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Praça oito

Casagrande e Hartung vão ter que conversar

Publicado em 21 de Outubro de 2018 às 19:56

Públicado em 

21 out 2018 às 19:56
Vitor Vogas

Colunista

Vitor Vogas

Casagrande e Hartung vão ter que conversar Crédito: Amarildo
Em sua primeira entrevista à coluna após ser eleito em primeiro turno para voltar a governar o Espírito Santo, Renato Casagrande (PSB) foi categórico: durante o período de transição, não vai conversar com Paulo Hartung. “Só se houver necessidade”, disse ele, para depois emendar: “É maneira de dizer. Não há necessidade”.
A pergunta dizia respeito, especificamente, aos assuntos financeiros e administrativos pertinentes à mudança de governo. Compreensível, então, a falta de disposição de Casagrande em se sentar para discutir assuntos específicos com Hartung neste momento. Como afirmou o próprio governador eleito, essas questões podem ser resolvidas diretamente entre as respectivas equipes de transição, formadas por colaboradores de ambos com perfil técnico. A conversa ali de fato não é política nem institucional.
Fique aqui, no entanto, uma previsão: possivelmente chegará o momento, e pode ser que esse momento tarde pouco, em que Casagrande e Hartung terão que deixar de lado a rivalidade política regional, os rancores e ressentimentos mútuos, para voltarem a dialogar, colocando em primeiro plano o bem maior dos capixabas e do Espírito Santo.
Eu sou só um escriba, designado a preencher estas linhas todos os dias. Tenho, de vida, menos tempo do que cada um dos dois tem de biografia política. Mas uma coisa me sinto capaz de afirmar: os próximos anos nos reservam tempos dificílimos, para o país inteiro, com reflexos obviamente no Espírito Santo. Isso vale tanto para a política como para a economia – talvez até para a estabilidade das instituições democráticas do país.
Posso estar enganado, é claro, mas pode ser que chegue o momento em que os verdadeiros líderes democratas deste país precisem unir forças para evitar um colapso. E tanto Casagrande como Paulo Hartung são verdadeiros líderes democratas. São autênticos homens públicos, dotados de espírito público, de compromisso com a democracia – e com o Espírito Santo. Os dois, inclusive, iniciaram as trajetórias no período de redemocratização do país. Hartung com protagonismo, no fim dos anos 1970, primeiro como líder estudantil, em seguida como deputado estadual eleito pelo PMDB. Casagrande um pouco depois, já nos estertores da ditadura. Hartung participou da elaboração da Constituição Estadual, na Assembleia em 1989. Casagrande elegeu-se no ano seguinte para a mesma Casa de Leis.
Caminharam juntos durante muito tempo – no mesmo partido, inclusive, o PSB, de 2001 a 2005. Apoiaram-se mutuamente em 2002, 2006 e 2010. A luta política local os afastou e os converteu em inimigos. Durante a campanha de 2014, Casagrande bateu muito em Hartung. Este “retribuiu”, batendo bastante em Casagrande ao longo de todo o atual governo.
Agora, durante a transição, dos dois lados vêm sinais de que nenhum deles está lá muito disposto a distensionar a corda. Num filme já visto no fim de 2015 – mas com papéis invertidos –, a querela se dá em torno do Orçamento deixado para o primeiro ano do próximo governo. Casagrande tem dado entrevistas duras, acusando “o gol de mão aos 45 do 2º tempo” – isto é, pegadinhas inesperadas que gerarão despesas para a gestão que assume.
“CAPACIDADE DE DIÁLOGO”
São apenas picuinhas? Não. Tudo isso é importante. Ocorre que, em perspectiva histórica, tudo isso pode ficar menor perto da crise ainda maior que pode estar por vir. Casagrande sabe disso e, nas primeiras entrevistas após a apuração dos votos, já sinalizou o tamanho de sua preocupação, ao falar, por exemplo, que terá que governar carregando uma lata d’água morro acima. Tem destacado, ainda, as incertezas que povoam o cenário macropolítico nacional, que se desdobram em incertezas na esfera econômica. Outro ponto que ele sempre faz questão de ressaltar é sua “capacidade de dialogar com todos”. Com todos, menos Hartung.
Talvez chegue o momento em que, para o bem dos capixabas, ele precise rever essa restrição e exercitar a capacidade de diálogo com o seu arquirrival.
MANATO SE MOVIMENTA 
Em intensa campanha a favor de Bolsonaro pelo Estado, Manato já está pensando na eleição de 2022. Não para a Presidência, mas para a Câmara Federal, onde quer reeleger sua esposa, Soraya Manato (PSL), uma das surpresas desta eleição. “Eu sou diferente Já estou trabalhando a reeleição dela. Dois amigos vieram me procurar para falar de eleição de prefeito. Eu disse: sim, desde que você apoie a reeleição da Soraya.”
BARCA DO PSL
Cumprindo acordo firmado com Manato antes da eleição, o prefeito de Aracruz, Jones Cavaglieri (SDD), vai migrar para o PSL, seguindo os passos de Manato – ex-presidente estadual do SDD. Depois da campanha, Manato reassumirá a presidência do PSL. Ele afirma que, dos nove vereadores que o partido tem no Estado, um (de Marataízes) foi expulso e outro (de Itaguaçu) terá o mesmo destino. Ambos por infidelidade na eleição.
CENA POLÍTICA
A médica Soraya Manato (PSL), mulher de Carlos Manato (PSL), vai herdar o gabinete e o apartamento funcional do marido na Câmara Federal. “Vai herdar o meu gabinete sem os defeitos, só com as virtudes...”, brinca Manato. “Ela é muito mais educada do que eu”, afirma o deputado, ainda se penitenciando pela “fala infeliz” feita na Câmara de Alegre. “Ela também é muito estudiosa e disciplinada. Fará um curso de oratória e outros cursos que eu não tive oportunidade de fazer. E eu vou passar toda a minha experiência para ela.”

Vitor Vogas

Jornalista de A Gazeta desde 2008 e colunista de Política desde 2015. Publica diariamente informações e análises sobre os bastidores do poder no Espírito Santo

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