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Além da indenização

Vale vai doar R$ 100 mil para familiares de vítimas de Brumadinho

Segundo diretor da mineradora, valor não irá substituir as indenizações

Publicado em 28 de Janeiro de 2019 às 21:16

Publicado em 

28 jan 2019 às 21:16
O Presidente da República, Jair Bolsonaro, durante sobrevoo da região atingida pelo rompimento da barragem Mina Córrego do Feijão, em Brumadinho/MG. Crédito: Divulgação/Presidência
O diretor-executivo de Finanças e Relações com Investidores da Vale, Luciano Siani, afirmou há pouco que a Vale vai oferecer uma doação de R$ 100 mil a cada família de vítimas da tragédia em Brumadinho. Segundo Siani, esse valor não é indenização, é uma doação. Até o momento, o número de mortos em decorrência do rompimento da barragem 1 da Mina do Feijão chega a 60, segundo o Corpo de Bombeiros de Minas Gerais.
"É uma doação de R$ 100 mil às famílias. É uma doação. Não é indenização. Para que o sustento a curto prazo seja amenizado. O compromisso da companhia é sempre se comunicar com a sociedade. A intenção é que não vamos medir esforços. A doação começa imediatamente. O que importa é quem estiver com familiares desaparecidos vai receber imediatamente", garantiu Siani.
O executivo também prometeu a contratação de uma equipe de psicólogos para auxiliar as famílias das vítimas da tragédia. Os profissionais trabalham no Hospital Albert Einstein, em São Paulo, e são especializados no atendimento a vítimas de grandes tragédias. Eles devem ser incorporados nos próximos dias às equipes de apoio e vão reforçar o time de 200 psicólogos da própria mineradora que já estão atuando no município mineiro:
"Nossas equipes não tem essa experiência. E os times vão se agregar".
O representante da mineradora disse que a partir de amanhã será construída uma membrana de contenção de rejeitos - uma espécie de dique de contenção - em Pará de Minas, a 400 quilômetros de Brumadinho.
"O rejeito se desloca um quilômetro por hora e já se deslocou 70 quilômetros. E deve chegar lá em Pará de Minas em 24 horas, vamos construir essa membrana a partir de amanhã. Objetivo é reter esses coloides e não interromper o fornecimento de água. Será uma contenção absoluta de rejeitos".
Segundo o direitor-executivo de Finanças e Relações com Investidores da Vale, a empresa continuará pagando, por tempo indeterminado, os royalties de mineração à prefeitura de Brumadinho, para não prejudicar a arrecadação tributária do município de Brumadinho.
O rompimento da barragem vem afetando diretamente a mineradora. As ações da Vale registraram a maior queda de sua história e perderam mais de R$ 72 bilhões de seu valor de mercado no primeiro dia de negociação dos papéis no Brasil após o desastre em Brumadinho (MG). A queda foi de 24,52%, a R$ 42,38. Em Nova York, os recibos das ações da mineradora (ADRs, na sigla em inglês) recuavam 17,2%, após já terem caído 8% na sexta-feira, dia em que o pregão na B3 estava fechado devido a feriado municipal.
Decisões judiciais já determinaram o bloqueio de mais de R$ 11 bilhões das contas da Vale, para garantir o atendimento das vítimas e para compensação dos danos ambientais causados pelo despejo dos rejeitos. Segundo o governo de Minas Gerais, a empresa já depositou R$ 1 bilhão referentes aos bloqueios na Justiça.

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