas desta vez com os papéis invertidos. Em 2014, após sair vitorioso das urnas, Paulo Hartung (MDB) repactuou com os deputados estaduais, no período de transição, o projeto de lei orçamentária para 2015 que Casagrande, derrotado nas urnas, havia deixado para o seu sucessor. Na ocasião, o problema diagnosticado pelos economistas de Hartung foi a expectativa de arrecadação.
A receita estava superestimada em mais de R$ 1 bilhão. Antecipando a articulação de sua base e tendo em Paulo Roberto (MDB) um “líder informal” do governo eleito, Hartung conseguiu que a Assembleia trabalhasse em regime extraordinário durante o mês de janeiro de 2015, até aprovar o orçamento do jeito que ele queria.
Agora, tudo indica que é Casagrande quem seguirá esse caminho. As preocupações, entretanto, estariam na outra ponta: as despesas inesperadas criadas pelo atual governo para o próximo exercício financeiro e embutidas no orçamento de 2019, incluindo o reajuste de 4,5% para servidores ativos e inativos, além de 10% no auxílio-alimentação.
O coordenador da equipe de transição de Casagrande, Álvaro Duboc, diz que ele e os colegas ainda não decidiram se vão ou não revisar a peça orçamentária para o exercício de 2019. Mas admite essa possibilidade. “O que nós podemos fazer é, através de alguns parlamentares, apresentar algumas propostas de emenda ao projeto de lei orçamentária.”
Não por acaso, Casagrande pediu ao presidente da Assembleia, Erick Musso (PRB), que suspenda a tramitação do projeto na Assembleia. O pedido foi atendido e o economista Tyago Hoffmann (PSB), também membro da equipe de Casagrande, já está passando o pente fino na numeralha, assessorado por dois técnicos. Até semana que vem, a equipe deve dar um parecer. Mas Duboc confirma: a preocupação é real.
“Os primeiros pontos de cautela na nossa equipe são as informações que estão sendo divulgadas na imprensa com relação ao acréscimo de algumas despesas para 2019. Uma delas: a transferência da gestão do Hospital Geral de Linhares para o governo do Estado. Precisamos entender qual o impacto financeiro dessa transferência. Outra questão com que estamos preocupados é a proposta de reajuste salarial dos servidores. O orçamento prevê aumento tanto de gastos de pessoal (8,7%) como de gastos de custeio (11,6%). Precisamos analisar se de fato o que eles colocaram como expectativa de receita está adequada para cobrir as despesas já consolidadas no orçamento.”
O pano de fundo da cautela da equipe de Casagrande é a crise política já contratada para 2019 no Brasil. No orçamento estadual, as despesas são fixadas. Mas a receita é uma estimativa, que pode ou não se cumprir, dependendo de algumas variáveis. A mais importante delas é a situação da economia nacional. Com uma eleição tão polarizada, é difícil que o próximo presidente, seja ele quem for, consiga levar o país no ano que vem à necessária estabilização política. E, se a instabilidade política persistir, o país não conseguirá superar tão cedo a crise econômica, o que terá reflexos sobre as finanças dos Estados.
A previsão de receitas para o Espírito Santo pode se frustrar, comprometendo a capacidade do próximo governo de saldar todos os compromissos estabelecidos na peça orçamentária. Isso pode levar a equipe de Casagrande a concluir pela necessidade de cortar da peça, de antemão, algumas dessas despesas, que poderiam virar bombas-relógio.
2019: ano dificílimo
Para Álvaro Duboc, acerta quem avalia que o Brasil já tem uma “crise contratada” para 2019. “Pois é, esse é o ponto. Nos últimos anos, nós vivenciamos uma incerteza muito grande. Quando acreditávamos que a economia brasileira ia para um lado, fatos políticos alteravam o rumo da economia de forma inesperada. Independentemente de quem vença as eleições, 2019 será um ano difícil, que vai exigir muito equilíbrio. Por isso temos que ter muita cautela em relação à expectativa de incremento da receita estadual para o ano que vem.”
Feridas abertas
"Eu acho que, independentemente de quem vença as eleições, o próximo presidente terá um esforço muito grande para fazer com que o Congresso Nacional atenda às suas agendas prioritárias. Será um ano de uma construção política que exigirá uma habilidade muito grande por parte de quem vença as eleições. Não será um ano fácil. Essa avaliação de crise contratada é correta. Ainda mais com uma eleição muito polarizada, que deixará feridas a serem curadas para 2019”, conclui Duboc.
Procura-se um novo Paulo Roberto
No fim de 2014, quem liderou a articulação da base do então governador eleito, Paulo Hartung, foi o então deputado Paulo Roberto. Agora, está aberto o edital para contratação do !novo Paulo Roberto”. E não faltam candidatos a exercer o mesmo papel para Casagrande. Aliados dele, Theodorico Ferraço (DEM) e Bruno Lamas (PSB) têm batido muito no governo da tribuna.
Ferração sai na frente
Na última segunda, Ferração detonou o projeto para implantação de barreira de proteção na Terceira Ponte. “Não é obra para o atual governo. Se fizerem uma proteção agora, daqui a pouco vão desmanchar para construir outra pista. Fica aqui a advertência. Praticamente é uma satisfação que se dá à população daquilo que se demorou três anos e meio para fazer e não se fez nada.”
Mas Lamas está a postos
Já Lamas usou termos como “vergonha”, “firula”, “maldade” e até “crime” em discurso contra o projeto que estabelece condições para a concessão de gratuidade no transporte intermunicipal.

Vitor Vogas

Jornalista de A Gazeta desde 2008 e colunista de Política desde 2015. Publica diariamente informações e análises sobre os bastidores do poder no Espírito Santo

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