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Nestor Muller | Arquivo A Gazeta
Nostalgia capixaba

Relembre: Vital, o maior carnaval fora de época do Espírito Santo

Ao longo de 12 anos, a micareta reuniu milhares de foliões na Praia de Camburi, em Vitória, ao som de muita música baiana; evento volta a ser realizado em 2022

Mariana Lopes

Estagiária

Publicado em

15 set 2022 às 17:49
15/11/2003 - Trio elétrico Araketu puxando foliões do bloco Mukeka, no corredor do Vital
15/11/2003 - Trio elétrico Araketu puxando foliões do bloco Mukeka, no corredor do Vital Crédito: Nestor Muller | Arquivo A Gazeta
Quando o assunto é carnaval, além dos famosos desfiles das escolas de samba e dos bloquinhos de rua, não há como não pensar nos trios elétricos animados com muito axé, certo? Pois o Espírito Santo já foi palco de uma micareta que, durante 12 anos, fez Vitória praticamente se transformar em Salvador. Seja na tradicional "pipoca" ou vestindo o abadá, é indiscutível que o Vital marcou a cena da Capital e deixou saudade em muitos capixabas.
15/11/2004 - Desfile do Bloco Pica-Pau no Vital 2004
15/11/2004 - Desfile do Bloco Pica-Pau no Vital 2004 Crédito: Ricardo Medeiros | Arquivo A Gazeta
Criado com o intuito de fazer uma festa similar ao carnaval de Salvador o evento reuniu, entre os anos de 1994 a 2006, os nomes mais consagrados do axé, como Ivete Sangalo, Chiclete com Banana, É o Tchan, Asa de Águia e Araketu. Todos passaram pela Capital capixaba em cima do trio, seguidos por uma multidão.
Debaixo de muita chuva ou de tempo firme, o Vital – cujo nome é a junção de "Vitória" com "carnaval" – reuniu milhares de foliões que vinham de diversas regiões do Estado e, até mesmo, de outras partes do país, em uma megaestrutura de camarotes, arquibancadas e blocos.

12 ANOS DE ANIMAÇÃO E ALTO-ASTRAL

O Vital nasceu em 1994, a partir do bloco Lavagem do Triângulo, no bairro Praia do Canto. Na primeira edição, o evento reuniu crianças, jovens e adultos trajados com o famoso "kit fantasia" (composto por camiseta, adereço de mão e tiara), na Avenida Dante Michelini, na Praia de Camburi. Ao ritmo das bandas Asa de Águia e Furta Cor e da animação do Bloco Mukeka, o evento inédito foi apenas um prenúncio do que estava por vir nos anos seguintes.
27/11/1994 - Foliões curtindo o primeiro Vital em Camburi
27/11/1994 - Foliões curtindo o primeiro Vital em Camburi Crédito: Nestor Muller | Arquivo A Gazeta
Em 1995, nem mesmo a chuva esparsa que caía em Vitória espantou a multidão que compareceu aos três dias de festa. O sucesso foi tão grande que, na época, o então secretário de turismo e cultura de Vitória, Jorge Alencar, considerou que a Capital estava, definitivamente, inserida no circuito dos grandes carnavais fora de época do Brasil.
Já em 1996, além do aumento significativo do público, o Vital inovou com a inclusão de uma ala infantil: era o bloco Mukekinha. Os "pimpolhos", como eram chamados pela organização do evento, saíam fantasiados com abadás e acompanhados dos pais, puxados pela Banda Mukeka.
Data: 12/11/2005 - ES - Vitória - Banda 10 durante apresentação no Vital. - Editoria: Esporte - Foto: Carlos Alberto da Silva - GZ
Data: 12/11/2005 - Banda 10 durante apresentação no Vital Crédito: Carlos Alberto da Silva | Arquivo A Gazeta
No ano seguinte, em 1997, a multidão que se juntou na orla da Praia de Camburi em uma explosão de alegria que superou as expectativas dos organizadores. Naquela edição, foram seis bandas e dois cantores, todos de Salvador, como: Netinho, Chiclete com Banana, Timbalada e Cheiro de Amor.
A importância da festa era tão grande que, na edição de 1998, a cantora Ivete Sangalo, que era então vocalista da Banda Eva, não se deixou abater por uma indisposição gastrointestinal e, mesmo passando mal, entrou no corredor da folia tomando soro fisiológico na veia.
14/11/2005 - Bell Marques, vocalista do Chiclete com Banana, na arquibancada do Vital na Praia de Camburi
14/11/2005 - Bell Marques, vocalista do Chiclete com Banana, na arquibancada do Vital na Praia de Camburi Crédito: Nestor Muller | Arquivo A Gazeta
Ao longo dos anos, além dos tradicionais blocos, o Vital passou a contar com setores privilegiados como camarotes e lugares mais próximos aos trios. Na década de 1990, aliás, surgiu um concurso para escolher o camarote mais decorado, em que o vencedor ganhava um espaço do mesmo tipo para cair na folia no ano seguinte.
Com o tempo, a segurança também precisou ser reforçada, já que a cada edição os trios carregavam uma multidão maior. Em 1997, o jornal A Gazeta chegou a noticiar que o então comandante da Polícia Ostensiva do Espírito Santo foi a Salvador, na Bahia, para buscar informações do modelo de segurança usado no Carnaval da cidade, visando ao aprimoramento do esquema no Vital.
Data: 7/11/2004 - Vital 2002, desfile do bloco Chiclete com Banana
Data: 7/11/2004 - Vital 2002, desfile do bloco Chiclete com Banana Crédito: Nestor Muller | Arquivo A Gazeta
Na busca pelo abadá para garantir presença no evento, filas enormes eram formadas nos pontos de venda, mas havia ainda a participação de quem queria curtir sem pagar nada. O tradicional setor "pipoca" ficava fora do ponto central da festa, mas possibilitava a alegria de inúmeros foliões.
Em 2005, a organização do evento chegou a criar um novo conceito para a "pipoca". Naquele ano, o setor saiu na avenida em um formato fechado, com a cobrança de R$ 10 para quem quisesse cair na folia. A ideia era uma prévia de como seria o Vital no próximo ano. No entanto, o conceito não vingou.
14/11/2005 - ES - Vitória - Trio Elétrico da cantora Ivete Sangalo puxando o bloco Cerveja & Cia durante o último dia do Vital. Editoria: Cidades - Foto: Gabriel Lordêllo - GZ
14/11/2005 - Trio Elétrico da cantora Ivete Sangalo puxando o bloco Cerveja & Cia durante o último dia do Vital Crédito: Gabriel Lordêllo | Arquivo A Gazeta

MUDANÇA DE LOCAL E O FIM DA MICARETA

À medida que o Vital crescia, aumentavam também as reclamações de pessoas que residiam próximo ao corredor da folia. Entre os imbróglios: preocupações com a segurança no entorno do local, incômodos com o barulho dos trios que comandavam a festa, a sujeira gerada e os constantes engarrafamentos.
Indignados, os moradores das regiões adjacentes à Avenida Dante Michelini, na Praia de Camburi, começaram a se mobilizar para acabar com o Vital. Como solução, o evento ganhou um novo local em 2006: a Praça do Papa, na Enseada do Suá, também na Capital.
Diferentemente dos outros anos, além da mudança de endereço, o Vital 2006 foi realizado em formato indoor (fechado), considerado pelos organizadores como mais enxuto, moderno e seguro. No entanto, a micareta já não tinha a mesma força do começo, e a chuva forte que insistiu em cair durante o evento ajudou a reduzir o número de foliões. Aqueles que compareceram, tiveram que enfrentar a lama que se formou na Praça do Papa.
Data: 12/11/2006 - ES - Vitória - Bloco Nana Banana passando pelos camarotes do Vital na Praça do Papa
Data: 12/11/2006 - Bloco Nana Banana passando pelos camarotes do Vital na Praça do Papa Crédito: Gabriel Lordêllo | Arquivo A Gazeta
Naquela época, a ideia dos organizadores era realizar o Vital de 2007 em uma arena de eventos planejada para ser construída em Carapina, na Serra. Porém, o local não saiu do papel, a festa não aconteceu, e a folia chegou ao fim.

2022: O RETORNO DO VITAL

Após 16 anos de nostalgia, o Vital volta a ser realizado e promete sacudir a Capital capixaba. Desta vez, o endereço é o Sambão do Povo, no bairro Mario Cypreste, em Vitória. Entre as atrações estão: Claudia Leitte, Léo Santana, Durval Lelys, Banda Eva e Harmonia do Samba.

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