
Samir Furtado Nemer*
O canudo de plástico é o vilão da vez. Em defesa do meio ambiente, alguns restaurantes estão substituindo o objeto por opções duráveis ou até mesmo retirando-os de circulação. Nos Legislativos municipais, surgem propostas para banir o objeto de cidades inteiras, com sanções a estabelecimentos que desrespeitarem a norma.
Essas iniciativas que começam a se multiplicar no Brasil fazem parte de uma onda global contra o pequeno artefato, que ganhou impulso após as imagens chocantes de uma tartaruga marinha com um canudo preso no nariz, em um vídeo que circula desde 2015.
A quantidade de plásticos que vai parar nos oceanos é um problema ambiental mundial, e o canudo é um dos principais itens jogados na costa litorânea, mas a guerra declarada contra um único produto está banalizando o debate e escondendo o principal: o responsável pela poluição não é um objeto e nem o conjunto deles, mas sim o ser humano, que não dá a destinação correta aos seus resíduos.
A quantidade de plásticos que vai parar nos oceanos é um problema ambiental mundial, e o canudo é um dos principais itens jogados na costa litorânea
Proibir o uso dos canudinhos é simplesmente querer “tapar o sol com a peneira”, pois a raiz do problema é a ausência de políticas públicas de educação ambiental e de consumo sustentável.
Produtos que utilizam plástico têm mais qualidade e resistência que muitos outros, pois as moléculas de polímeros são superfortes, formando uma cadeia resistente muito difícil de romper, por isso o plástico é impermeável. Além disso, tente ficar um dia inteiro sem usar qualquer objeto que seja feito de plástico ou tenha plástico em seus componentes. Impossível!
Muitos produtos e equipamentos usados no dia a dia, como automóveis, navios ou aviões, computadores e celulares, e até máquinas para realização de exames médicos utilizam o plástico. Portanto, esse material não é o vilão, a falta de educação sim!
*O autor é advogado tributarista e empresarial