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Beatriz Seixas

Casagrande sob o olhar confiante (mas atento) do empresariado

Setor produtivo está otimista com a gestão do socialista, mas cobra por avanços em infraestrutura e segurança

Publicado em 13 de Outubro de 2018 às 21:02

Públicado em 

13 out 2018 às 21:02
Beatriz Seixas

Colunista

Beatriz Seixas

Renato Casagrande (PSB) Crédito: Ricardo Medeiros
A apresentação da equipe de transição do governador eleito Renato Casagrande (PSB) para realizar a interlocução com membros do atual governo tirou um fantasma que desde a campanha o vinha rodeando: a desconfiança de que o socialista privilegiaria apoiadores políticos a técnicos para a formação do seu secretariado.
Embora os nomes de quem assumirá cada pasta ainda não tenham sido divulgados, a escolha de Álvaro Duboc, Lenise Loureiro, Tyago Hoffmann e Ângelo Baptista para esse período de transição foi bem recebida por setores da economia capixaba ouvidos pela coluna e inspirou confiança para os próximos passos que serão dados por Casagrande.
Fontes classificaram o time como um quadro qualificado e com experiência na gestão pública. Para o presidente da Findes, Léo de Castro, e para o presidente da Fecomércio, José Lino Sepulcri, ao dispensar indicações políticas e escolher pessoas estritamente por seus respectivos históricos profissionais e éticos, o novo chefe do Executivo demonstrou compromisso com o desenvolvimento sustentado do Estado.
“Ele começou com o pé direito e vamos dar um voto de confiança de que manterá a mesma linha para compor sua equipe. Só não pode demorar muito para isso”, disse um empresário que pediu para não ser citado. Uma outra liderança de peso no cenário capixaba comentou que os escolhidos para a transição os surpreenderam positivamente, mas que entre alguns grupos ainda há preocupação de como o socialista irá lidar com as pressões partidárias.
“O Renato é uma pessoa que ouve. Tem a sua forma de fazer política e, pela experiência de estar no seu segundo mandato à frente do Palácio Anchieta, estamos otimistas. A preocupação que o mercado tem em relação a ele é ele ser muito partidarista. A fidelidade que tem à sigla e aos ideais do partido em alguns momentos preocupa. Se ele for capaz de se livrar das pressões corporativistas com habilidade, tende a fazer um bom governo”, declarou a fonte.
Outro empresário considera que falta mais firmeza ao socialista. “Ele é uma boa pessoa, mas tem um perfil muito ‘light’. Falta ousadia e pulso. Não dá só para ficar esperando as coisas acontecerem. Ele precisará ser enérgico, especialmente nesse momento de crise.”
A expectativa para que o político do PSB seja resolutivo está ancorada em uma lista extensa de avanços que o setor produtivo espera há anos para o Espírito Santo, como a melhoria da infraestrutura, a ampliação de um ambiente de negócios mais favorável e o estímulo à inovação e à tecnologia, pontos capazes de contribuir para a produtividade e a competitividade capixaba. Somado a isso, o segmento de comércio e serviços também tem colocado como bandeira a segurança, uma vez que no último ano foi alvo de uma onda de violência e assaltos.
Léo de Castro afirma que o governador e o Estado como um todo devem ter mais ambição. “Precisamos de uma sociedade mais ambiciosa, que quer mais e percebe que pode fazer mais. Não podemos nos contentar só com os 2% que representamos na economia nacional.”
Mesmo com a ruptura entre o atual governador, Paulo Hartung (MDB), e Casagrande nas eleições de 2014, um figurão da economia local pondera que isso não colocou em risco a continuidade de projetos importantes para o Estado. “Quando você olha os últimos anos, não houve um grande choque de governos. Acredito que o Renato vai aproveitar tudo o que tem de bom na gestão atual e vai tocar a administração acrescentando a sua marca. Com isso, todos ganhamos.”
A continuidade entretanto não significa manutenção do ritmo na forma de governar. Para os empresários, Casagrande terá de ser capaz de acelerar a máquina pública visto que ele assume o governo em uma condição de retomada da economia e de contas equilibradas. Em relação a isso, é importante deixar claro que não há qualquer tipo de indireta ou crítica a como o socialista deixou o caixa ao final do seu mandato passado, apenas uma constatação de que ele assumirá o governo, até onde sabemos, com uma boa condição fiscal.
“A arrecadação em 2019 tende a ser melhor. Claro que não vivemos isolados da economia nacional, mas acreditamos que no próximo ano o país volta a andar e a receita será superior. O que esperamos com isso são mais investimentos e não inchaço da máquina pública”, reforçou um agente econômico.
A mensagem do setor produtivo para o novo governador está bem clara e não há qualquer pedido mirabolante. Caberá à Renato Casagrande fazer com que toda a confiança e otimismo que ele tem ao seu lado neste momento não se dissolva.
Sobe - Coluna Beatriz SeixasNo topo
A P-58 foi a plataforma que mais produziu petróleo no mês de agosto, segundo dados da ANP. A embarcação, que fica no Parque das Baleias, Litoral Sul do ES, teve uma produção de 143.367 barris por dia.
Desce - Coluna Beatriz SeixasImagina no pós-crise
Pais já começaram a pesquisar creches da Grande Vitória para matricular seus filhos em 2019. Estão levando um susto atrás do outro. Tem escola cobrando R$ 2 mil por meio período.
Previdência privada ainda não emplacou no ES
Em todo o Brasil, tem aumentado o número de pessoas que têm planejado sua aposentadoria buscando os serviços do setor privado. Segundo a Fenaprevi, a contribuição previdenciária dobrou entre 2011 e 2016. Já a arrecadação no segmento subiu de R$ 115 bilhões para
R$ 118 bilhões entre 2016 e 2017. O Espírito Santo, porém, segundo Karolynne Cavêdo, da corretora Ilha Azul, ainda tem uma participação pequena neste segmento, com representatividade de 1,1% em relação ao restante do país. Em São Paulo, por exemplo, esse índice chega a 43,4%.
“Achamos que aí esteja uma grande oportunidade de crescimento do mercado no Espírito Santo, já que temos fatores que influenciam no desejo das pessoas em planejar melhor o futuro, como o aumento da expectativa de vida e as incertezas com a Previdência Social”, diz. Lembrando que o atual presidente, Michel Temer, já avisou que pretende votar a reforma da Previdência ao final das eleições. A conferir.
Natal intermitente?
De agora pra frente, as empresas dão a largada para as contratações de final de ano. Muitos lojistas pretendem contratar intermitentes, modalidade que passou a valer com a reforma trabalhista. No Natal de 2017, essa opção não pegou, vamos aguardar este ano.
Diversificação
Tradicional no ramo de alimentos, mas também com atuação em segmentos como o imobiliário e o de comunicações, o Grupo Buaiz aposta agora em outra área: a educação. Virou sócio da Escola Americana de Vitória (EAV). Prevê aumentar o número de alunos e criar cerca de 100 vagas de empregos até 2023.
 
Missão internacional
A indústria capixaba está representada no Programa de Imersões em Ecossistemas de Inovação promovido pela CNI. O presidente do Sistema Findes, Léo de Castro, compõe comitiva de lideranças industriais que vai conhecer centros de pesquisa e inovação na Itália e na Suíça ao longo desta semana.
Roteiro
As visitas técnicas incluem o parque científico Biopôle e os centros de pesquisa LHC, CSEM e Philip Morris. Com as referências, a Findes espera conectar o FindesLAB, em construção no topo do Edifício Findes, às melhores tecnologias e metodologias de inovação no mundo, criando um espaço atrativo para empreendedores capixabas.
Terrenos baratos garantiram expansões
A crise tem lá suas vantagens... O grupo Carone aproveitou o momento de baixa do mercado imobiliário para fazer aquisições e planejar a expansão das lojas da rede. O diretor William Carone Junior contou à coluna que essa estratégia garantiu que a empresa conseguisse comprar terrenos em áreas bem localizadas de municípios capixabas. “Como o mercado está muito parado, esses imóveis ficaram sem demanda e baratearam. Aproveitamos para comprar e preparar a empresa para o futuro.”
Dentro do projeto de crescimento, três unidades da rede de atacarejo Sempre Tem já estão nos planos do grupo, que tem atualmente 11 lojas na Grande Vitória. Os novos estabelecimentos vão ser abertos em Cachoeiro de Itapemirim, Guarapari e Linhares. Os dois primeiros já estão em fase de implantação, já a unidade do Norte está prevista para iniciar as obras e operar a partir do próximo ano.

Beatriz Seixas

Jornalista de A Gazeta, há mais de 10 anos acompanha a cobertura de Economia. É colunista desde 2018 e traz neste espaço informações e análises sobre a cena econômica

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