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Post diz que Lulinha embolsou R$ 317 milhões, mas delação não existe

Post diz que Lulinha embolsou R$ 317 milhões, mas delação não existe

O valor se refere ao faturamento total, entre 2005 e 2016, de uma empresa da qual o filho de Lula é sócio

Publicado em 9 de agosto de 2018 às 20:44

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Tarja Passando a Limpo Eleições. (Marcelo Franco)

A informação de que uma "delação bomba" revelou que Lulinha – Fábio Luís Lula da Silva, filho do ex-presidente Lula – embolsou R$ 317 milhões voltou a circular nas redes sociais depois da confirmação da candidatura de Lula à Presidência da República na convenção do PT realizada em 4 de agosto. O projeto Comprova verificou que a delação a que o título do post se refere não existe, e sequer é mencionada no texto. A informação que viralizou é falsa.

A publicação acusa o filho de Lula de ter recebido sozinho o que, na verdade, é o montante de toda a receita da Gamecorp, empresa da qual é sócio, num período de 11 anos. A postagem também omite que os fatos relatados ocorreram em 2016.

A checagem foi realizada pelo projeto Comprova e recebeu o aval de jornalistas de "Gazeta do Povo", "Correio do Povo", "Poder360", "Estadão", "GaúchaZH", "Veja" e Gazeta Online. As verificações só são publicadas quando pelo menos três veículos concordam com o processo. O eleitor pode sugerir verificações de conteúdos suspeitos pelo WhatsApp: (11) 97795-2200.

Não existe delação que teria apontado recebimento de R$ 317 por Lulinha. (Reprodução)

A informação que agora viralizou foi publicada na tarde de 4 de agosto no site News Atual e outros sites replicaram a notícia. Versões desse mesmo texto circulam desde 2016.

A "delação bomba" que aparece no título não é citada no texto porque não existe. Uma reportagem de junho de 2016, do site G1, ajudou a esclarecer em que contexto houve uma citação a Lulinha e à Gamecorp em uma delação. O caso foi citado por Roberto Trombeta, um contador ligado à montadora Caoa, em um acordo de colaboração premiada, firmado em abril de 2016. Ele afirmava que fez pagamentos de R$ 300 mil do Grupo Caoa para a Gamecorp.

Trombeta teve sua colaboração colocada em sigilo de Justiça, após descumprir sua parte do acordo. A informação foi confirmada pelo Comprova junto ao Ministério Público Federal do Paraná (MPF-PR). Trombeta foi condenado em maio de 2018 no âmbito da Operação Lava Jato. Já o grupo Caoa é alvo da Operação Acrônimo, braço da Zelotes, que também investiga o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Na sequência, a postagem menciona um laudo técnico da Polícia Federal, que revela que a empresa Gamecorp, que tem entre os sócios Fábio Luís Lula da Silva, faturou mais de R$ 317 milhões entre 2005 e 2016. Esse laudo realmente existe e a equipe do Comprova teve acesso a ele.

O laudo faz parte de um dos inquéritos derivados da Operação Aletheia, a 24ª fase da Operação Lava Jato, que mirou Lula em 2016. A Gamecorp e Fábio Luís foram alvo de mandados de busca e apreensão nesta operação, mas não constam como réus em nenhum dos processos da Lava Jato na primeira instância.

Esse laudo da PF analisou 12 contas bancárias da Gamecorp. O valor de R$ 317 milhões corresponde ao total de dinheiro que entrou nestas contas entre 07/01/2005 e 16/02/2016. As saídas nesse período foram de R$ 321 milhões. O laudo não apresenta conclusões sobre possíveis irregularidades cometidas nas movimentações financeiras da empresa.

As demais informações citadas no texto também foram retiradas de contexto e são colagens de diversas notas publicadas sobre a Operação Lava Jato, já que as outras empresas também são citadas na investigação. O laudo da PF, mencionado como fonte, só se refere à movimentação financeira da Gamecorp.

Além disso, a PF também elaborou um laudo pericial em relação ao patrimônio de Fábio Luís Lula da Silva, ao qual a equipe do Comprova também teve acesso. No período entre 2004 e 2014, semelhante ao avaliado na Gamecorp, Lulinha teve cerca de R$ 5,2 milhões de rendimentos brutos – aproximadamente R$ 3,8 milhões foram oriundos da distribuição de lucros da empresa G4 Entretenimento e Tecnologia, também de sua propriedade. A conclusão da perícia é de que a evolução patrimonial foi compatível com as sobras financeiras e que não havia irregularidades nas movimentações.

COMPROVA

O projeto Comprova é uma coalizão formada por 24 importantes veículos de imprensa do Brasil para combater a desinformação e os conteúdos enganosos que circulam na internet neste período eleitoral. A Rede Gazeta, por meio do Gazeta Online, é um dos parceiros do projeto. Veja outras checagens das quais o Gazeta Online participou.

Projeto Comprova reúne importantes veículos de imprensa do Brasil para combater a desinformação na internet. (Reprodução/Comprova)

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O Comprova verifica textos, áudios, vídeos, imagens, "memes" e publicações nas redes sociais que, de alguma forma, estão relacionados com a eleição presidencial deste ano. Os conteúdos verificados pelo projeto estarão disponíveis no site www.projetocomprova.com.br.

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