É de Vitória o professor na Universidade de Virgínia (EUA) que relatou sofrer ameaças virtuais depois de divulgar resultados de sua pesquisa em andamento sobre grupos bolsonaristas no WhatsApp. Na última semana, o capixaba deixou São Paulo às pressas, depois de receber e-mail anônimo sugerindo que ele tomasse cuidado, e também uma foto sua em um parque que ele tinha frequentado dias antes.
Nemer pesquisa campanhas políticas, fakenews e grupos de WhatsApp. Em entrevista ao portal UOL, o pesquisador disse que não é a primeira vez que recebe ameaças. “Toda vez que publico artigo, que sai uma entrevista minha, me mandam um e-mail de intimidação. Mas dessa vez mandaram uma foto minha, me seguiram”, afirma. O pesquisador fez boletim de ocorrência e foi orientado a pegar o primeiro voo de volta aos EUA, onde mora há 10 anos.
Segundo o seu irmão, o advogado Alberto Nemer, David não tem planos de voltar tão cedo ao Brasil. “Vai demorar. A Polícia Federal pediu para ele aguardar até que se apurem os fatos”.
O professor é reconhecido no mundo como referência em pesquisa de campanhas políticas, fake news e grupos de WhatsApp. Para Davi, a principal suspeita é que o autor das ameaças faça parte de grupos bolsonaristas estudados por ele.
Em mensagem à família, David Nemer diz que não é o primeiro a ser vítima do que chama “milícia virtual” bolsonarista. “Os MAVs, que são o grupo Movimento Ativista Virtual, ou milícia virtual, trabalha de forma descentralizada e segue a ótica do "chaos", que aparenta ser desorganizada. Porém, ela possui uma central de tarefas onde pessoas pagam um certo valor para quem executar tal tarefa, que vai desde a produção de um meme, vídeo de fake news, até intimidação de pessoas. Eu não sou o primeiro”, constata o pesquisador capixaba.