Publicado em 3 de dezembro de 2024 às 10:59
Um vídeo exibido pelo Jornal da Globo e pela GloboNews na noite desta segunda-feira (2) flagrou um policial militar de São Paulo jogando um homem do alto de uma ponte no bairro Cidade Ademar, na zona sul da capital.>
As imagens, que teriam sido registradas na madrugada de segunda, mostram um policial levantando uma moto do chão. Em seguida, outros dois PMs se aproximam, enquanto o primeiro encosta o veículo perto da ponte. Um quarto policial chega logo depois, segurando um homem que vestia uma camiseta azul. Esse homem é arremessado pelo PM.>
Não há informações sobre a identidade e o destino da vítima após ter sido jogada no rio.>
O ouvidor das polícias, Cláudio Aparecido da Silva, disse ao Jornal da Globo que vai pedir o afastamento de todos os policiais envolvidos no caso.>
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"A gente acredita que tem uma sensação por parte da tropa de que isso vai ficar impune", afirmou. Ele defende a volta do controle da PM para que ela possa proporcionar sensação de segurança à população.>
O homem teria sido arremessado depois de uma perseguição policial. Os agentes envolvidos são do 24º Batalhão da Polícia Militar, em Diadema.>
A SSP (Secretaria de Segurança Pública) repudiou a conduta ilegal dos policiais e abriu um inquérito policial militar para investigar o ocorrido.>
Na manhã destas quinta (3), o secretário da Segurança Pública, Guilherme Derrite, postou em suas redes sociais mensagem repudiando os casos recentes de violência policial.>
"Anos de legado da PM não podem ser manchados por condutas antiprofissionais. Policial não atira pelas costas em um furto sem ameaça à vida e não arremessa ninguém pelo muro. Pelos bons policiais que não devem carregar fardo de irresponsabilidade de alguns, haverá severa punição.">
Ele ainda afirmou que todos os policiais envolvidos na ação foram afastados de suas funções e cumprirão expediente na Corregedoria da Polícia Militar>
O procurador-geral de Justiça, Paulo Sérgio de Oliveira e Costa, afirmou nesta quinta que determinará que o Gaesp (Grupo de Atuação Especial de Segurança Pública) una-se ao promotor do caso para que a Promotoria "envide todos os esforços no sentido de punir exemplarmente, ao fim da persecução penal, os responsáveis por uma intervenção policial que está muito longe de tranquilizar a população.">
"Estarrecedoras e absolutamente inadmissíveis! Não há outra forma de classificar as imagens do momento no qual um policial militar atira um homem do alto de uma ponte, nesta segunda-feira. Pelo registro divulgado pela imprensa, fica evidente que o suspeito já estava dominado pelos agentes de segurança, que tinham o dever funcional de conduzi-lo, intacto, a um distrito policial para que a ocorrência fosse lavrada. Somente dentro dos limites da lei se faz segurança pública, nunca fora deles", diz trecho de nota da Promotoria.>
OUTROS CASOS>
No dia 3 de novembro, Gabriel Renal da Silva Soares, um homem negro de 26 anos, foi morto a tiros pelas costas disparados por um militar de folga em frente a um mercado no Jardim Prudência, zona sul de São Paulo.>
Imagens de câmeras de segurança mostram toda a ação.>
O jovem era sobrinho do rapper Eduardo Taddeo, que denunciou o caso nas redes sociais.>
"Com as imagens da loja, está provado que meu sobrinho Gabriel foi covardemente executado. Não houve abordagem ou voz de prisão", disse. "Não será mais um número estatístico".>
Procurada, a SSP disse em nota que o PM está afastado das atividades operacionais. "O caso segue sob investigação pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). As imagens mencionadas foram captadas, juntadas aos autos e estão sendo analisadas para auxiliar na apuração dos fatos".>
Na madrugada do dia 20 de novembro, o estudante de medicina Marco Aurélio Cardenas Acosta, 22, foi morto com um tiro disparado por um PM dentro de um hotel na Vila Mariana, também na zona sul.>
"Eu peço que seja feita a Justiça, que os responsáveis tenham a condenação que mereçam ter. Meu irmão era a nossa alegria. Era a alegria da minha casa. Sem ele nossa alegria foi embora. Nosso sorriso foi embora. A gente vai conviver a vida inteira com um buraco no coração", disse o cirurgião Frank Cardenas, irmão de Acosta.>
Segundo a SSP, o policial foi indiciado sob suspeita de homicídio doloso e afastado do serviço operacional. "A Polícia Militar atua com rigor e não tolera desvios de conduta dos seus agentes. Todas as circunstâncias do fato são apuradas e as devidas punições serão aplicadas.">
Também em novembro, um menino de 4 anos morreu após ser atingido por um disparo no Morro de São Bento, em Santos, litoral paulista. Segundo a versão oficial do governo Tarcísio de Freitas (Republicanos), a Polícia Militar fazia uma operação na comunidade e teria ocorrido um confronto com criminosos.>
Ryan da Silva Andrade Santos brincava na rua com outras crianças quando foi atingido na região do abdômen. Ele foi socorrido, mas não resistiu aos ferimentos. O pai da criança morreu em confronto com a PM em uma outra operação, em fevereiro deste ano.>
Em outubro, a Polícia Militar afastou um dos policiais investigados por se envolver em uma sequência de agressões a pessoas que estavam em uma sala de velório em Bauru, a cerca de 330 km de São Paulo. A cerimônia era uma despedida de familiares a dois jovens, mortos supostamente em confrontos com PMs, um dia antes.>
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