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"Acidente"

Tosse que não melhorava fez família buscar ritual que matou criança

Afirmação é do advogado de defesa José Rodrigo Almeida; Maria Fernanda de Camargo, de cinco anos, teve 100% do corpo queimado após mãe, tia e avós procurarem um suposto guia espiritual em Minas Gerais

Publicado em 27 de Abril de 2022 às 14:03

Agência FolhaPress

Publicado em 

27 abr 2022 às 14:03
Uma tosse persistente foi o que fez a mãe, a tia e os avós maternos de Maria Fernanda de Camargo, de cinco anos, procurar um suposto guia espiritual para realizar um ritual que terminou com a menina queimada e morta no município de Frutal, em Minas Gerais. É o que afirma o advogado José Rodrigo Almeida, que faz a defesa da família da criança.
Maria Fernanda morreu no dia 24 de março após ter 100% do corpo queimado em ritual religioso na cidade do triângulo mineiro. Os quatro familiares da menina e o suposto guia espiritual estão presos desde a última quarta-feira (20). A reconstituição do crime, que está sendo tratado pela Polícia Civil como homicídio doloso, deve ocorrer nos próximos dias.
Operação policial que prendeu cinco suspeitos em Frutal (MG) ocorreu um mês após morte de menina
Operação policial que prendeu cinco suspeitos em Frutal (MG) ocorreu um mês após a morte de menina Crédito: Polícia Civil de Minas Gerais | Divulgação
Segundo Almeida, a família diz que a morte da criança foi um acidente. Após a garota apresentar gripe e tosse que persistia mesmo após tratamento médico, a avó da criança, que é da umbanda, sugeriu que a menina passasse por um ritual de cura.
"No ano passado, os tios da Maria Fernanda tiveram Covid-19, foram internados e intubados. A família chamou o guia espiritual e após um ritual eles tiveram uma melhora na saúde. Eles acreditam na religião, por isso tiveram essa iniciativa com a criança. Não teve nada de ritual macabro", diz o advogado de defesa.
Ainda segundo Almeida, o ritual foi realizado na casa dos avós da criança. Durante o trabalho, o suposto guia espiritual pegou um álcool com ervas medicinais que a avó da criança tinha em casa para benzer a menina. O líquido teria sido colocado nos cabelos, ombros, mãos e pés de Maria Fernanda. Em determinado momento, ao passar uma vela perto do corpo da menina, o fogo teria se alastrado.
"Foi tudo muito rápido. A família não sabe precisar em qual parte do corpo da criança as chamas começaram a surgir. Foram momentos de desespero. Ao verem a menina em chamas, eles tentaram apagar o fogo e também tiveram queimaduras", diz Almeida.
Os familiares apagaram as chamas usando tapetes e levaram Maria Fernanda ao hospital da cidade. Por medo, eles teriam inventado outra versão sobre o ocorrido e relataram que a menina havia se queimado em um acidente doméstico com uma churrasqueira durante um churrasco na casa da família.
"A gente sabe que há preconceito contra a religião e no momento de desespero eles erraram ao não contarem a verdade. A história da churrasqueira surgiu porque uma prima da criança sofreu um acidente dessa maneira há alguns anos e eles recordaram o fato", afirma o advogado.
Maria Fernanda morreu na manhã do dia seguinte, algumas horas após ser transferida para um hospital de São José do Rio Preto, no interior de São Paulo. "Ninguém queria matar a criança, foi um acidente. A família está sofrendo com a perda, foi um deslize, mas nunca houve intenção", afirma o advogado.
Um pedido de prisão domiciliar para o avô da menina, de 71 anos, será protocolado nesta quarta-feira (27). O advogado diz que o idoso tem problemas de saúde como diabetes e hipertensão. A mãe, a avó e a tia da menina estão presas em uma cadeia feminina de Uberlândia (MG). O suposto guia religioso está em uma cadeia da região.

ATENDIMENTO MARCANTE

A enfermeira Marcela Marques de Souza foi uma das primeiras profissionais a atender Maria Fernanda no Hospital Frei Gabriel, em Frutal. A profissional relata que a criança chegou à emergência por volta das 21h30 com queimaduras por todo o corpo, principalmente nas costas, braços e pernas. A menina estaria consciente.
"Fiquei conversando com ela, pedi para que ela tivesse paciência, que a gente ia cuidar dela. Ela não se queixava de dor, mas se queixava de frio porque banhamos ela com soro devido às queimaduras", diz a enfermeira. "Eu me lembro de detalhes porque a semelhança dela com a minha filha de seis anos era muito grande e isso me marcou muito."
Souza foi uma das profissionais responsáveis por acompanhar a criança até um hospital particular de São José do Rio Preto. Para a transferência, a menina precisou ser intubada e sedada. "É muito difícil ver uma criança nessa situação e, quando veio a notícia sobre a verdadeira causa das queimaduras, foi outro choque", disse.

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